INVESTIGAÇÃO

PCDF investiga se organização criminosa agiu para fraudar Enem 2017

Segundo as investigações da Operação Penoptes, a organização criminosa atuava aliciando possíveis clientes em frente a cursinhos

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postado em 30/10/2017 12:17 / atualizado em 30/10/2017 12:22

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga se a organização criminosa que atuava na Máfia dos Concursos também chegou a bolar um esquema para fraudar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. Na segunda fase da operação Penoptes, deflagrada nesta segunda-feira (30/10), a corporação não descarta o envolvimento da quadrilha em editais de vestibulares. Até este momento, há uma lista com mais de 100 suspeitos de ter comprado vagas em concursos públicos.


De acordo com o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco), Adriano Valente, o preço das vagas variava de acordo com o edital e salário. "Não há uma regra, mas há uma suspeita de que seja pelo menos 20 vezes a mais do que o oferecido", comentou o delegado. Segundo as investigações, a organização criminosa atuava aliciando possíveis clientes em frente ao cursinhos preparatórios.


Segundo o delegado, um dos envolvidos no esquema começou como cliente. André Luiz Santos Pereira chegou a comprar uma vaga, e depois ajudou a organização a conseguir mais clientes. Ele também foi pego na operação Patrick da PCDF, que desarticulou um esquema de venda de moedas online, a Kriptacoin. A suspeita é de que o dinheiro ganho com a fraude nos concursos fosse investido nesse outro esquema.

Além de André, Ricardo da Silva do Nascimento e Weverson Vinícius da Silva também tiveram prisão preventiva decretada. O primeiro era funcionário do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), o antigo Cespe, desde 2014, e estima-se que desde o ano passado, ele participava da associação. Em 2016 ele chegou a movimentar R$ 1 milhão, segundo os investigadores.

Já Weverson é suspeito de trabalhar como "braço-direito" de Ricardo. Ele aliciava novos compradores e chegava a dizer que não havia vagas no concurso, a não ser aquelas oferecidas por eles. "Não há um número certo de concursos que eles tentaram fraudar. Cada certame que era aberto, eles tentavam", explicou o delegado-adjunto.

Outras duas pessoas foram presas temporariamente. Alda Maria de Oliveira e Milson Iran da Silva também aliciavam candidatos para vestibulares de medicina. Os dois foram ouvidos, confessaram o crime e foram liberados.

Segundo o delegado cartorário da Deco, Maurílio Coelho, todos aqueles que forem apontados como compradores também devem responder criminalmente e podem ser exonerados do cargo. "A Polícia Civil vai chegar em todo mundo, então quem quiser se antecipar, pode se apresentar na delegacia", afirmou.