UnB remove pichações e grafites do ICC

Nas redes sociais, universitários comparam a reitora Márcia Abrão ao prefeito de São Paulo, João Dória, que passou tinta cinza por cima dessas expressões urbanas na capital paulista

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postado em 25/04/2017 21:45 / atualizado em 25/04/2017 21:52

Reprodução/Facebook

 

A prefeitura da Universidade de Brasília (UnB) cobriu pichações e grafites que estavam em paredes e colunas do Instituto Central de Ciências (ICC). O trabalho de pintura ocorreu na segunda-feira (24) e, desde então, a questão gerou polêmica nas redes sociais e no câmpus Darcy Ribeiro. Universitários estão comparando a reitora Márcia Abrão com o prefeito de São Paulo, João Dória, que também mandou apagar grafites e pichações das ruas da capital paulista.



Arquivo Pessoal

 

De um lado, estudantes defendem que os escritos nas paredes faziam parte de um momento de expressão, história e arte — alguns dos grafites e criações com stencil estão na UnB há anos, outros retratavam ações realizadas pelos alunos, como o período de ocupações, que ocorreu no fim de 2016. “Os grafites ou pichações identificavam os estudantes, por revolta contra racismo ou homofobia”, disse um estudante de economia que prefere não se identificar.

 

Arquivo Pessoal

 

Já outros discentes se colocam a favor da ação: “um espaço público não deve ser utilizado para compartilhamento de ideologias pessoais” e “escrever em paredes é uma forma de vandalismo” são algumas das mensagens compartilhadas em grupos de redes sociais.

Justificativa
O chefe de Gabinete da Reitoria, Paulo César Marques, afirma que limpezas como essa ocorrem ocasionalmente na universidade. Esse processo geralmente é feito antes do início das aulas ou quando há necessidade. Ele explica que a decisão fora de época se deve “a um volume enorme de escritos nos quadros de aviso” que estão por todo o ICC. “Por isso, a Prefeitura consultou a Reitoria e disse que, se tivesse estrutura para realizar a ação, poderia fazer.” Paulo também cita a intenção de melhorar o ambiente para a comemoração dos 55 anos da universidade entre as justificativas para a pintura. “É uma maneira de arrumar a casa”, aponta.

Arquivo Pessoal

 

Ele ainda ressalta que não houve distinção de conteúdo ou forma. “O único problema a ser considerado é a pintura de concreto aparente, pois as pilastras da universidade não devem ser pintadas. Elas deveriam ter passado apenas por limpeza, mas isso também depende dos recursos”, diz.

Outra possibilidade

O processo coincidiu com as críticas com relação a atos ilícitos que se passam dentro da universidade. Na última quinta-feira (20), a Polícia Civil prendeu três homens acusados de produzir maconha na própria UnB, por exemplo. O delegado da Coordenação de Repreensão às Drogas, Rodrigo Boach, afirmou, em entrevista coletiva sobre a descoberta de uma plantação de maconha no câmpus Darcy Ribeiro, que a universidade é conivente com relação à utilização de substâncias e que “pichações no ICC fazem apologia ao uso de drogas”. O delegado ainda disse esperar que a reitora lidasse com a situação.

Para discutir
O espaço virtual tem sido o principal ambiente de discussão do tema entre os alunos. O Centro Acadêmico de Comunicação (Cacom) publicou uma nota contrária à medida:

 

 

*Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa