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Pós-graduandos protestam contra cortes na educação

Organizadas pela Associação Nacional de Pós-Graduandos, atividades vão até quarta-feira (11)

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postado em 10/08/2015 15:43 / atualizado em 11/08/2015 15:08

Desde a noite de domingo (9), por volta de 35 manifestantes estão acampados em frente ao Ministério da Educação (MEC) em protesto contra os cortes nas áreas de Educação e Ciência e Tecnologia. O grupo é organizado pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), que promove o Ocupe Brasília até quarta-feira (12), para pressionar o governo a reverter medidas como a paralisação na concessão de bolsas e a redução das verbas de custeio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Na terça-feira (11), definida como Dia Nacional de Mobilização contra os Cortes pela ANPG, haverá uma audiência pública da comissão no auditório do Congresso Nacional. A presidente da instituição,Tamara Naiz, e os ministros da Educação, Renato Janine Ribeiro, e de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo debaterão sobre os direitos dos pós-graduandos.

 

Amanda Venicio

 

Em julho, o Capes anunciou o corte de 75% nas verbas para o Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap), que financia custos como a organização e a participação de pós-graduandos em congressos, passagens de professores externos para examinar bancas de mestrado e doutorado, tradução de artigos e manutenção de equipamentos.

“O conhecimento não se constrói individualmente, ele depende de debates. Os cortes prejudicam o resultado das pesquisas de pós-gradução”, afirma o diretor de comunicação da ANPG Marcelo Marigliani. "Não adianta o pesquisador guardar o que produziu como se fosse algo para benefício próprio. A divulgação é uma forma de devolver para a sociedade o investimento que recebeu, mas o pós-graduando não tem dinheiro para fazer isso por contra própria", explica Tamara Naiz, presidente da ANPG.

Segundo Marigliani, a suspensão do Edital Pró-Equipamentos 2015 interrompe pesquisas e pode causar o fechamento de laboratórios. “Nossa preocupação é de que a pós-graduação corre o risco de parar. Falamos tanto sobre desenvolvimento, mas para construir países economicamente fortes é necessário desenvolver novos produtos e tecnologias. Então, precisamos de investimento em ciência e tecnologia”, argumenta. “Queremos sensibilizar o MEC e a presidente Dilma Rousseff porque esses cortes não trazem consequências por apenas um ano. A redução do investimento pode atrasar pesquisas de trinta anos de trabalho”, afirma.

 

Tamara Naiz afirma que os manifestantes também querem reabrir as concessões de novas bolsas no exterior e garantir que o MEC crie um grupo de trabalho para discutir as condições dos pós-graduandos, conforme prometido em um acordo feito com a instituição em abril.


Outro objetivo é promover os direitos da classe, que não possui garantias trabalhistas. "Não podemos tirar licença maternidade, então as mulheres ainda têm que escolher entre ficarem grávidas ou fazerem uma pós-graduação. Como não temos direitos previdenciários, se algum pós-graduando tiver um problema de saúde, terá que trancar a pesquisa e perder a bolsa", exemplifica.

A ANPG também propõe que o MEC crie campanhas contra assédios sexual e moral na pós-graduação e crie mecanismos nas universidades para acolhar vítimas.

 

Programação

 

Na terça-feira (11), às 14h30, a ANPG promove uma audiência pública em frente ao Congresso Nacional. No final da tarde, haverá o lançamento de uma frente parlamentar. Durante a manhã de quarta-feira (12), o grupo participará de reuniões no Congresso para discutir projetos de leis. Na quinta-feira (13), às 12h, os manifestantes conversarão com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.

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