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O dever de casa dos pais

Neste início de ano, os responsáveis devem começar a pensar em como será a volta à rotina escolar e saber como orientar os filhos nas tarefas de casa

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postado em 10/01/2016 10:00

André Violatti

A volta à rotina escolar exige uma preparação prévia do estudante, a começar pelos horários de acordar e de dormir. Essa adaptação começa em casa e inclui montar com a criança um cronograma de atividades para que ela comece a entender quais são os seus deveres. O primeiro conselho de Virgínia Ávila, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores e Práticas  Interdisciplinares da Universidade de Pernambuco (UPE), é que os pais mantenham uma relação próxima com a escola, com a direção e com o professor da turma. O objetivo é garantir que as regras da instituição, ou os combinados, também sejam seguidos em casa.


“A criança vai se dando conta de que é assim mesmo que as coisas ocorrem e, dessa forma, ela vai aprendendo a viver nesse espaço coletivo”, observa. Virgínia sugere que os responsáveis peçam para a criança fazer uma espécie de cronograma com tudo o que faz no dia — tomar café, escovar os dentes, brincar etc. — e incluir, entre essas atividades, o tempo de estudo. “Quando há essa rotina, a criança percebe que dá para fazer várias coisas no mesmo dia”, diz. Essa planejamento pode, inclusive, ser descrito e desenhado em um quadro e fixado no quarto ou na geladeira. “Assim, ela vai aprendendo e compreendendo a rotina como algo saudável e importante para o desenvolvimento dela.”


A professora lembra ainda que a família é o primeiro modelo de referência para a criança e que também deve manter uma organização. “Essa é uma marca que ela carrega durante todo o processo de escolarização e que ajuda na adolescência e na juventude”, comenta. Já na preparação para a volta às aulas, Virgínia lembra que é importante começar a adaptação de 10 a 15 dias antes, passando a acordar e a dormir nos mesmo horários de um dia de aula normal.

Estudo

Na hora de fazer as tarefas de casa, a sugestão da especialista é que os pais ofereçam um ambiente arejado e limpo para que a criança consiga, de fato, desempenhar as atividades. O horário é outro ponto importante, e deve ser estabelecido em conjunto com a criança.


A professora Alice Botler, do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), esclarece que as atividades passadas para casa têm dois objetivos: a fixação do que foi aprendido em sala de aula e a autonomização do estudo por parte do aluno. O papel dos pais nesse momento é oferecer apoio e estímulo, mesmo que não saibam como ajudar na tarefa em si, uma vez que a atividade passada para casa deve estar de acordo com a capacidade da criança e, portanto, ela conseguirá resolvê-la sozinha.


“Os pais precisam ter clareza de que as crianças são seres pensantes e têm potencial de cumprir com aquilo. O que pesa é a responsabilização, e isso pode ser feito de maneira leve, não precisa ser de maneira pesada. O argumento deve ser no sentido de que a própria criança perde se não cumprir a tarefa.”
A professora Vanessa Lins, 36 anos, organiza a rotina de estudos dos filhos para que eles não tenham dificuldade na hora de realizarem as tarefas escolares. Nicholas, 4, e Louise, 7, fazem os deveres sempre no primeiro momento da tarde, após o almoço, exceto nos dias em que têm alguma atividade extraclasse. Há uma mesa na casa específica para esse fim.


Com Nicholas, ela senta e pergunta para ele qual é a tarefa, o que o estimula a entender e o que a professora disse o faz sentir-se valorizado por alguma coisa que lembre. Já com Louise, o processo é um pouco diferente. A mãe pede que a pequena localize a anotação com o dever na agenda primeiro. “Na série em que ela está, a preocupação é maior com a escrita. Ela mesma consegue identificar isso no fim do texto, e eu questiono se não seria melhor apagar, para ficar mais bonito”, conta.


 “Também tento manter um diálogo com eles sobre o que viram em sala, se acharam legal ou não”, relata. As atividades não são muito complexas, mas Vanessa acredita que elas ajudam a ter uma noção do desempenho dos filhos para que, depois, ela possa conversar com o professor sobre o desenvolvimento dos dois.