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Particulares impulsionam matrículas na graduação

Dados de 2013 mostram a expansão no número de inscrições no ensino superior, mas com um crescimento mais contido. Ritmo na rede privada é proporcionalmente 2,5 vezes maior. Pela primeira vez, em 10 anos, houve queda na quantidade de formandos no país

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postado em 10/09/2014 11:56 / atualizado em 10/09/2014 11:58

Daniela Garcia /Correio Braziliense , Renata Mariz

Thaíssa dos Santos se encaixa no perfil do universitário brasileiro:  21 anos, mulher e estuda à noite em uma instituição privada (Minervino Junior/CB/D.A Press) 
Thaíssa dos Santos se encaixa no perfil do universitário brasileiro: 21 anos, mulher e estuda à noite em uma instituição privada

 

O Censo da Educação Superior divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC) indica que a expansão do ensino superior privado acontece em ritmo mais acelerado do que no público. O crescimento na quantidade de matrículas em 2013 foi proporcionalmente 2,5 vezes maior na rede privada do que nas instituições públicas em relação a 2012. Mais de 7,3 milhões de alunos fizeram inscrição em toda a graduação no ano passado. Nas instituições particulares, foram 5,3 milhões, enquanto nas públicas, 1,9 milhão. Em 2013, o número de matrículas no setor aumentou em 4,5% e o sistema público cresceu 1,8%. No Distrito Federal, para cada um aluno em faculdades públicas, há mais de quatro em particulares. A capital é a segunda do ranking, perdendo apenas para o estado de São Paulo, que apresenta uma proporção maior que 5,30.

Thaíssa dos Santos é um exemplo de quem optou pelo ensino privado. Ela é o retrato do universitário brasileiro. Aos 21 anos, estuda Sistemas de Informação em uma faculdade privada à noite. A paranaense admite que sua queda era pela medicina-veterinária, mas a falta de opções de graduação na área no Distrito Federal e o olho no mercado de trabalho fizeram com que ela mudasse de ideia. “Procurei esse curso por perceber que há boas oportunidades de emprego. Cheguei crua na aula, não sabia nada”, conta. No 8º e último semestre, ela garante que aprendeu a desvendar os mistérios da formação marcada pela presença masculina. “Só tem homem na minha turma”, diverte-se a estudante.

A expansão da rede privada é resultado da demanda por matrículas e dos incentivos do governo, na avaliação de Sólon Caldas, diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior. Ele destaca duas políticas específicas — o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). “São ações que foram aperfeiçoadas e, hoje, proporcionam maior inclusão ao jovem que não teria acesso ao ensino superior”, avalia. Entre os 2,7 milhões de alunos que entraram no passado em instituições de ensino superior, 80% deles fizeram um curso de graduação pela rede privada, segundo o censo 2013.

Metas
De acordo com a meta 12 do Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil deve expandir em 50% a oferta de vagas no ensino superior nos próximos 10 anos. Dentro da taxa, a previsão é de que pelo menos 40% delas seja na rede pública. Se não houver um incremento nas vagas, a meta não será cumprida na avaliação da professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Catarina de Almeida Santos. “Está acontecendo uma estagnação da oferta. É importante que se promova uma expansão, especialmente, no sistema público. Não é para expandir por meio de bolsas e financiamento nas instituições privadas.”

Em comparação com as edições anteriores do censo, o ritmo de expansão das matrículas em instituições públicas está caindo. Em 2013, o Brasil teve 1.932.527 inscrições no ensino superior público — 35,1 mil a mais em comparação a 2012, o que corresponde a um crescimento de 1,85%. Entre 2011 e 2012, esse aumento foi de quase 7% (cerca de 124 mil matrículas a mais). “Quando chegamos num determinado patamar, o ritmo tende a diminuir”, justificou o ministro da Educação, Henrique Paim.

Concluintes
Apesar do constante aumento no ingresso de estudantes no ensino superior, os dados mostram uma queda na quantidade de formados. Pela primeira vez nos últimos 10 anos, o número diminuiu, caindo de 1.050.413 em 2012 para 991.010 em 2013, uma diminuição de 5,9%. De acordo com o MEC, 97% da queda no número de concluintes dos cursos de graduação está concentrada em 14 instituições entre as mais de 2,4 mil existentes no país. “A maioria passou por processo de supervisão que resultou em suspensão, redução de vagas ou descredenciamento. Do total, há três estaduais e um instituto federal”, detalha a nota.


Está acontecendo uma estagnação da oferta. É importante que se promova uma expansão, especialmente, no sistema público”
Catarina Santos, Professora da Faculdade de Educação da UnB

Falta de opção no DF


No Distrito Federal, há mais de quatro alunos na rede privada para um aluno na rede pública, segundo o Censo da Educação Superior de 2013. Apenas São Paulo conta com uma proporção maior, 5,30. Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Catarina de Almeida Santos, a pesquisa mostra a necessidade de expansão da rede pública de ensino superior no DF.

Para Catarina, a disparidade se deve à falta de oferta de vagas em instituições federais de ensino superior. “Tem gente em Brasília que abre mão de muita coisa para pagar uma faculdade, por falta de opção. Só temos praticamente a UnB como opção pública. Precisamos criar uma universidade do Distrito”, diz.

Segundo o presidente do Inep, Chico Soares, a maior proporção de alunos nas instituições particulares na capital está relacionado a uma maior taxa de renda e a um maior nível de escolaridade da população. (DG)

 

Investimento muito baixo


 

O Brasil destina mais do Produto Interno Bruto para a educação básica do que os países ricos, mas o gasto por aluno ainda é pequeno, aponta estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado ontem. A pesquisa compara os 34 países da organização, que reúne nações ricas e 10 em desenvolvimento. O relatório mostra que a educação de um brasileiro é feita, em média, com um terço do valor gasto com um estudante de países ricos.

Dos gastos públicos totais do Brasil, a educação contou com 19% em 2011, ano em que os dados do estudo foram compilados, ficando acima da média dos países desenvolvidos, 13%, e atingindo 6,1% do PIB. No entanto, o valor gasto por aluno foi de US$ 2.985 — um terço da média dos 34 países integrantes da OCDE, que é de US$ 8.952. O Brasil é o penúltimo do ranking, superando apenas a Indonésia.

O ministro da Educação, Henrique Paim, admitiu que há sim uma diferença do valor-aluno investido no Brasil. O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Chico Soares, ressaltou a evolução dos números. Segundo ele, em 2000, o investimento do país na educação superior era 11 vezes maior do que o gasto com o ensino básico. Em 2011, a proporção foi de 3,7. “Estamos começando um novo tempo. Nós gastamos menos que a Áustria, mas nós não somos a Áustria.” (DG)

 

 

 

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