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Graduados sofrem mais com dívidas

Estudo mostra que 46% dos chamados superendividados têm curso superior. Descontrole é a principal razão para o aperto, seguida do desemprego

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postado em 25/11/2014 13:48

Célia Perrone

Procon considera grandes endividados consumidores cujos débitos comprometem gastos correntes básicos (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press - 13/10/10 ) 
Procon considera grandes endividados consumidores cujos débitos comprometem gastos correntes básicos


A maioria dos consumidores mais apertados com dívidas é formada por homens (52%) com emprego formal e, quase sempre, de boa escolaridade. Levantamento realizado pelo Procon de São Paulo revelou que 46% dos chamados superendividados têm curso superior e 68% do total trabalham. A renda média de quase metade (48%) dos 658 analisados varia apenas de R$ 1 mil a R$ 2,9 mil.

Segundo o estudo, o descontrole financeiro (41%) e o desemprego (22%) são as principais causas que levam esses cidadãos ao sufoco financeiro. Em seguida, vêm perda de renda (14%) e doença (12%). Especialistas afirmam que, no Distrito Federal, o grupo é liderado pelos servidores, devido à facilidade dele de obtenção de crédito.

“Contratei planos de saúde que não poderia pagar. Quando percebi, estava empurrando as contas com a barriga”, lamentou o professor Basílio Santos, de 59 anos. Ele é um dos que se encaixa no perfil traçado, cujos gastos extras acabam por comprometer as despesas da casa. São consumidores que passaram pelo Programa de Apoio ao Superendividado (PAS), do Procon paulista em parceria com o Tribunal de Justiça, inaugurado em 2012.

É considerado superendividado aquele cujo pagamento das dívidas já supera a renda mensal, mesmo que não esteja com o nome sujo, comprometendo o pagamento de contas básicas como água, luz e transporte. A faixa etária de 31 a 40 anos é a que mais procura pelo serviço (26%) e os que têm mais de 70 anos são os que menos procuraram (2%).

O ex-militar Ivan Assis, 32, luta há 10 anos para colocar as contas em dia. Sua saga começou em 2002, pouco depois de ser dispensado do Exército, por não ter diploma universitário. Desse ano em diante, Assis se enrolou com cartão de crédito e só agora está conseguindo quitar. “Sou formado em contabilidade, administro uma garagem e minha situação vai se equilibrar”, suspirou.

Confiança recua
Ao mesmo tempo que avança o endividamento das pessoas físicas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recua 6,1% em novembro na comparação com outubro. Caiu para 95,3 pontos ante 101,5, menor nível desde os 94,8 de dezembro de 2008, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). “A preocupação com inflação, mercado de trabalho e taxas de juros contribuíram para a tendência”, afirmou a economista Tabi Thuler Santos, da FGV.

Natal magro
Mesmo considerada a data comemorativa mais importante para o varejo, o Natal deste ano deve ter o pior crescimento desde 2003. Pessimista com a inflação, com os juros elevados e com o mercado de trabalho, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) revisou a expectativa de expansão de vendas de 2,6% para 2,3%. A perspectiva é de que sejam criadas 137,9 mil vagas temporárias,  um avanço de apenas 0,3% em relação a igual período de 2013.

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