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Alunos do IFB temem fechamento de campus após decreto do governo

Medida que controla gastos do orçamento da educação e que afeta Institutos Federais tem preocupado alunos que temem não terminar os estudos

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postado em 08/04/2017 10:00 / atualizado em 08/04/2017 14:22

Reprodução/Facebook
Alunos do Instituto Federal de Brasília (IFB) estão preocupados em não terminar os estudos após a diminuição do valor do orçamento que os campus podem gastar. A regra está em um decreto publicado no final de março pelo governo federal. O documento de 30 de março, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), discrimina, por órgão federal, a limitação de empenho e movimentação financeira da União. Na área de educação, esse valor foi de 30,1 milhões. Parte dele foi repassado aos Institutos Federais de todo o país. 
 

No IFB, a regra diminuiu o valor que os campus podem gastar, por exemplo, com pagamento de terceirizados na área de segurança, limpeza e apoio técnico. Gastos com uso de automóveis, energia e água também foram limitados com o decreto. Beatriz Menezes, 19 anos, estudante de letras do Campus de São Sebastião, disse que o laboratório do local ficou sem funcionar por semanas, afetando o acesso dos alunos. "O laboratório de informática ficou fechado por falta de segurança", conta a estudante, que é umas das líderes do movimento estudantil do campus. 
 
Beatriz também encampa o movimento #resisteIFB, que tem saído às ruas de São Sebastião e do Plano Piloto para pedir apoio da comunidade contra o risco de encerramento das atividades da unidade. Segundo Beatriz, o local teria dinheiro para funcionar até agosto. "Os alunos ficam apreensivos, principalmente porque o IFB atende o ensino médio. A gente não sabe o que vai acontecer, se vamos para outro lugar. Os pais estão preocupados, pedindo satisfação", conta. 

O medo, no entanto, não afeta apenas alunos do campus de São Sebastião. Mariana Castro, estudante de licenciatura em Dança no Campus Brasília, diz que os alunos têm sido alertados sobre o risco de redução do funcionamento do local em função do baixo orçamento. "Uma professora falou que só tem verba até julho e que depois corre risco de fechar. Tivemos reunião com o diretor do campus, vários alunos perguntaram, mas ele evitou responder várias perguntas", detalha. "Estou bem receosa. Esse é o curso que eu quero, que eu amo e não tem em outro local do DF", acrescenta.

Na unidade de Samambaia, Diego Rodrigues, 25 anos, curta Controle Ambiental, e diz que os alunos estão mobilizados. Segundo ele, os cortes de terceirizados no local já afeta a rotina dos alunos. "Há uma demora, uma dificuldade de manter a limpeza. Eles conseguem fazer os serviços, mas com demora", explica. "Tivemos reuniões e assembleias para tentar achar uma solução e ganhar apoio. Estamos criando estratégias para combater isso", acrescenta

Sem risco de paralisação

Reprodução/Facebook
Em São Sebastião, o diretor do campus, Fernando Barbosa, diz que não existe risco de o local reduzir ou suspender o funcionamento e que os alunos estão trabalhando com a possibilidade de novas reduções orçamentárias ainda em 2017, o que, nesse caso, poderia interferir no funcionamento da regional, segundo ele. 

Barbosa diz, ainda, que o campus tem reduzido o quadro de terceirizados e economizado em luz, água e telefone para cumprir o orçamento que, segundo ele, vem caindo desde 2014, apesar do aumento de 46% no número de alunos no local nos três últimos anos. Mesmo garantindo o funcionamento, o diretor admite o risco de não conseguir fechar as contas do ano e reconhece que os cortes precarizam a qualidade do ensino. "Já reduzimos em 40% o número de terceirizados e os cortes vão precarizando o ensino, mesmo ele ainda existindo", acrescenta.

Em Taguatinga, o diretor do campus, Rodrigo Ledo, também admite dificuldades orçamentárias. Assim como Barbosa, Rodrigo descarta a hipótese de reduzir ou fechar o funcionamento do campus que dirige. Diz que nas próximas semanas haverá cortes de parte dos 26 funcionários terceirizados que trabalham hoje no local e também reconhece que, em função disso, as aulas ficam prejudicadas. 

"As aulas ficam comprometidas com a falta de limpeza. E não é uma questão de que os alunos sejam mal educados. As pessoas vêm da rua e sujam o local. É natural", conta.
 
"Também passamos a ter uma dificuldade em controlar o patrimônio daqui, que tem um valor elevado. Acabamos tendo que limitar o acesso tanto do alunos quanto da comunidade, para não deteriorar ou sumir coisas", acrescenta.

O reitor do Instituto Federal de Brasília (IFB), Wilson Conciani, garante que não há possibilidade de nenhum dos dez campus reduzirem ou suspenderem o funcionamento em função do orçamento e do limite de empenho imposto pelo governo. Reconhece, no entanto, que o orçamento vem caindo e que alguns serviços nos campus, como limpeza e vigilância, podem ficar prejudicados. Disse, ainda, que tem participado de reuniões ministeriais e com parlamentares para melhorar a situação orçamentária do instituto.

"Nós temos uma restrição orçamentária grande, mas nenhum campus vai fechar por conta disso. A prioridade é assegurar o funcionamento, mesmo com algum desconforto para os alunos, seja com um ar-condicionado desligado ou com a falta de uma limpeza adequada", explica.

Fernanda Martins, 14 anos, estudante do último ano do ensino fundamental, diz que pretende cursar o ensino médio ano que vem no IFB em São Sebastião, cidade onde mora. Ela conta que estudar no local é a única possibilidade que tem de cursar um ensino médio de qualidade na cidade onde vive e que pensar na possibilidade disso não acontecer, a preocupa. 

"Sou da periferia, nunca estudei em São Sebastião e essa é minha única chance de estudar aqui". "O que eu mais vejo são alunos de lá conversando com professores da graduação sobre fazer projeto científicos e apresentar para todo mundo. Eu quero aprender também", relata.
 
* Estagiário sob supervisão de Anderson Costolli