Brasilienses participam de competição nacional de construção de miniaviões

Alunos da UnB e da Unip vão representar o DF no Sae Brasil Aerodesig, que envolve equipes de mais de 15 estados e dois países latino-americanos

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postado em 23/10/2017 17:48 / atualizado em 24/10/2017 14:34

A 19ª Competição Sae Brasil Aerodesign começa nessa quinta-feira (26) em São José dos Campos (SP). O evento existe desde 1999 e envolve alunos de engenharia de todo o país. O objetivo é aliar a teoria ensinada em sala de aula com prática aplicada por meio dos desafios desenvolvidos pelos organizadores. Em 2017, três equipes vão representar o Distrito Federal: Mamutes do Cerrado, da Universidade de Brasília (UnB) no Gama; Draco Vollans, do câmpus Darcy Ribeiro da UnB e Antonov, da Universidade Paulista (Unip).

A competição consiste em construir protótipos de miniaviões radiocontrolados. Eles devem voar carregando um peso, que deve ser no mínimo o dobro do peso do protótipo, descarregá-lo durante o voo e fazer mais uma volta no céu. Quem apresentar o melhor voo e gastar menos tempo para montar e desmontar as peças, bem como desenvolver o melhor relatório escrito falando sobre o desenvolvimento do projeto, ganha a competição.

Há três categorias: regular (com aviões movidos a combustão), micro (aviões movidos a baterias elétricas) e adversati, que trabalha com qualquer tipo de motor. Neste ano, o encontro reúne 1,1 mil alunos de engenharia de 15 estados e do Distrito Federal, além de estudantes do México e Venezuela. Ao todo, são 95 aviões inscritos na competição, que se estende até domingo (29). O projeto vencedor ganha R$ 8 mil reais, diploma de honra e uma viagem aos Estados Unidos para representar o Brasil no campeonato mundial.

Antonov
A equipe Antonov participará pela décima vez da competição. “Houve uma ascensão muito rápida nas últimas edições e isso é muito positivo para nós”, afirma o capitão da equipe, Rafael Magela, 26 anos, aluno do 10ª semestre de engenharia mecatrônica. A equipe, que compete pela categoria micro, ficou em 14ª em 2014 e, em 2015, ocupou a 9ª colocação. No ano passado, foi a vice-campeã e, por pouco, não levou o grande título. “Não fomos tão bem na parte teórica e isso custou pontos importantes”, explica o capitão. Para 2017, a expectativa é ser a campeã da categoria e, para isso, eles têm desenvolvido um protótipo feito de fibras de carbono e num referencial teórico mais elaborado.
 
Arquivo Pessoal

O grupo é formado por sete alunos, todos de engenharia mecatrônica ou elétrica, que contam com o apoio da Unip, que anualmente libera um montante avaliado em R$ 15 mil para o desenvolvimento do projeto. “Além disso, a gente conta com um laboratório muito bom. Esse amparo é essencial, pois, se fôssemos custear tudo, seria muito difícil fazer um trabalho de alto nível, visto que nós temos que pagar a mensalidade da faculdade e os cursos extras”, explica o capitão. O avião deste ano pesa cerca de 2,5 kg e foi projetado para carregar até 10 kg.

A Antonov não conta com nenhum aluno de engenharia aeroespacial ou aeronáutica (cursos que estudam diretamente a construção de aviões) e isso é uma dificuldade entre os membros, segundo Rafael Magela. Mas para o professor-orientador, Ricardo Alvarenga, essa é uma oportunidade de ampliação de conhecimentos. “A aplicação de conceitos na prática é um ganho sem igual. Além disso, o desenvolvimento do projeto envolve as demais engenharias, inclusive a mecatrônica e a elétrica”, explica o docente, que é o piloto do protótipo na competição.

Mamutes do Cerrado
A equipe caçula entre os representantes do DF é a da UnB no Gama, Mamutes do Cerrado. Os 22 integrantes estão no segundo ano de competição. O ímpeto de organizar uma equipe na UnB do Gama surgiu em 2015. Já no primeiro ano de competição, em 2016, conseguiram uma posição de destaque, o 12ª lugar. “As trinta melhores equipes são automaticamente classificadas para a edição do próximo ano, então conseguimos um feito incrível!”, destaca a capitã da equipe Laís Rocha, 22.
 
Igor Caíque/CB/D.A Press
 
 
No ano passado, os integrantes não tinham experiência na competição, mas isso não foi o suficiente para ofuscar o êxito dos alunos. “Fizemos um avião com palito de churrasco, plástico e isopor. Ninguém acreditava que ele voaria, mas surpreendemos todo mundo”, avalia Laís. Nesta edição, o avião foi construído com madeira balsa e fibras de carbono. O projeto custou cerca de R$ 4,5 reais, dinheiro oriundo de financiamento da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Fiantec) e das xerox que os integrantes da equipe tiram para alunos de toda a instituição. “Muita gente de outros cursos nos ajuda bastante”, garante a capitã.

Laís Rocha é aluna do 9ª semestre de engenharia aeroespacial da instituição e acredita que o projeto é capaz de sanar dúvidas que muitas vezes não são tiradas em sala de aula. O professor-orientador da equipe, Manuel Nascimento Barcelos, concorda. “Eles acabam desenvolvendo a competência de trabalhar em equipe, ser proativo e organizado. É um projeto que os ajuda a resolver problemas e se a preparar melhor para o mercado”, afirma o docente.

Dos 22 integrantes, apenas quatro são mulheres. “Houve uma época em que eu era a única mulher, mas aqui não tem isso. Todos se respeitam e se unem em prol da equipe”, garante Laís. O protótipo desse ano vai competir na categoria micro e foi projetado para carregar 4kg, o dobro do peso do avião. “A falta de experiência é um empasse, mas nós estamos muito empenhados”. Lucas Ferreira Rossi, 23, é aluno do 7ª semestre de engenharia aeroespacial e foi eleito o piloto da equipe. A pressão é grande. “É o trabalho do ano inteiro e eu posso jogar por água abaixo. Minha mão fica suada, minha língua adormece, mas eu tenho treinado muito”, garante o aluno.


Draco Vollans
Entre os brasilienses, a Draco Vollans é a mais experiente. Surgida em 2003, a equipe conseguiu prêmios importantes ao longo dos anos. “Ganhamos prêmios como melhor equipe estreante e melhor relatório”, afirma o atual capitão, Abraão Ferreira de Sousa, 21, aluno do 8ª semestre de engenharia mecânica da UnB. Ele é membro da equipe desde 2015 e, para este ano, projetou um avião para competir na categoria regular. “Nosso avião pesa 2,3 kg e pretendemos carregar até 12kg”, explica.
 
Lanna Silveira/C.B./D.A. Press
 
O projeto custou cerca de R$ 20 mil, valor pago, em sua maior parte, pelos 24 membros da equipe. Em razão disso, a questão financeira tem sido um empasse. “A instituição forneceu um bom laboratório e um ônibus para nos levar a São José dos Campos, mas os materiais são muito caros”, afirma. Apesar da dificuldade, os alunos seguem empenhados e pretendem manter-se no topo da competição. “Nossa melhor posição até aqui foi o quinto lugar, mas a categoria em que competimos é a mais concorrida. Essa posição, portanto, é um feito que nos deixa muito orgulhosos e motivados”, diz o capitão. Para o voo, a equipe contratou um piloto para que não haja chances de erros. Esse é um diferencial da Dracon Vollans. “Vamos deixar um legado para que, nos próximos, a excelência continue sendo nossa marca”, conclui o estudante.
 
Capacitação
Tarik Orra, diretor da comissão técnica do evento afirma que o desafio é uma oportunidade de ampliação de conhecimentos. Essa chance, segundo ele, prepara os candidatos, com mais precisão, para o mercado de trabalho. "O fato de ser campeão de uma competição de engenharia de nível nacional traz um elemento valioso no currículo de qualquer competidor", afirma o dirigente. Ele garante, ainda, que o projeto desenvolve competências que os alunos, geralmente, não sabem que possuem e que "traz a oportunidade de aprender, na prática, aspectos técnicos que muitas vezes são apenas vistos em sala de aula."
 
*Estagiário sob supervisão de Jairo Macedo.