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ENTREVISTA / Helene Hellmark Knutsson

Ministra da Educação Superior da Suécia fala sobre internacionalização do ensino

Um dos segredos para uma educação de qualidade é o investimento nos professores e cooperações entre diferentes países

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postado em 25/10/2015 08:00 / atualizado em 23/10/2015 21:12

Ana Paula Lisboa

Como você avalia a cooperação entre Brasil e Suécia?
Acredito que temos ótimas conexões e temos cooperações educacionais há bastante tempo, mas há um garante potencial para fortalecer esses laços. As áreas em que os dois países cooperam estão mais focadas em questões ambientais, medicina e tecnologia, mas há outros campos em que poderíamos trabalhar juntos.

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press

 

O número de brasileiros na Suécia aumentou com o programa Ciência sem Fronteiras. Como você vê a chegada desses estudantes ao país?
É muito positivo, temos estudantes do Brasil e de várias outras localidades. A internacionalização do ensino superior e da pesquisa é um meio de promover a qualidade da educação nos dois países. Boa parte dos desafios que enfrentamos hoje em dia são globais, então é importante treinar jovens para trabalhar juntos. Nossas companhias, que competem no mercado mundial, também precisam ser inovadoras, achar novos mercados e ser atrativas para profissionais de todo o mundo.

No Brasil, há vários desafios para a internacionzalição do ensino superior, como a falta de aulas em inglês. Como isso se estabeleceu na Suécia?
Temos universidades fortes e tradicionais que trabalham em pesquisas internacionais há muito tempo. A Suécia também é uma cultura aberta, tem companhias em todo o mundo e trabalha a internacionalização como estratégia, porque somos um país pequeno, nosso mercado não é muito grande - ainda mais comparando com o Brasil. Acho que, por isso, a internacionalização se fortaleceu. O seu país, por exemplo, é um mercado estratégico para nós. Brincamos que São Paulo é a segunda maior cidade sueca, de tantas empresas daqui presentes lá. Vários suecos têm interesse em ir ao país, até para aprender português, mas a falta de programas em inglês dificulta.

O custo de vida na Suécia é um desafio para estudantes internacionais. Há medidas sendo adotadas para facilitar o acesso?
É um dos problemas que precisamos resolver e estamos trabalhando para oferecer bolsas, não só de estudo, mas que também cubram custos de vida.

A partir do contexto de um país com alta qualidade educacional, que conselhos você poderia dar ao Brasil?

Todos temos problemas, mas acho que podemos aprender um com o outro. O que decidimos fazer na Suécia é investir muito dinheiro e conhecimento nos professores, providenciando treinamentos e bons salários, para atrair os melhores para a docência.

Como ocorrem as parcerias entre empresas e universidades na Suécia?

Quando se fala em educação superior, o governo financia, e os suecos não precisam pagar para estudar. E estamos expandindo o número de câmpus. Mas, em termos de pesquisa, %u2153 das verbas vêm de empresas e indústrias, que querem colaborar. Isso é benéfico para os dois lados, que estão procurando inovar e achar soluções. Um aspecto importante é que, mesmo assim, as universidades são independentes e decidem o que fazer com o dinheiro.

Quais são as maiores metas?

Aumentar a qualidade - e a internacionalização é uma estratégia para isso - e a quantidade. Também estamos implementando um sistema para medir a qualidade das universidades e assegurar que elas estão controlando o nível dos programas. Há sempre críticas para os sistemas de rankings de universidades, mas a Suécia está indo muito bem neles - para um país tão pequeno, temos resultados muito bons.

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