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EDUCAÇÃO INTERNACIONAL

Para estudar na Suécia

Avaliada como a segunda melhor educação superior do mundo, o destino é boa opção para pós-graduação - a maior parte delas oferecidas em inglês. Com o Ciência sem Fronteiras, o país tem recebido cada vez mais brasileiros

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postado em 25/10/2015 08:00 / atualizado em 29/10/2015 17:55

Ana Paula Lisboa

Quando alguém diz que vai estudar na Suécia, é comum ouvir “por quê?” Apesar de não ser um destino popular entre brasileiros, o local chama a atenção de quem quer internacionalizar o currículo pela grande quantidade de cursos ministrados em inglês (só de mestrado são mais de 900 com duração de 1 ou 2 anos) e pelo fato de oferecer a segunda melhor educação superior do mundo — atrás apenas dos Estados Unidos — de acordo com a rede Universitas 21. A pergunta deveria ser, então, “por que não?”

Outros fatores se juntam à lista de razões para escolher o país escandinavo: ambiente propício à inovação, cultura laica e com liberdade de pensamento, comunidade aberta a estrangeiros, bom sistema de transporte, segurança e alta qualidade de vida. A capital, Estocolmo, é a maior cidade universitária entre os países nórdicos, com 80 mil estudantes, dos quais 5 mil são internacionais. O maior entrave para brasileiros que escolhem estudar no reino nórdico está no alto custo.

 

 

 

Uma lei de 2011 estabeleceu que o ensino superior só seria gratuito para suecos e moradores da União Europeia. A introdução das taxas reduziu drasticamente o número de estrangeiros nas instituições — a Universidade de Umeå, por exemplo, perdeu 90% dos estudantes internacionais. A ministra da Educação Superior da Suécia, Helene Hellmark Knutsson, revela que o governo “está trabalhando para atrair jovens de outros países”, já que a internacionalização, segundo ela, é essencial a um ensino de qualidade. Bolsas de estudo são um dos caminhos para isso (veja quadro).

Universitários de diferentes nacionalidades provam que é possível vencer essa barreira. A indonésia Alicia Nevriana, 24 anos, está no segundo ano do mestrado em saúde pública no Instituto Karolinska e diz que, com um estilo econômico, dá para viver muito bem. “A maior despesa é a moradia, então é mais barato procurar uma por meio da universidade. Para economizar, comparo preços entre supermercados, cozinho em vez de comer fora e compro roupas de segunda mão. Vale a pena para ter uma experiência única e uma educação de qualidade.”

Ficou interessado na terra do grupo ABBA? Então conheça três faculdades especializadas e três universidades que podem ser ótimas opções.

POR DENTRO DE INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR

FACULDADES


Stefan Zimmerman / Divulgação

Instituto Karolinska (KI)
Localização: Estocolmo
Foco: medicina e ciências da saúde
Fundação: 1810
Corpo discente: 6 mil alunos de graduação e mestrado, 2.071 de doutorado e pós-doutorado
Equipe: 500 funcionários, dos quais, 367 são professores
Informações: www.ki.se

 

Com 22 departamentos, é responsável por mais de 40% da pesquisa acadêmica médica da Suécia. Professores da instituição são responsáveis por escolher os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina.

 

Stefan Zimmerman / Divulgação
“Temos apenas uma faculdade, então temos excelência nessa área — aparecemos em 48º lugar no mundo e em 12º na Europa (de acordo com o Academic Ranking of World Universities)”, conta Maria Grazia Masucci, vice-chanceler para internacionalização.

 

Matheus Ravel Timo Barbosa é um dos 16 bolsistas do Ciências sem Fronteiras (CsF) na instituição. No geral, são alunos de graduação que cursam matérias de mestrado, já que são administradas em inglês. Originalmente aluno de medicina da Universidade de Brasília (UnB), ele está na Suécia há um mês e meio. “A troca de conhecimentos com estudantes de todo o mundo é muito rica. Voltarei para casa com conhecimentos globais sobre sistemas de saúde”, revela.


Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
Instituto Real de Tecnologia (KTH)
Localização: Estocolmo
Foco: engenharia, tecnologia e arquitetura
Fundação: 1827
Corpo discente: 15 mil estudantes de graduação, 1,7 mil pós-graduandos
Equipe: 4,9 mil funcionários, dos quais mil são professores
Informações: www.kth.se/en


Todo ano, a maior e mais antiga universidade técnica da Suécia recebe mais de mil estudantes de fora da União Europeia. Uma vantagem da instituição é a existência de parcerias com empresas e indústrias. Eva Malmström, vice-reitora, explica a tática.

 

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
“Os estudantes trabalham com problemas reais e ganham conexões no mercado de trabalho.” Alunos e ex-alunos criaram companhias como a plataforma de comunicação Skype e os jogos Minecraft e Angry Birds. Uma boa notícia aos interessados em estudar lá é que 35% das vagas são destinadas a bolsistas.

 

A instituição, visitada pela presidente Dilma Rousseff no último fim de semana, conta com 35 estudantes do CsF este ano. Entre eles, está Yuri Alexandre Moraski, 21, aluno de engenharia elétrica na Universidade Federal do Paraná (UFPR), que se interessou pelo país depois de estagiar na Volvo. “O aprendizado é muito prático. Sem contar que viver aqui é muito bom, a qualidade de vida é ótima, e tem floresta em todo lugar.”

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
Escola de Economia de Estocolmo (HHS)
Localização: Estocolmo
Foco: economia, administração, marketing, humanidades e artes
Fundação: 1909
Corpo discente: 1.800 alunos
Equipe: 100 funcionários e 120 professores
Informações: www.hhs.se


Na melhor escola de negócios do norte da Europa, todos os programas de mestrado são oferecidos em inglês. Com parcerias com mais de 110 empresas, a faculdade mantém uma incubadora de empresas.

 

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
“Vários de nossos alunos abrem o próprio negócio. É um ambiente intelectualmente vibrante, com boa reputação. O que buscamos nos estudantes são pessoas ambiciosas com vontade de fazer mudanças no mundo”, explica o reitor Lars Strannegard.

 

No Brasil, a única instituição parceira é a Fundação Getulio Vargas. Foi lá que se graduou Diana Pires, 24, que conseguiu uma bolsa para estudar mestrado em administração.


“É muito bom estudar aqui, mas conseguir emprego é difícil. Mesmo que todo mundo fale inglês, aprender sueco é importante”, percebe.

 

A maior diferença cultural, segundo Diana, está na postura mais fechada dos nativos. “Eles são educados e simpáticos, mas todo mundo se cumprimenta com aperto de mão, nada de beijinho!”
Universidades.


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Universidade de Uppsala
Localização: Uppsala (140 mil habitantes)
Foco: direito, linguagens, artes, ciências educacionais, medicina, farmácia, ciência e tecnologia, ciências sociais e teologia
Fundação: 1477
Corpo discente: 45.354 alunos e 2.848 de doutorado e pós-doutorado
Equipe: 1.534 professores
Informações: www.uu.se


A primeira universidade da Suécia foi fundada para ensinar teologia e, com o tempo, expandiu o escopo de atuação para diversas áreas do conhecimento; 40 mestrados e mais de 800 disciplinas livres são oferecidos em inglês. A cidade cresceu com a universidade, e um dos fortes da comunidade são as “nações estudantis”.

 

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
Essas associações de universitários são comuns na Suécia: os discentes pagam uma mensalidade e, em contrapartida, tem desconto para almoço, participam de palestras, festas e outros eventos.

 

A instituição abriga 1,6 mil estudantes de intercâmbio, além de diversos professores estrangeiros, como a indiana Suparna Sanyal, diretora do mestrado em biotecnologia aplicada. “Apesar de antiga, Uppsala junta tradição e modernidade.” O indiano Nimish Godble, 25, mestrando em saúde global, avalia a experiência positivamente. “Tem sido um dos melhores períodos da minha vida. A qualidade do ensino é alta, e a vida universitária é muito intensa.”

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
Universidade de Lund
Localização: Lund (110 mil habitantes),
Foco: engenharia, tecnologia e arquitetura
Fundação: 1666
Corpo discente: 42 mil alunos
Equipe: 7.680 funcionários
Informações: www.lu.se


A 60ª melhor do mundo segundo o QS ranking e a segunda mais antiga da Suécia, a Universidade de Lund tem estudantes de mais de 130 países e parcerias com instituições de 70 nações. A cidade fica no sul do país e é considerada uma das melhores para estudantes, com um clima mais ameno. O custo total de um programa de estudo varia de SEK 100 mil a SEK 200 mil, mas 30% das bolsas oferecidas pelo Sweedish Institute são destinadas a Universidade de Lund. A instituição gira em torno da pesquisa, e 2/3 do orçamento é destinado a essa finalidade.

 

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
Por causa disso, estudantes são estimulados a fazerem experimentos e invenções. O estudante sueco Kent Ngo, por exemplo, criou frutas em pó com grande prazo de validade para ajudar a erradicar a fome no mundo.

 

Aluno de engenharia de produção da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Dante Padilha Uvo, 24, estuda gestão de cadeia de suprimentos em Lund e se sente muito acolhido. “Estou aqui há um mês e tenho amigos. Quero tentar estagiar numa empresa sueca, e estou me dedicando aos estudos”, diz o bolsista do CsF. Depois de ter feito intercâmbio na instituição com bolsa do governo federal, Hélio Munhoz, 22, graduado em arquitetura pela UFPR, conseguiu emprego em Kopenhagen, na Dinamarca, que fica a apenas 40 km de Lund.

 

“O custo de vida é praticamente o mesmo, e essa experiência me abriu muitas portas.” Mestre em arquitetura, Gisele Paiva Nilsson, 33, foi a primeira brasileira a estudar na instituição. “Eu era aluna de graduação da UFRJ e queria fazer intercâmbio aqui. Mandei vários e-mails, batalhei muito. Como não havia parceria, diziam que era impossível, mas consegui. Depois voltei para fazer mestrado”, lembra. Hoje, ela trabalha num escritório de arquitetura.

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
Universidade de Umeå
Localização: Umeå (117 mil habitantes)
Foco: arquitetura, design, negócios e economia, artes, pedagogia, gastronomia, tecnologia e educação física
Fundação: 1965
Corpo discente: 31.506 estudantes
Equipe: 4.335 funcionários e 2.035 professores
Informações: www.umu.se


Classificada como a melhor da Suécia e a terceira da Europa no International Student Barometer, que leva em conta a opinião de estudantes estrangeiros, a universidade tem 8% do corpo discente formado por estrangeiros e 32 programas em inglês (30 deles de mestrado). “Ficamos a duas horas do Círculo Polar. Os estudantes que vêm para cá aprendem a gostar da neve, e há intensas atividades em qualquer período do ano”, conta Greg Neely, diretor do escritório internacional. Um dos atrativos da cidade é o centro de esportes, em que qualquer um pode se exercitar pagando uma mensalidade acessível — foi lá que a jogadora de futebol Marta começou a carreira. A universidade recebe 34 alunos do Ciência sem Fronteiras e outros quatro brasileiros em 2015.

 

Ana Paula Lisboa/CB/D.A Press
Adriele Pradi, 25, e Madyana Torres, 24, se apaixonaram pelo país nórdico. “Vejo a aurora boreal da janela da minha casa”, conta Adriele, que faz mestrado em desenvolvimento de negócios e internacionalização. “Consegui bolsa de estudos, mas ainda tenho que bancar meus custos. Dá para viver com menos da metade das 8 mil coroas suecas que exigem por mês para o visto. Basta saber administrar: cozinho em casa e ando só de bicicleta”, conta a jovem natural de Jaraguá do Sul (RS). Mestranda em design de interação, Madyana veio para Umeå depois de ter estudado no local pelo Ciência sem Fronteiras em 2013. “Consegui aproveitar as matérias e, agora, vou ficar um ano para completar o mestrado. Adoro estudar aqui. É um ambiente acolhedor, em que se preocupam muito com sua saúde mental e com seu bem-estar.”

Custo de vida mensal

Acomodação - SEK 3,2 mil
Comida - SEK 2,3 mil
Taxa de associação de estudantes e livros - SEK 500
Viagens locais - SEK 500
Lazer - SEK 500
Roupas - SEK 450
Telefone, internet, TV, jornal - SEK 300
Produtos de higiene - SEK 250
Total: SEK 8 mil* (cerca de R$ 3.692)

*Estudantes de fora da União Europeia precisam comprovar ter SEK 8,1 mil por mês para se manter
Fonte: Sweedish Institute


Mercado de trabalho

Estudantes internacionais podem trabalhar. Depois do fim do curso, têm seis meses para arranjar emprego (que permite a concessão de visto de trabalho).

Oportunidades de bolsa

Toda universidade sueca oferece bolsas de estudo diretamente na instituição e é possível conferir informações no site de cada uma. Além disso, o Sweedish Institute fornece outras oportunidades que podem ser acessadas
pelo link: eng.si.se.

* A jornalista viajou a convite do Sweedish Institute

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