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Para todos

Instituições de ensino ainda estão longe de oferecer acessibilidade a todos, mas é possível encontrar aquelas que levam a educação inclusiva a sério

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postado em 27/10/2015 13:11 / atualizado em 27/10/2015 13:13


O professor Gustavo desenvolveu um projeto para integrar alunos como Natan, que tem paralisia cerebral, nas aulas de educação física (André Violatti/Esp. CB/D A Press)
 

 

O professor Gustavo desenvolveu um projeto para integrar alunos como Natan, que tem paralisia cerebral, nas aulas de educação física



Para quem tem algum tipo de deficiência física, a luta pela inclusão começa na escola. E a melhor alternativa de desenvolvimento para crianças com síndrome de Down, autismo, paralisia, entre outras condições que fogem ao padrão de uma sala de aula, é a integração com estudantes na mesma faixa etária. Poucas escolas oferecem as condições ideais para recebê-los. O importante é procurar uma que se proponha a fazer as mudanças necessárias para acolher o estudante com deficiência e estabelecer uma relação de parceria com a instituição.

O professor Eugênio Cunha, psicopedagogo e especialista em crianças com dificuldade de aprendizagem e autismo, alerta que, independentemente da deficiência, os pais devem verificar se existe naquela escola um projeto de educação inclusiva e se há a preocupação com a acessibilidade na estrutura física, assim como profissionais qualificados.

Outro papel importante da escola é orientar as famílias de estudantes que não têm deficiência, para perceberem e aceitaram a diferença. “As crianças, principalmente as mais novas, não fazem discriminação. Elas aceitam e acolhem. Quando você vê uma que não tem esse comportamento, normalmente é uma questão familiar”, diz.

Trabalho em conjunto

Depois de decidirem em que instituição matricular o filho, os pais devem levar o laudo desenvolvido pelo especialista que acompanha a criança, para que a escola ofereça os recursos necessários para atendê-la. Esse documento, no entanto, não deve ser o único instrumento para desenvolver o projeto pedagógico que norteará o trabalho em sala de aula. “Uma boa escola tem sempre um psicopedagogo, alguém que possa fazer uma avaliação e traçar um plano de ensino para esse aluno, independentemente do laudo”, diz Cunha.

Ele salienta ainda a importância de um trabalho multiprofissional, entre fonoaudiólogos, terapeutas e todos os outros especialistas envolvidos no tratamento do estudante com deficiência. Os profissionais podem sugerir atividades aos professores; os docentes podem contar com o apoio dos pais para dar continuidade às atividades em casa; e os pais devem pedir relatórios sobre o desenvolvimento do filho em sala de aula.

A psicopedagoga Sílvia Ester Orrú alerta que muitas escolas se dizem inclusivas para descumprirem a legislação (leia O que diz a lei), mas é preciso avaliar se essa realmente é uma proposta levada a sério pela instituição. “A escola inclusiva é uma escola que não separa nem classifica as pessoas por deficiências ou por deficits. Compreende que elas aprendem de jeitos diferentes e no próprio ritmo”, detalha. E os benefícios de uma escola inclusiva não se restringem apenas aos alunos com deficiência. “A criança aprende princípios de solidariedade, de colaboração, e compreende que as pessoas têm ritmos diferentes. Os benefícios da inclusão são para todos nós.”

Sílvia indica, ainda, cuidado no uso de medicamentos, principalmente no caso da hiperatividade. “Os professores veem que a criança é hiperativa e indicam que os pais levem ao médico, aí, os psiquiatras receitam remédios e a criança passa a ficar sem atividade”, afirma. “É necessário desconstruir esse diagnóstico. As crianças estão ficando com dificuldade de aprendizagem por causa da quantidade de remédios.”

Integração

Natan Carapeba, 11 anos, está no 5º ano do ensino fundamental e tem paralisia cerebral, que  limita parte dos movimentos e o desenvolvimento intelectual. Por meio de um projeto que usa plataformas com rodinhas móveis, o professor Gustavo Chagas conseguiu integrá-lo aos demais alunos nas aulas de educação física do Maristinha. “Começamos a usar (o carrinho) com o objetivo de colocar os meninos numa situação de equivalência e proporcionar a eles uma variedade maior de movimentos”, explica Gustavo. Desde então, a escola comprou outros equipamentos que ajudam na inclusão dos estudantes nos esportes.

Na hora de escolher a escola, a mãe de Natan, Naiana  Carapeba, 39 anos, conta que procurou uma instituição que se propusesse a estabelecer uma parceria e tomar as medidas necessárias para as necessidades do filho. “Eu acredito que o mais importante é que as famílias verifiquem se a escola tem essa predisposição, até porque cada tipo de deficiência exige um tipo de atendimento”, sugere.


"A escola inclusiva é uma escola que não separa nem classifica as pessoas por deficiências ou por deficits. Compreende que elas aprendem de jeitos diferentes e no próprio ritmo”

Sílvia Ester Orrú, especialista em educação inclusiva



O que diz a lei

A inclusão no papel


A Lei de Inclusão e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) garantem ao aluno com deficiência o direito de estudar em qualquer instituição pública ou privada. As escolas não podem negar a matrícula nem cobrar valores extras em razão dos acompanhamentos ou recursos pedagógicos diversos que esse aluno pode demandar. “O Brasil é um país que tem leis muito interessantes a respeito da inclusão, mas acho que é preciso uma ação mais protagonista do Estado para capacitação”, avalia Eugênio Cunha.
 
Exemplo na rede pública


Na rede pública, o trabalho de inclusão ocorre nas diferentes etapas. Existem os Centros de Educação Especial (CEEs), que contam com o Programa de Educação Precoce e também com classes especiais para estudantes com autismo ou com algum tipo de deficiência física ou intelectual mais severa.

Nas escolas de ensino regular, há as classes especiais para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em que cada professora atende a dois alunos; turmas de integração inversa com, no máximo, 17 alunos, sendo dois ou três deles com algum tipo de necessidade educacional especial; e turmas inclusivas sem redução de estudantes.

No Jardim de Infância da 303 Sul, todas as turmas regulares têm crianças com algum tipo de deficiência ou TEA, além de seis classes especiais voltadas a esses últimos estudantes — cada uma com duas crianças. A escola oferece ainda o Programa de Educação Precoce, para crianças de até 3 anos que apresentem atraso no desenvolvimento, prematuridade, altas habilidades, entre outros.

“A educação inclusiva tem como objetivo ensinar todos os seus estudantes sem distinção, o que passa pela formação do professor e pelas estratégias que promovemos no processo de ensino e aprendizagem, que visam o desenvolvimento global”, explica o coordenador pedagógico da escola, Agilson Carlos. A meta final, caso o trabalho seja efetivo, é que o estudante chegue ao ponto de não precisar mais de nenhum tipo de adaptação.
 

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