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Momento de dar asas

A ida de crianças para a escola pela primeira vez pode ocorrer logo após o fim do período exclusivo de amamentação

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postado em 27/10/2015 12:54


 

 

"Para mim, também foi difícil, ela chorava de um lado e eu, de outro. Depois, vi que foi a melhor coisa para ela, era muito amor que ela recebia da equipe" Patricia Reitter Oliveira, mãe de Heloísa



Omomento em que o conforto e o aconchego de casa precisam ser trocados ou complementados por um mundo novo de possibilidades ofertado pela escola é sempre delicado, tanto para os pais quanto para os pequenos. Não é necessário, no entanto, que ele seja traumático. O convívio com outras crianças na mesma faixa etária é importante para o desenvolvimento do filho. Por isso, a família precisa procurar uma instituição que ofereça boa estrutura e profissionais preparados para proporcionar uma adaptação tranquila ao ambiente escolar.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) define que a educação infantil seja oferecida para bebês e crianças até 3 anos de idade, em creches ou em entidades equivalentes, e na pré-escola, para crianças de 4 a 5 anos. Também estabelece como obrigatória a matrícula de todos os brasileirinhos a partir dos 4 anos de idade, completos até 31 de março do ano a ser cursado.

“Muitos pais se aconselham comigo e me perguntam se devem matricular ou não seus filhos na creche. Sempre digo que, por melhores que os pais sejam, o ambiente de casa não tem estímulos diversos e a convivência com os colegas. Essa diversidade é essencial para o desenvolvimento do cérebro dos bebês”, afirma a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE/UnB) Fátima Guerra, PhD em educação infantil. Na visão da especialista, passado o período exclusivo de amamentação, aproximadamente aos oito meses, já é recomendável que a criança passe a frequentar a creche.

Fátima pondera, no entanto, que, como essa é uma fase crítica para formação da personalidade e das bases de uma pessoa, não se pode entregar a criança a qualquer creche ou escola. “É preciso achar uma boa instituição, que dê condições à criança de usufruir do direito de um bom começo”, afirma. A professora defende como essencial para uma educação infantil de qualidade a presença de uma equipe qualificada que saiba trabalhar o lúdico e a afetividade das crianças.

O tempo de cada um

Patricia Reitter Oliveira, mãe de Ana Laura, 6 anos, e de Heloísa, 1, acredita que os pais são capazes de perceber o tempo de cada filho. “Eu observo e conheço muito minhas filhas. Acho que cada pai sente a necessidade que as crianças apresentam. Com a mais velha foi uma história, com a mais nova é outra”, conta. A mãe explica que Ana Laura passava muito tempo a sós com ela e, com isso, foi estranhando a presença de outras pessoas, e até a do pai. “Decidi colocá-la na escola aos 2 anos, porque estava preocupada com a socialização dela. Com a mais nova, não percebo a mesma necessidade, porque ela já tem a irmã e convive mais até com meu marido, que agora está mais tempo em casa”, justifica.

Para Patricia, três anos é a idade ideal para colocar as crianças na escola, pois elas já sabem se expressar e têm mais autonomia. Ela e o marido já estão avaliando alguns estabelecimentos de ensino, mas acreditam que a pequena só vai sair de casa pela primeira vez quando completar essa idade. Apesar da escolha de esperar mais um pouco dessa vez, a família reconhece os benefícios que a escolarização trouxe para a filha mais velha. “A maior dificuldade com a Ana foi a adaptação dela. Para mim, também foi difícil, ela chorava de um lado e eu, de outro. Depois, vi que foi a melhor coisa para ela, era muito amor que ela recebia da equipe”, lembra Patricia.

Fátima Guerra recomenda que, para superar a culpa e a ansiedade naturais geradas com a ida dos filhos para a creche, os pais pensem, em primeiro lugar, no presente e no futuro da criança, e não neles mesmos. “Com essa ida, a mãe está deixando a criança se desenvolver: tem amor e carinho nessa atitude. Precisamos educar filhos com raízes, mas também com asas”, diz.

PALAVRA DE ESPECIALISTA

Atenção e cuidado


“Uma boa escola de educação infantil é aquela que tem a proporção adulto/criança adequada e conta com auxiliares. A boa escola também tem pessoas que desenvolvem a sensibilidade em relação à criança e dão a ela a oportunidade para se expressar e ser ouvida. Uma escola de qualidade precisa apresentar anotações da professora sobre cada criança, seu desempenho, sua autoestima e as estratégias usadas para seu estímulo, porque a dinâmica de sala é a coisa mais importante em um colégio. A boa escola tem o prédio bonito, limpo e claro. Tem material, brinquedos adequados e segurança. Ela não é perfeita, porque isso não existe, mas dá abertura para os pais manterem um contato íntimo com a equipe que está influenciando diretamente seu filho”

Fátima Guerra, professora da Faculdade de Educação da UnB

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