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Rumo ao Reino Unido

Estudantes brasileiros recebem bolsa para fazer mestrado em instituições de referência e tornam-se líderes em diferentes áreas de atuação. incriçôes para o proximo ano estão abertas até 15 de novembro

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postado em 01/09/2014 10:55 / atualizado em 01/09/2014 11:59

Ana Rayssa

Vinte e seis brasileiros, entre eles três brasilienses, embarcam em setembro para o Reino Unido para fazer mestrado nas melhores instituições da Inglaterra, da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte. Combolsa que inclui taxas estudantis, passagens aéreas e ajuda de custo para visto e outras despesas, os alunos passarão um ano estudando mídia, planejamento urbano, relações internacionais ou direitos humanos para tornarem- se líderes nessas áreas de atuação. Os estudos são financiados por meio do programa Chevening, do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido.

“Estamos procurando pessoas que, após passarem um período no Reino Unido, continuarão criando pontes de troca e cooperação entre os países”, explicou a coordenadora do programa no Brasil, Caroline Mac Donald. “Isso é muito importante para essas nações, e buscamos sempre indivíduos que possam liderar esse processo”, completou. Para a edição de 2014, foi selecionado um número de estudantes 20% maior do que no ano passado, com cerca de 600 alunos contemplados em todo o mundo. Existem hoje cerca de mais 1,4 mil brasileiros Chevening alumni trabalhando em posições de liderança pelo Brasil.Para ser selecionado, é preciso ter fluência em inglês, ter concluído a graduação, demonstrar potencial de liderança e ainda apresentar bom histórico escolar e vivência profissional. Os bolsistas são selecionados pessoalmente pelas embaixadas britânicasemtodo o mundo.

As inscrições para o ano letivo 2015/2016 estão abertas até 15 de novembro pelo site chevening.org/brazil. Serão selecionados 1,5 mil estudantes para cursos de pós-graduação em universidades britânicas. Para esta seleção, o programa dará preferência a estudantes brasileiros das áreas de investimentos, negócios, relações internacionais e segurança global, mudanças climáticas e sustentabilidade, crimes transnacionais e eventos esportivos. Além do financiamento das taxas das escolas, a bolsa inclui o pagamento de um valor mensal, passagem aérea e ajuda de custo para o processo de visto.

Segundo o embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis, há previsão de abertura de mais vagas para brasileiros nas próximas edições.“O Brasil éumpaís de prioridade para nós. Por isso, queremos triplicar o número de bolsistas. Acreditamos que esse tipo de intercâmbio é uma das melhores maneiras de ampliar o conhecimento dos países uns sobre os outros”, disse o embaixador. “A ideia é selecionar sempre pessoas comcapacidade de liderança e que sejam bastante competentes para trabalhar em vários ramos. Acreditamos que essa é uma boa maneira de fortalecer o relacionamento humano, já que os melhores diplomatas são os estudantes intercambistas”, completou.

 

Helder Paulo Silva, 28 anos
Graduado em relações internacionais pela Universidade Católica de Goiás (UCG), mora em Brasília

Cursará mestrado em política internacional na Escola de Estudos Orientais e Africanos (Soas), na Inglaterra. Trabalha no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior na área de relações bilaterais entre o Brasil e países asiáticos “Uma das melhores maneiras de enxergar melhor o Brasil é conhecendo outras culturas. Nenhuma cultura é ruim, apenas diferente. Estar em outro país é uma oportunidade para diluir esses preconceitos e mostrar uma imagem diferente do meu país. O meu objetivo principal é retornar capacitado para poder atuar melhor no trato das relações do Brasil coma África ou do Brasil coma China.”

Uliane Appolinario, 29 anos
Graduada em relações internacionaos pela universidade de brasília (UNB), mora em brasília


Cursará mestrado em políticas sociais e planejamento na Escola de Economia e Ciência Política de Londres (LSE), na Inglaterra. Trabalhou comcooperação internacional na Agência Brasileira de Cooperação “Essa é uma das instituições mais renomadas nessa área. Terei a oportunidade de  conhecer as melhores práticas e saber o que é importante na formação da política pública de qualquer país. O Brasil é um laboratório para quem trabalha políticas sociais, e eu quero estar dentro desse processo para melhorar as políticas públicas e sociais, que tem impacto muito importante. Acho que o Brasil temmuito a oferecer nessa área no aspecto prático e o Reino Unido pode contribuir em termos acadêmicos.

 

Clarissa Simas, 28 anos
Graduada em psicologia pela Universidade de Brasília (UnB), mora em Brasília


Cursará mestrado em antropologia médica na Universidade de Londres (UCL), na Inglaterra. Trabalhou durante três anos no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em projeto de cooperação entre Brasil e Haiti na área de saúde “Sempre tive interesse em políticas públicas para essa área, e acredito que o Brasil é um país privilegiado por ter um Sistema Único de Saúde, além de ser um dos poucos que acredita no acesso universal e igualitário à saúde. No Reino
Unido tambémhá um sistema equivalente ao nosso. Acredito que será bastante enriquecedor aprender com essa experiência deles e entender o que pode ser acrescentado ao nosso sistema.”

Renata Henriques, 29 anos
Graduada em relações internacionais pelaUniversidade de Brasília (UnB), mora em Brasília


Cursará mestrado em estudos sobre desenvolvimento na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Trabalha na Assessoria Internacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) “Para conhecer o seu país, nada melhor do que ir para outro país. Acredito que essa será uma oportunidade maravilhosa e, com os conhecimentos que vou adquirir, espero poder desenvolver ideias de apoio ao empreendedorismo com foco nas pequenas empresas. O nosso país está crescendo muito, mas ainda precisamos melhorar em muitos aspectos. Quando o conhecimento acadêmico é traduzido para a vida da população, seja qual for a área de estudos, isso é muito positivo.”

Fábio Bicalho, 26 anos
Morador de Belo Horizonte,, graduado em economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)


Cursará mestrado em mudanças climáticas e desenvolvimento internacional na Universidade de East Englia (UEA), no Reino Unido. Trabalha na empresa de consultoria em mudanças climáticas WayCarbon “A instituição que escolhi está ligada a um centro de pesquisa muito grande, que produz trabalhos inclusive para a Organização das Nações Unidas (ONU). Já atuo na área do meu mestrado há alguns anos, em Belo Horizonte. Esta é uma das carreiras prioritárias para as bolsas Chevening e acredito que será uma experiência acadêmica bastante intensa. Espero que, ao meu retorno, possa continuar atuando nessa área e fazer diferença nessas oportunidades de cooperação para o país.”

 

GRANDES NOMES

 

A parceria acadêmica entre Brasil e Reino Unido existe há mais de 70 anos, e a estreia dos brasileiros em programas de estudo financiados pelo governo britânico ficou por conta de um importante poeta e compositor nacional: o carioca Vinicius de Moraes foi o primeiro aluno brasileiro contemplado com uma bolsa para estudar no Reino Unido, em 1938. Na ocasião, o “Poetinha”, como ficaria conhecido, concluiu o curso de letras na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Após mais de 30 anos da criação do programa Chevening, mais de 1,4 mil brasileiros foram beneficiados, e a iniciativa acumula outros grandes nomes brasileiros que, após concluir o mestrado no Reino Unido, retornaram ao país de origem e cumpriram o papel de exercer lideranças em suas áreas de atuação. Entre eles, está o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Lelio Bentes Corrêa. Em 1999, ele foi selecionado para o mestrado em direito internacional dos direitos humanos pela Universidade de Essex, na Inglaterra.

“Para a minha vida acadêmica e profissional, o mestrado foi um divisor de águas. Por meio dele, pude ter a experiência de conhecer uma cultura estrangeira e refletir sobre a realidade do nosso país e sobre a situação dos direitos humanos na época. Durante o processo de seleção, uma das perguntas que me fizeram foi onde eu imaginava que estaria em 10 anos. Eu não imaginava que a minha vida mudaria tanto”, relembrou Bentes Corrêa. “Tenho a certeza de que, entre esse jovens, estão futuros formadores de opinião e pessoas com conhecimento científico e humano consolidado para ser utilizado em prol do amadurecimento da sociedade brasileira.”
 

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