Casa de estudantes vulneráveis na UnB volta a ter luz após dias em breu

Residência universitária também ficou um dia e meio sem água

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 09/11/2017 21:15 / atualizado em 10/11/2017 12:29

Robson G. Rodrigues/Esp. CB/D.A Press

 

Alojamento da Universidade de Brasília (UnB) destinado a alunos em situação de fragilidade socioeconômica ficou dois dias sem luz — e sem água, em consequência. Um forte temporal atingiu o câmpus Darcy Ribeiro na última terça-feira (7) e fez com faltasse energia em diversos pontos. O serviço logo foi restabelecido nos demais locais. No entanto, na Casa do Estudante (CEU), o serviço voltou a funcionar apenas na noite desta quinta-feira (9), após protestos de alunos na reitoria.


A queda na eletricidade interrompeu o funcionamento da bomba hidráulica que puxa água e a distribui nos 90 apartamentos da CEU, que comporta até 360 moradores. O prefeito do câmpus, Valdeci Reis, informou ter identificado o problema logo no primeiro dia e culpou a Companhia Energética de Brasília (CEB) — em greve desde segunda-feira (6) — pela demora . “De lá para cá, não poupamos esforços. Nós temos demandado junto à CEB o reparo da energia e, hoje, fomos informados que duas equipes vão lá restabelecer a energia”, disse, horas antes da restauração.

 

Na tarde desta quinta-feira, ainda não havia previsão de volta da luz nos alojamentos. Insatisfeitos, vários alunos tomaram o prédio da reitoria da UnB em busca de resoluções. Reunidos na presença do prefeito, do chefe de gabinete, Paulo Cesar Marques, e do decano de Assuntos Comunitários, André Reis, as soluções de curto prazo logo foram sendo encontradas pelos representantes administrativos da universidade.

 

 
Problema antigo

Em meio à pressão, o prefeito intercalou o diálogo com estudantes às várias ligações que, aos poucos, traziam novidades e pequenas esperanças aos presentes — ainda insatisfeitos com o problema recorrente. “Sempre que chega o período de chuva, ficamos sem energia. Em outras vezes. ficamos sem água. Desta, ficamos sem os dois. Isso está gerando ainda mais revolta”, conta Felipe Matos, 20 anos, estudante de antropologia, que espera resoluções a longo prazo da reitoria. “Precisam fazer mudanças estruturais. A fiação da CEU, por exemplo, não é aterrada, diferentemente de todo resto da Asa Norte."

 

Robson G. Rodrigues/Esp. CB/D.A Press

Robson G. Rodrigues/Esp. CB/D.A Press
 

 

“Não tem como estudar, fazer comida, tomar banho, usar o banheiro, nada. Ontem não pude ir para a aula e hoje estou aqui protestando sem poder fazer as atividades das aulas”, lamenta a estudante de administração Maisa Farias, 23. Ela conta que a situação ficou pior com falta do transporte que desloca os alunos de um canto a outro do câmpus, o intracampus — sem funcionar desde a última semana —, já que os jovens precisaram ir a pé até o chuveiro mais próximo a, aproximadamente, 1,5 km de distância do alojamento.

 

Durante o protesto, a reitora da UnB, Márcia Abrahão, estava em cerimônia a poucos metros do protestos. Impacientes com a demora em serem atendidos, os protestantes ameaçaram entrar no auditório onde ela se encontrava. Por fim, Márcia recebeu os alunos e, junto ao prefeito, ao decano e ao chefe de gabinete, prometeu aprofundar discussões sobre problemas referentes à CEU. “A reitora, o chefe de gabiente, o decano e o prefeito firmaram compromissos ao assinarem documento com os presentes para responder às demandas que apresentamos em 14 dias”, conta Felipe, responsável pela mediação da conversa.

 

 


*Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa