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Um norte para a decisão

Conheça as principais escolas pedagógicas para avaliar qual projeto é o mais adequado ao seu filho

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postado em 27/10/2015 12:58

Antes de tomar a decisão sobre a escola em que seu filho estudará, é importante conhecer o projeto pedagógico da instituição. Não é necessário ser especialista na área para analisar o texto, mas é bom saber que existem alguns métodos que norteiam esses documentos e que provêm de experiências práticas ou de estudos acadêmicos sobre a aprendizagem.

A professora Lucimar Rosa Dias, do Departamento de Planejamento e Administração (Deplae) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que o que a família pode observar é se a escola segue uma linha mais aberta, abrindo espaço para escutar e considerar os desejos da criança ou do adolescente, ou se é uma instituição mais formatada, que exige que o aluno se adapte ao ambiente escolar.

“Em geral, as propostas pedagógicas apresentam-se de formas muito parecidas; o que vai marcar a diferença é justamente esse cotidiano, como as relações ocorrem na instituição, qual a relação entre a criança e os adultos, como as famílias são consideradas nesse processo e se é deste modo que acreditam que deva ser a educação dos seus filhos e filhas. são as essas coisas que a família tem de avaliar, na minha opinião ”, explica.

Para não se perder nas conversas com os gestores sobre projetos pedagógicos, confira abaixo as características das três principais escolas que dividem hoje as práticas pedagógicas adotadas no Brasil e alguns dos métodos adotados em cada uma delas.

Pedagogias tradicionais

“O que caracteriza essa escola seria uma relação mais tradicional mesmo. O lugar das pessoas está muito bem definido: o professor é quem ensina e o aluno é receptor do conhecimento”, explica Lucimar. A presença dessa escola no ensino brasileiro ainda é marcante, a começar pela organização da sala de aula, com alunos sentados em fileiras, um atrás do outro. São também escolas que valorizam a prova como única forma de avaliação e em que o critério da nota é o principal para analisar o processo de ensino e aprendizagem. “Não há participação efetiva do aluno na organização do espaço, do conteúdo, ou do próprio desenvolvimento da aula. Isso tudo está nas mãos do professor”, completa Lucimar. No entanto, ela lembra que, apesar de esse ser o modelo dominante no país, poucas escolas se intitulam como tradicionais, pois esse tipo de ensino ficou fora de moda por alguns anos e o termo caiu em desuso.

Pedagogias progressistas ou críticas

Essas pedagogias surgiram de um movimento que tentou discutir e questionar a escola da maneira que ela estava colocada no país — a tradicional. A partir desse movimento surgiram várias tendências. Em linhas gerais, são métodos que valorizam a formação do aluno em uma perspectiva crítica, em que ele não é apenas um repositório de informações. Encaixa-se nessas pedagogias também o construtivismo, conhecido por abordagens diferentes de dois pensadores: Vigotsky e Piaget. A psicopedagoga Mayura Cordeira explica que o trabalho baseado no construtivismo de Vigotsky valoriza o uso de todos os espaços da escola, e não apenas a sala de aula. Além disso, os novos conhecimentos são construídos a partir das experiências prévias que a própria criança traz para a sala de aula e esse processo não precisa necessariamente seguir uma sequência, como na visão de Piaget. Isso significa, por exemplo, que as letras do alfabeto não precisam ser ensinadas na ordem.

Pedagogias pós-críticas

São ligadas ao ambiente, ecológicas e, segundo estudo do pesquisador José Carlos Libâneo, nem se sentem confortáveis em se autodenominar como pedagogias, mas influenciam a prática docente. Essas pedagogias, de acordo com Libâneo, baseiam-se na ideia de que não há direitos universais abstratos, mas direitos e vozes de cada grupo cultural, de cada comunidade: o feminismo, o pacifismo, a ecologia, o negro, o homossexual. Um dos métodos que podem ser classificados nesse grupo é o Waldorf. Segundo Lucimar, apesar de se tratar de um método bem antigo, anterior à classificação nessas três grandes escolas, ele se encaixa na visão pós-crítica da educação por estar baseado numa ideia mais holística do ser humano. São escolas que não têm prova como forma de avaliação, por exemplo. “O aluno está ali não para ser avaliado em determinados conhecimentos, mas para que ele se desenvolva de forma equilibrada e integrada.”

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