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Eleições do DCE incertas

Pleito está marcado para a próxima semana, mas pode ser adiado e ocorrer apenas em 2017 em razão das ocupações

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postado em 17/11/2016 19:34

Ana Viriato

Marcelo Ferreira

O impasse entre alunos contrários e favoráveis à ocupação da Universidade de Brasília (UnB) pode provocar o adiamento da eleição do Diretório Central de Estudantes (DCE) Honestino Guimarães, prevista para 23 e 24 de novembro. A data de votação será decretada amanhã, em reunião do Conselho de Entidades de Base (CEB). O embate entre os grupos, entretanto, vai além do pleito. Em redes sociais, apoiadores e oposicionistas trocam farpas e impulsionam a discussão sobre o movimento.

O Conselho de Entidades, integrado por todos os Centros Acadêmicos (CAs) da universidade, promoveu, ontem, reunião para determinar a data da eleição do DCE. No entanto, o tumulto causado por um grupo que adentrou o anfiteatro do Instituto Central de Ciências (ICC) acarretou o atraso dos debates. Por isso, a deliberação foi adiada para as 18h de amanhã. A prorrogação da escolha do comando do diretório, disputado pelas chapas Aliança pela Liberdade e Todas as Vozes, dependerá do aval de dois terços dos presentes na reunião promovida pelo CEB. Caso o adiamento seja aprovado, as eleições ocorrerão apenas em 2017. Até lá, o DCE está sob o comando da Comissão Eleitoral.

O assunto divide as opiniões das chapas concorrentes. O coordenador de campanha da chapa Aliança pela Liberdade, Vitor Líntomen, afirma que o adiamento prejudicará os estudantes da universidade. “Algumas atividades coordenadas pelo DCE, como a instauração de campeonatos esportivos, a busca pela oferta dos cursos de verão e a organização da recepção aos calouros, serão afetadas. Além disso, as mesmas forças que lideram a ocupação, querem adiar as eleições. Isso é bastante negativo”, opina. O representante ressaltou, ainda, a possível defasagem do mandato. “O vencedor ficará fora do cargo por cinco meses, isso corresponde a cerca de 40% do tempo de exercício, o que prejudicará a todos.”

A chapa Todas as Vozes, por sua vez, alega que o adiamento não acarretará prejuízos imediatos e garantirá a democracia durante o processo de votação. Segundo integrantes do grupo, devido à atual conjuntura da UnB, não há como viabilizar a participação de todos os universitários. “Alguns cursos estão em greve estudantil, não há como colocar urnas em todos os departamentos e não podemos divulgar a realização do pleito. A eleição é um momento reflexivo sobre a concepção da universidade e do futuro que queremos. Assim, é necessário que o maior número de estudantes possível esteja apto a votar’, pondera a representante da chapa Ingrid Mangabeira.

Divergências
A ruptura entre os estudantes da UnB tornou-se ainda mais evidente durante esta semana, quando as discussões migraram com mais força para a internet. Uma semana após a ocupação da reitoria da universidade, estudantes contrários ao movimento se articularam e entregaram ao Ministério Público Federal no DF (MPF/DF) um abaixo-assinado com mais de 3 mil nomes. A iniciativa levou o órgão a emitir um pedido de esclarecimentos à reitoria e ao DCE. O MPF/DF recebeu o posicionamento oficial da UnB na última sexta-feira e, agora, aguarda o documento emitido pelo diretório. Apenas após a análise dos dois ofícios, a promotoria poderá divulgar quais providências são viáveis.

O abaixo-assinado promoveu uma onda de provocações de grupos apoiadores e oposicionistas. Ao Correio, a Comissão de Comunicação do Ocupa UnB afirmou que “o documento não tem poder deliberativo superior à assembleia geral, que recebeu o apoio de 1.434 estudantes”. Após a entrega do ofício ao MPF/DF, foi criado, por estudantes, um questionário on-line que solicita o posicionamento dos discentes sobre a ocupação. Apenas 34,4% se mostraram favoráveis.

O grupo favorável à ação também disponibilizou um link para reunir apoiadores. Até o fechamento desta edição, 1.392 pessoas haviam demonstrado o apoio. O grupo protesta contra as propostas de um teto para os gastos do governo federal durante 20 anos e da reforma do ensino médio. A petição on-line foi criada para que o movimento tivesse a legitimidade de livre manifestação reforçada e reconhecida pelo Ministério Público Federal, informou, em nota, a Comissão de Comunicação do Ocupa UnB.

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