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Pós-Graduação

Pós-graduados preferem a academia

As instituições de ensino são o ambiente de trabalho favorito dos mestres e doutores. Programa governamental oferece incentivo para que esses profissionais estejam também na iniciativa privada

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postado em 16/07/2012 02:00 / atualizado em 03/08/2012 20:56

Antonio Cunha

A maior parte dos pós-graduados stricto sensu do Brasil atua no setor de educação. O índice alcança quase 77% entre os que possuem doutorado e 43% dos mestres, segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Para suprir a necessidade de pesquisadores nas empresas, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criou, há 25 anos, o Programa de Capacitação de Recursos Humanos para o Desenvolvimento Tecnológico (RHAE). “Inovação acontece nas empresas. As universidades servem para aprender coisas novas, formar pessoas”, observa o presidente do CNPq, Glaucius Oliva.

A partir de 2007, o programa passou a se chamar RHAE-Pesquisador na Empresa e os editais começaram a incentivar especialmente a entrada de mestres e doutores nas organizações, com bolsas mais altas para esses pesquisadores. O edital de 2012, lançado em 19 de junho, é o que destina maior número de recursos desde o início da nova fase. Enquanto em 2007 a verba foi de R$ 20 milhões e houve 131 projetos selecionados, este ano serão R$ 60 milhões e o CNPq pretende contemplar 350 projetos.

“Durante o mestrado e o doutorado, o pesquisador já precisa ter contato com as corporações, preferencialmente em projetos de pesquisa que sejam em parceria entre Estado e empresa”, afirma Glaucius Oliva. Ele explica que nem sempre o resultado é o mais importante, mas, sim, formar profissionais com pós-graduação que desenvolvam linhas de pesquisa mais adaptadas às necessidades das organizações.

A Kryos Tecnologia foi contemplada duas vezes no edital do RHAE, em 2007 e em 2009. “Montamos uma empresa de base tecnológica numa linha de serviço que demandava intensidade de pesquisa para podermos mostrar resultados aos clientes”, conta o mestre em física Thiago Melo, 33 anos, coordenador dos projetos financiados pelo RHAE na empresa. As duas primeiras bolsas foram para graduados, e a seleção ocorreu com certa facilidade. No segundo projeto, porém, quando precisavam de um doutor especialista em magnetismo, a situação foi diferente.

Contratação difícil
Thiago teve dificuldade para preencher a vaga, apesar de o Distrito Federal ser a unidade da federação que mais concentra doutores a cada 1 mil habitantes (5,4). “Fizemos uma pesquisa por palavra-chave na base de currículos Lattes, na área de atuação em que precisávamos. Encontramos de 25 a 30 doutores. Todos estavam empregados, principalmente no meio acadêmico”, revela.

Como os projetos são muito curtos — dois anos, no caso da Kryos —, Thiago diz que é preciso contratar um especialista na área. Eles finalmente encontraram um doutor em física que atendia ao perfil desejado. Porém, Leandro Carlos Figueiredo, 34 anos, saiu pouco antes de a bolsar terminar, pois recebeu uma proposta da Universidade de Brasília (UnB). “No meio acadêmico, a oferta está muito maior. Uma das poucas possibilidades que eu tive de trabalhar numa empresa foi nessas condições”, relata. Por ser de pequeno porte, a Kryos não teve recursos para contratar o profissional.

Leandro conta que a experiência foi essencial para perceber a diferença com relação à academia. No setor privado, os prazos costumam ser menores e têm de ser cumpridos, sob o risco de perder clientes e dinheiro. Hoje, Leandro é bolsista da Instituto de Física da UnB e lamenta não ter tido a oportunidade de continuar trabalhando em empresas, onde acredita ser possível alcançar salários melhores.
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