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Pesquisadores brasileiros representam o país no Green Talents 2016

Fórum reúne jovens cientistas de 21 países com pesquisadores alemães das áreas de ciência para debater desenvolvimento sustentável

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postado em 26/10/2016 13:54 / atualizado em 26/10/2016 14:35

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O concurso Green Talents - International Forum for High Potentials in Sustainable Development (Talentos verdes - Fórum internacional para grandes potenciais em desenvolvimento sustentável, em tradução literal), promovido pelo Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha está em sua oitava edição e ocorre até hoje (26) em Berlim. Trata-se de uma conferência para debater ideias e projetos inovadores e sustentáveis. Este ano, dois representantes brasileiros figuram entre os 25 selecionados, de um universo de 757 candidatos de 104 países.
 
Os demais ganhadores são da Austrália, Canadá, China, Colômbia, República Tcheca, Etiópia, Filipinas, Gana, Índia, Irlanda, Israel, Malásia, Nepal, Paquistão, Portugal, Cingapura, Espanha, Togo, Trinidade e Tobago e Zimbabwe. Este ano, o concurso abordou os efeitos das alterações climáticas, poluição e sobrepesca em recursos naturais. Os projetos dos brasileiros selecionados, Hani Rocha El Bizri e Marina Demaria Venâncio, versam sobre manejo de animais silvestres e agroecologia.
 

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Hani Rocha El Bizri, 29 anos, é de Belo Horizonte, Minas Gerais, mas atualmente mora no Pará devido ao mestrado em Saúde e Produção Animal na Amazônia na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), além de ser pesquisador associado do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). Seu projeto de mestrado é sobre desenvolvimento fetal e características reprodutivas das pacas, roedores de grande porte presentes em países da América do Sul, Central e no México, que é pouco estudado. O objetivo de estudo do mestrado, no entanto, é apenas uma vertente do projeto maior apresentado ao Green Talents, cujo objetivo é obter informações sobre reprodução de animais silvestres na Amazônia para desenvolver estratégias de manejo sustentável.
 
Diversas comunidades tradicionais, como ribeirinhos e quilombolas, ali presentes dependem da caça destes animais para alimentação. Devido ao aprimoramento de técnicas de caça e aumento das populações humanas, a quantidade de animais silvestres está sendo impactada. “A questão não é só a conservação das espécies, mas falta comida também na comunidade, então existe um interesse interno delas”.  O trabalho do pesquisador é feito em conjunto ao seu orientador na UFRA, Pedro Mayor, que desenvolve o mesmo trabalho na amazônia peruana pela Universidade Autônoma de Barcelona, a partir de análise de órgãos dos animais caçados por membros das comunidades locais. Feita essa avaliação, é possível traçar estratégias de manejo sustentável. “A paca, por exemplo, é um animal muito caçado. O ciclo reprodutivo da paca segue o ciclo dos rios de aumento do nível da água. Quando aumenta o nível do rio. tem mais pacas grávidas. Quando diminui, tem menos. Podemos traçar estratégias baseado nos níveis do rio. Por exemplo, no período cheio, caçar menos, ou caçar mais machos”, explica o pesquisador. Tais informações são passadas às comunidades, que não só lidam diretamente com essa questão, mas também são diretamente afetadas pelo impacto.
 
Em relação ao fórum, Rocha se diz entusiasmado pela experiência. “É um desafio trabalhar com sustentabilidade. No Brasil, principalmente, é um tema que está se iniciando e na Alemanha eles estão muito à frente e você percebe que o seu trabalho tem um valor científico importante e de mudança social muito forte. A minha ideia é realmente aprender muito aqui e repassar esse conhecimento, aplicá-lo no Brasil’, finaliza.
 
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O projeto da Marina Demaria Venâncio, 23 anos, tem um viés diferente. Mestranda em direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), seu objetivo é estudar políticas públicas e desenhar um guia para direcionar políticas que sejam efetivar e repensar o papel do direito na agroecologia, isto é, agricultura pensada de forma ecológica e sustentável. Segundo a estudante, desenvolver estudos acerca do tema é fundamental devido a escassez de bibliografia. “É preciso buscarmos modelos de produção mais sustentáveis. No Brasil, cuja base da agroecologia são os agricultores familiares e pequenas propriedades, ainda falta um incentivo maior. Precisamos de um apoio maior para este sistema que precisa debatido e discutido em todas as áreas. Precisamos de políticas que sejam efetivas e estejam direcionadas para o público que elas visam atender”, afirma.
 
Quanto ao Green Talents, Venâncio relata ser uma vivência rica tanto acadêmica quanto profissionalmente. “Está sendo muito engrandecedor. É muito interessante, eu que estudei direito, ver na prática muitas coisas que lemos durante o curso, constatar que estão desenvolvendo na Alemanha”. Além disso, ela conta que a troca de experiências com os outros participantes é de extrema importância. “Uma preocupação grande da organização é que mantenhamos a rede de contatos, troquemos informações para estabelecer parcerias que sejam duradouras. Eles querem projetos que realmente dialoguem com outras áreas e os projetos das outras pessoas são sensacionais”, revela.
 
Os vencedores receberão certificado de participação ao fim das atividades, nesta semana. O fórum promoveu palestras, oficinas, workshops, encontros com vencedores de outras edições, e reuniões com especialistas para discutir os projetos de cada um. Instituto Alfred Wegener, Universidade de Tecnologia de Hamburg, Instituto Max Planck de Física Plasma, Instituto Potsdam de Pesquisa para Impacto Climático, Siemens AG e Centro de Serviço Sul-Africano de Ciência são as instituições integrantes da programação.

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