Mais de 50 mil estudantes farão o PAS no próximo domingo

Vestibular que dá acesso à Universidade de Brasília gera ansiedade nos candidatos. Psicólogas dão dicas da melhor estratégia às vésperas da prova

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postado em 01/12/2017 16:02 / atualizado em 01/12/2017 17:25

O Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (UnB) ocorre no próximo domingo (3) e, de acordo com números divulgados pelo  O Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) nesta sexta-feira (1), 53.794 candidatos se inscreveram, ao todo, para as três etapas do processo, que dá acesso à universidade. A banca ainda não divulgou a demanda de participantes por vaga, tampouco o número de locais de prova que vão receber os alunos. 
 
Com a proximidade do PAS, o conteúdo aprendido ao longo do ano letivo não é o único obstáculo a ser superado pelos alunos cujo desejo é ingressar na UnB. A instabilidade não atinge apenas aqueles que sofrem de ansiedade como quadro clínico. Ao contrário da prova, o desequilíbrio emocional não é seletivo e pode escolher até o mais bem preparado candidato.
 

Combater a ansiedade

São muitos os fatores decisivos. Para a doutora em neurociência Flávia Martins, uma ponta de inquietação se faz necessária para o ser humano, embora seja tratada comumente como algo ruim e indesejável. “A ansiedade é importante porque faz a gente levantar, correr riscos, nos ajuda a galgar postos profissionais. O problema é quando ela antecipa o medo, em uma situação como o vestibular, por exemplo, que é um processo seletivo, e isso começa a colocar a pessoa numa posição de perigo.” 

Segundo a doutora, os efeitos desse quadro podem acarretar diversos problemas, atingindo a musculatura cardíaca e trazendo uma “sensação física de estar em perigo real”, na definição dela. “Quando a ansiedade entra no aspecto emocional, pode gerar brancos e a memória tem mais dificuldade de recuperar o que aprendeu.”
 
O aluno Pedro Henrique Torres, 17 anos, do Centro Educacional Sigma, fará a terceira etapa da prova e conta que teve bom desempenho nas edições anteriores, mas que na data próxima ao dia do exame era atrapalhado pela incerteza. “Eu sempre tive muita facilidade para aprender, mas perto da avaliação ficava muito nervoso, ansioso, como se não estivesse estudado o suficiente. Principalmente no terceiro ano, a gente não tem tempo viável para estudar tanto quanto gostaria. Quando sentamos diante dos livros e vemos que não vai conseguir estudar tudo, bate aquela ansiosidade e falta de concentração”, acrescenta. 

Cobrança é desproporcional

Voltado para estudantes do ensino médio, em sua maioria na faixa de idade entre 14 e 17 anos, os vestibulares tradicionais põem à prova os hormônios e a maturidade dos candidatos cuja fase da adolescência, por si só, é cheia de dúvidas. “Todos eles que fazem a prova, da primeira à terceira etapa, estão na fase da adolescência em que, naturalmente, já são ansiosos. É uma faixa etária propícia”, afirma a especialista em neuropsicologia, Roselaine Gonçalves. O Cebraspe promete disponibilizar ainda hoje a demanda sobre a concorrência no site do PAS. 

Flávia Martins acredita que há uma cobrança desproporcional a esse grupo que ainda está em processo de amadurecimento. “É uma fase em que os traços de personalidade estão passando por reatualização social. O adolescente já é visto como um 'mini-adulto', mas ele ainda não tem a maturidade emocional completa”, diz.
 
 
Para Roselaine, o PAS em sua estrutura de processo seletivo e com poucas vagas, sobretudo para quem concorre pelo sistema universal, provoca ansiedade, cujos alvos não são, precisamente, aqueles que sofrem com ela no dia a dia. “Não é algo que seja algo clínico, necessariamente, pois ele pode não ter apresentado algo durante a vida.”

Estar bem preparado do ponto de vista do conteúdo é fundamental, mas o nervosismo pode atrapalhar de tal forma que invalide o bom desempenho do participante. Mesmo assim, dominar o conteúdo auxilia no aspecto emocional. A aluna do Centro de Ensino Médio 304 de Samambaia, Emilly Nicole, 16 anos, sente na pele a diferença. “Ano passado eu estava mais ansiosa, me sentia muito nervosa, porque é uma prova muito difícil, com muitas questões e eu não tinha me preparado tão bem. Esse ano eu me preparei mais, então me sinto melhor.”
 
Arquivo pessoal
 

Dicas para antes e durante as provas 

Algo muito comum para os alunos é a falta de atenção com o próprio corpo em momentos de crise. A neurocientista Flávia Martins ressalta quais cuidados eles devem ter para restaurar a homeostasia, ou seja, o equilíbrio. O método aconselhado pela doutora é “lembrar que tem de respirar, porque em momentos de tensão, as pessoas esquecem disso. Puxar o ar pelo nariz e soltar de forma mais vagarosa”. Dessa forma, segundo ela, é possível sair de um estado reativo emocionalmente. 

Uma estratégia aconselhada por Roselaine, que também é psicopedagoga, é dar uma pausa e procurar sair da sala. “Fazer um relaxamento do corpo, dos pés à cabeça. Ir ao banheiro, lavar o rosto e esperar o organismo baixar a adrenalina”, afirma. 

Por fim, ela elenca três dicas que podem contribuir para melhora da ansiedade. 

1. Estar seguro do conteúdo acadêmico (não é a única oportunidade da sua vida, se não for tão bem quanto espera é apenas o começo).
2. Ter, clinicamente, o seu corpo bem preparado, bom sono, boa alimentação, praticar exercício físico.
3. Saber que pode tentar outras vezes e que existem outras formas de ingressar na UnB. 
 
 
*Estagiário sob supervisão de Ana Sá.