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Universidade chinesa aprova brasileiro para a primeira turma de mestrado

Ítalo é o único representante do país no projeto para desenvolvimento de líderes mundiais que ocorrerá na China a partir de agosto deste ano

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postado em 14/01/2016 20:15 / atualizado em 15/01/2016 13:21

Arquivo pessoal/ Ítalo Alves
Ítalo Alves, 23 anos, cearense natural de Fortaleza, recém-formado em negócios internacionais pela Universidade Quinnipiac, localizada em Connectcut nos Estados Unidos, foi o único brasileiro aprovado para a primeira turma da Schwarzman Scholars, um programa de mestrado com duração de um ano na Universidade de Tsinghua, na China, totalmente financiado e com bolsas integrais para o estudo da situação global, levando em consideração a relação da China com o mundo. O objetivo do projeto é criar uma rede de líderes globais e expandir a compreensão dos alunos nos âmbitos de políticas públicas, economia, negócios e relações internacionais. O programa leva o nome de Stephen A. Schwarzman, cofundador do grupo Blackstone.

"Eu sempre estudei em escola pública e sofri muito preconceito, bullying e violência por ser gay, então, na primeira redação do processo seletivo, escrevi sobre como eu superei essa dificuldade por meio do meu engajamento em projetos relacionados ao empreendedorismo e à causa de igualdade de gênero", revela Ítalo. "Eu fiquei sabendo da seleção por meio da internet e passei três meses pensando sobre o que iria falar nas outras três dissertações. Acabei escrevendo mais de trinta redações!", conta.

Os aprovados na primeira fase foram direcionados para entrevistas com chefes de estado, líderes políticos e jornalistas, que ocorreram em quatro países do mundo. Ítalo foi para Nova York e teve 25 minutos para responder todas as perguntas que constavam em um painel diante da banca. "Eu passei um mês estudando e lendo jornais americanos, europeus e chineses. Além disso, tentei bolar perguntas sobre as minhas redações, sobre geopolítica e sobre a China no geral. Meu amigos ficavam treinando a entrevista comigo também." Depois disso, ele passou por uma entrevista e um almoço com todos os presentes. "O Schwarzman sentou do meu lado e nós tivemos uma conversa ótima. perguntei pra ele o que o motivou a criar o projeto, e ele disse acreditar que, no futuro, qualquer líder precisa entender a China e como isso impacta a maneira pela qual se governa o mundo", conta.

Ítalo estudou a vida inteira em escola pública e, aos 17 anos, passou para engenharia ambiental na Universidade Federal do Ceará (UFCE). Além disso, foi fundador e CEO da React&Change, uma organização sem fins lucrativos para patrocínio de projetos e capacitação de jovens a respeito da causa LGBTQ (Lesbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e Queer). Pouco tempo depois de ser aprovado no vestibular, ele percebeu que não se identificava muito com engenharia e se candidatou para uma bolsa de estudos em Connectcut para negócios internacionais.

No exterior, ele teve uma grande exposição a atividades acadêmicas extraclasse, como projetos e organizações, e a pessoas de diferentes partes do mundo. Além disso, as salas de aula eram menores, o que permitiu uma proximidade maior entre alunos e professores, com um atendimento mais individualizado. Por fim, Ítalo conta que a faculdade proporciona um forte apoio no desenvolvimento de carreira: "eles tinham um departamento dentro do campus focado em te ajudar a descobrir um plano de carreira e a entrar em contato com empregadores". Hoje, ele trabalha como consultor na empresa Delloitte, em Nova York e pretende construir uma carreira política no Brasil.

O mestrado dele será na área de políticas públicas, sob a temática LGBT. Ele acredita que o curso vai auxiliar na tomada de decisões em sua carreira política e também no desenvolvimento de projetos e políticas públicas adequados para o Brasil, levando em conta a futura ordem político-econômica mundial e a potencialidade da China em acordos e relações exteriores. Ele espera alcançar o título de primeiro presidente LGBT do Brasil e pretende direcionar seu mandato para solucionar os três grandes desafios do século 21. "As guerras, os conflitos armados sempre me assustam porque eu acredito plenamente no diálogo pacífico. A corrupção também é um problema sério, tanto no Brasil quanto em outros países em desenvolvimento. E a educação: é importante que todos tenham as mesmas oportunidades de aprendizagem independentemente de renda, cor, naturalidade e gênero."


Universidade de Tsinghua/Reprodução

Sobre o programa
O programa foi criado por Stephen A. Schwarzman, cofundador do grupo Blackstone, firma americana de private equity -- tipo de atividade financeira voltada para empresas que não são listadas na bolsa de valores, com o objetivo de alavancar o desenvolvimento delas. Schwarzman contribuiu com cerca de US$ 100 milhões para o programa e está liderando uma campanha de angariação de fundos para levantar um adicional de US$ 350 milhões de instituições privadas. O valor arrecadado vai suprir os custos de, pelo menos, 200 acadêmicos, incluindo alunos e docentes, e recebeu doação de instituições como a Fundação PepsiCo, a Volkswagen, a Johnson & Johnson, a Fundação Econet, a Lenovo e a Fundação Varkey.

A lista de aprovados foi anunciada na segunda-feira (11), durante a cerimônia de inauguração do programa de bolsas de mestrado. A primeira turma é formada por 111 alunos de 32 países, sendo 45% norte-americanos e 20% chineses. A seleção contou com 3 mil candidatos, e a taxa de aprovação foi de 3,7%. Os estudantes passaram por um processo de avaliação de capacidades intelectuais e acadêmicas, por meio de redações entregues on-line e por entrevistas conduzidas por CEOs, ex-chefes de Estado, reitores de universidades, presidentes de organizações sem fins lucrativos e jornalistas, para avaliação do espírito de liderança. A primeira fase da seleção consistia em escrever redações a respeito de quatro temas. A primeira, de cunho mais pesssoal, deveria responder à pergunta: Quem é você como lider e como essa liderança te define?. Os demais textos eram sobre a importância do projeto para os futuros líderes mundiais, um assunto contemporâneo e a um tema livre.
As aulas da primeira turma começam em agosto deste ano. Para mais informações sobre o projeto e sobre a bolsa, acesse o site.

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