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Prêmio Para Mulheres na Ciência está com inscrições abertas até domingo (15/6)

Premiação incentiva presença feminina dentro do meio científico através de projetos que promovem grandes mudanças na ciência

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postado em 09/06/2014 19:12 / atualizado em 09/06/2014 19:48

Pesquisadoras do Brasil podem inscrever, até domingo (15/6), projetos científicos para a 9ª edição brasileira do programa L´Oréal-Unesco -ABC For Women in Science. O objetivo da iniciativa é reconhecer brasileiras com destaque na ciência e incentivar propostas inovadoras por meio de apoio financeiro. Ao final, sete estudos receberão bolsa-auxílio de US$ 20 mil cada. É permitida apenas a participação de cientistas que tenham concluído o doutorado a partir de 1 de janeiro de 2008, sem restrição quanto à área de investigação da pesquisa. Os projetos vencedores são escolhidos porque propõem mudanças no mundo e colocam as mulheres no topo do cenário científico. As inscrições estão disponíveis através do site.

No ano passado, o programa recebeu mais de 350 inscrições em diversas áreas de pesquisa como ciências da saúde, biológicas, biomédicas, físicas, matemáticas e químicas. Ao todo, mais de 50 brasileiras foram beneficiadas com a iniciativa, inclusive, Tais Gratieri, 30 anos, professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB). Confira agora a entrevista com a professora Tais Gratieri:

Luciana Tancredo/Divulgação
Qual foi a trajetória percorrida até receber o prêmio da L´Oréal-Unesco -ABC For Women in Science?
Eu cursei farmácia na Universidade de São Paulo- Ribeirão Preto. No primeiro ano de faculdade, eu já comecei a fazer estágio no laboratório de Tecnologia Farmacêutica. Participei de projetos de iniciação científica durante os cinco anos da graduação. Depois, fiz estágio de doutorado sanduíche na Universidade de Saaland, na Alemanha entre 2008 e 2009. Após isso, eu iniciei o pós-doutorado na Universidade de Genebra, na Suíça, onde atuei em iniciativas de desenvolvimento de produtos tecnológicos em colaborações com indústrias farmacêuticas e cosméticas. Atualmente, sou professora adjunta de farmacotécnica e cosmetologia da UnB. Além disso, em 2012, eu recebi o Prêmio Capes de Tese, que reconheceu as 45 melhores teses de doutorado, defendidas em 2010. Já no ano passado, eu fui premiada com o Prêmio da L´Oréal-Unesco-ABC For Women in Science.

Qual é o seu projeto científico e como ele funciona?
O nome do projeto é: “Desenvolvimento de nanossistemas mucoadesivos para o tratamento de infecções oculares e avaliação da iontoforese na potencialização terapêutica”. A iniciativa é a etapa inicial de desenvolvimento de um colírio que, após a aplicação, permite que o remédio fique mais tempo em contato com os olhos e atinja o local da infecção em quantidades suficientes. Já para a segunda etapa, que envolve fazer com que o novo medicamento chegue ao mercado, é fundamental conseguir a colaboração de indústrias farmacêuticas.

Como o prêmio ajudou a senhora a desenvolver o projeto? A premiação ajudou a tornar a senhora mais conhecida no meio científico do país?
Fui laureada depois de um ano que comecei na UnB. No início, o grupo de pesquisa que eu faço parte não possuía equipamentos e espaço físico para pesquisa. Após seis meses da premiação, eu consegui aprovação de verbas para compra de equipamentos e material de consumo em três editais de agências de fomento, participei de dois encontros científicos internacionais importantíssimos na minha área de estudo e acredito que, em breve, a construção do Laboratório de Medicamentos, Alimentos e Cosméticos (LTMAC) será possível.

De que forma o prêmio incentiva a pesquisa científica feita por mulheres no Brasil?
Diferentemente de outras premiações que contemplam pesquisadoras com carreiras já consolidadas, o prêmio Para Mulheres na Ciência parabeniza jovens doutoras em início de carreira. É certo que precisamos reconhecer o trabalho árduo de grandes cientistas que contribuíram para o progresso da sociedade. Além disso, nos serve de estímulo tanto na vida pessoal como profissional. No entanto, ser premiada ainda no começo da profissão, não só nos encoraja e dá energia para continuarmos com nossas pesquisas, como nos “abre portas”. Dessa forma, a premiação da L’oreal, em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências, torna possível que boas ideias se transformem em realidade.

Como é o cenário da pesquisa científica no Brasil para mulheres?
Todos nós pesquisadores do Brasil enfrentamos muitas dificuldades. Tanto com os desafios de logística do país — problemas de infraestrutura —, o que sem dúvidas atrasa o recebimento de insumos e equipamentos, quanto com os obstáculos burocráticos de maneira geral. Por exemplo, não temos espaço adequado para pesquisa, condições mínimas de trabalho dentro das universidades, salas com o mínimo de conforto divididas entre muitos docentes, o que atrapalha o processo de raciocínio, reuniões e discussões com alunos. Acredito que as cientistas possuem os mesmos preconceitos e são vítimas do mesmo machismo que qualquer outra mulher da sociedade. Esse machismo permeia todas as profissões, creio que quanto a isso não há discriminações: está atrelado a nossa cultura.

No futuro, a senhora pretende inscrever outro projeto neste prêmio ou em outros?
Para esta premiação podemos nos inscrever apenas uma vez. Mas, caso eu tenha oportunidade de inscrever projetos em outras premiações, o farei sem dúvidas.

Luciana Tancredo/Divulgação
 

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