Relatório da UnB prevê cortes de servidores terceirizados da instituição

Documento propõe redução nos valores de contratos terceirizados efetuados pela universidade, além da diminuição de gastos com água, luz e telefone

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postado em 13/06/2017 21:03 / atualizado em 14/06/2017 16:30

UnB Notícias

 

Uma comissão da Universidade de Brasília (UnB) destinada a analisar as despesas de impacto no orçamento da instituição emitiu relatório que apresenta uma série de propostas com foco na redução dos gastos da universidade. O documento propõe uma redução no quantitativo de servidores que trabalham em todos os quatro câmpus e a necessidade de se reduzirem os gastos com as contas de energia, água e telefone, além do número de estagiários contratados.

 

Uma das medidas aprovadas pela comissão foi reduzir o número de vigilantes no Instituto Central de Ciências (ICC) no período da noite, em função do fechamento da universidade entre as 23h e as 7h, e a elaboração de uma política de segurança com o objetivo de colocar em prática “medidas com custos inferiores aos atuais” e investir em tecnologia de segurança.

 

O contrato dos serviços de serralheria, marcenaria, carpintaria, pintura, estofamento e lustração, atualmente no valor mensal de R$ 342 mil, destinado a todos os câmpus, será reduzido em 25%.


O documento também aponta que a Universidade de Brasília tem gastos de cerca de R$ 617 mil com bolsas dos 1.063 estagiários de toda a instituição. Com base nisso, a comissão deliberou a realização de um mapeamento da força de trabalho desses funcionários, com o objetivo de melhorar a distribuição e de reduzir o quantitativo em 10% à medida que os contratos forem finalizados. Também haverá a troca de um a cada dois estudantes que cumpram estágios de 20 horas semanais por um que realize 30 horas de trabalho por semana.

As alterações nos contratos de apoio e copeiragem podem comprometer 21 servidores, com redução inicial de 25% no quadro de apoio e futura supressão do cargo de apoio contínuo. Além disso, também estão previstas a redução de cinco a seis dos 23 recepcionistas que atuam na UnB; a diminuição na frequência de limpeza dos estacionamentos e das esquadrias externas, com a possibilidade de reduzir em 21% o valor do contrato de limpeza e conservação; e a diminuição de 15,27% na quantidade de porteiros da instituição, o que resultaria em uma redução de 406 para 344.

A decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da UnB, Denise Imbroisi, explica que a universidade sofre com um deficit de R$ 105,6 milhões. Segundo ela, com base na análise das despesas da instituição, os integrantes da comissão elaboraram um documento com propostas de alternativas. “O relatório não trata apenas de despesas como água, luz e telefone. Ele também trata dos contratos de prestação de serviços. Desde a divulgação do relatório, em meados de maio, nós estamos discutindo com as empresas responsáveis pelos contratos terceirizados da universidade e apresentando nossas despesas orçamentárias”, diz. A decana ainda acrescenta que, sem as modificações propostas no relatório, não seria possível terminar o ano com todas as despesas e pagamentos em dia.

Terceirizados

O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Mauro Mendes, explica que as mudanças são importantes. No entanto, a redução no número de terceirizados não é a melhor medida para solucionar os problemas. “De todas as universidades públicas do país, a UnB é a que conta com o maior número de servidores terceirizados, distribuídos entre todos os departamentos e setores dos quatro câmpus. Eles são trabalhadores essenciais para o funcionamento da instituição”, defende.

Mauro acrescenta que, no ano passado, o número de terceirizados da universidade sofreu cortes expressivos e, por isso, a redução dos servidores não seria a melhor saída. “No nosso entendimento, o número atual já é insuficiente. Há cerca de 60 mil pessoas que transitam ali (na universidade) todos os dias. O número de servidores para atender a todos eles está defasado. Contratar trabalhadores para uma universidade federal não é gasto, é investimento.”

Os gestores da universidade já se reuniram com representantes de sindicatos e das empresas prestadoras de serviços para encontrar um meio-termo. Segundo a decana Denise Imbroisi, algumas delas já apresentaram propostas de descontos nos serviços oferecidos. A decana informa que nenhuma medida em relação aos servidores terceirizados foi tomada. “Assim que o relatório foi aprovado, nós chamamos Sintfub e o Sindiserviços e informamos sobre as ações que seriam tomadas. Nós explicamos o porquê e falamos da necessidade dos ajustes na redução do valor dos contratos. A UnB está trabalhando no sentido de buscar todas as alternativas possíveis para gerar o menor impacto nas reduções de emprego”, explica Denise.

Encontro com o governador

Na tarde de ontem, a reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, se reuniu com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, para apresentar as principais demandas da universidade. A governadoria informou que, durante a reunião, foi realizado um debate preliminar a respeito de três pontos principais levantados pela dirigente da UnB: segurança, mobilidade e iluminação.

De acordo com o Buriti, Rollemberg se responsabilizou a encontrar soluções para os problemas apresentados e afirmou que o GDF vai acompanhar a situação e manter a reitora em contato direto com a Casa Civil do Distrito Federal. O encontro também contou com a presença dos secretários de Mobilidade, Fábio Damasceno; de Educação, Júlio Gregório Filho; o chefe da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio; e o comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Marcos Antônio Nunes.




* Estagiárias sob supervisão de Mariana Niederauer