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Candidatos criticam inclusão no PAS

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postado em 06/12/2016 21:03

A preparação de um ano de estudos de dois alunos do 2º ano do ensino médio foi prejudicada na prova do Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS/UnB) aplicada no último sábado. Os jovens solicitaram atendimento especial para o dia do exame, para deficiências visual e auditiva, mas tiveram o pedido indeferido. Ao chegarem ao local de aplicação, foram barrados por portarem aparelho auditivo e uma lupa de aumento. Segundo os pais dos estudantes, se eles não se adequassem às recomendações dos fiscais, teriam de voltar para casa sem fazer a avaliação.


Brenda Alves dos Santos, 17 anos, tem problemas auditivos e precisa usar aparelho para escutar. Os responsáveis pela aplicação pediram que ela guardasse o dispositivo em um saco plástico, procedimento padrão para aparelhos eletrônicos. Nervosa, a jovem começou a chorar. A mãe da menina, Ivoneide Alves dos Santos, 41, lamenta o ocorrido e garante que processará o Cespe, órgão responsável pela realização do PAS. “Eles humilharam a minha filha com o modo que falaram com ela, como se ela fosse uma qualquer. Simplesmente menosprezando o problema que ela tem”, indigna-se.


Ela não foi a única a relatar problemas no atendimento especial. João Victor Marques de Andrade, 17,  também aluno do 2º ano e colega de sala da menina, é portador de deficiências física e visual. Ele nasceu com catarata e usa um colete para sustentar a coluna. Na hora da inscrição, solicitou que a letra da prova fosse ampliada para facilitar a leitura, pedido que foi indeferido. Além disso, foi impedido de entrar com a lupa na prova. “Eu achei muito triste ele não poder usar uma coisa que é de direito dele”, afirma Marilene Marques, 46, mãe do estudante. Os dois estudam no Centro Educacional Darcy Ribeiro, no Paranoá.


Em nota, o Cespe explicou que, conforme previsto no edital, o atendimento especial deve ser requerido previamente com toda a documentação necessária e que, no caso dos dois candidatos, esses dados não estavam atualizados. De acordo com o órgão, os laudos haviam sido emitidos há mais de 10 anos, no caso de Brenda, e há mais de 20 meses no de João Victor. O edital pede laudo emitido nos últimos 12 meses. Sobre a proibição da entrada com o aparelho auditivo e com a lupa, o órgão informou que só é permitida a entrada com itens previstos no edital.