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Conheça os desafios e as potencialidades de um ensino de idiomas eficiente para a formação dos estudantes

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postado em 27/10/2015 13:14 / atualizado em 27/10/2015 13:17


Sílvia Santana com a filha Manoela: fluência no inglês e contato com outras culturas abrem horizontes (André Violatti/Esp. CB/D. A Press)
 

 

Sílvia Santana com a filha Manoela: fluência no inglês e contato com outras culturas abrem horizontes



No mundo globalizado, conhecer línguas e culturas diferentes é essencial para se garantir um bom desempenho não só durante a trajetória escolar na educação básica como também, e principalmente, depois da chegada ao ensino técnico ou superior e ao mercado de trabalho. As instituições de ensino do Distrito Federal oferecem opções tanto de aprendizado bilíngue quanto de ensino de línguas sistematizado.

A relação com a segunda língua tem que ser prática, não pode ser artificial — é o que defende a psicopedagoga e neurolinguista Eloísa Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ. A professora afirma que a dificuldade ou a facilidade de aprendizagem de um segundo idioma depende do método em que ele é apreendido e também da idade de inserção. Segundo ela, toda criança tem um período crítico para a linguagem.

Até os oito anos, aproximadamente, existe uma abertura linguística no cérebro, onde é possível aprender quantas línguas se quiser, precisando apenas estar exposto ao idioma de maneira cotidiana. Após esse período, a língua materna fica armazenada em um lugar do cérebro e as demais, do outro lado. “Isso não denigre a competência de se aprender depois, mas é muito mais dispendioso, pois você traduz o tempo todo, mesmo sem sentir”, pondera.

A pesquisa que levou a professora a essas conclusões analisou a reação de bebês que eram expostos a estímulos em várias línguas diferentes. “Percebemos que a relação da criança com a língua não está ligada ao idioma, diretamente, mas ao interesse no contexto. Para ela, tanto faz qual é o idioma que está sendo falado”, conta.

Imersão

A Escola das Nações de Brasília é um exemplo de instituição que trabalha com seus alunos dentro do conceito de bilinguismo (leia Para saber mais). A imersão no idioma começa no maternal 2, quando as aulas são ministradas por professoras bilíngues, que falam parte do tempo em inglês e outra parte em português.

Além do período curricular, que vai de 8h às 15h, os estudantes têm acesso a atividades no contraturno, como francês, dança, balé e banda. “O diferencial da escola é que os alunos são alfabetizados nas duas línguas, saem fluentes na leitura e na escrita das duas. Do ensino médio, eles saem fluentes em três línguas: inglês, português e espanhol”, diz Daiana Cardoso Rangel, vice-diretora do colégio.

Sílvia Santana, 41 anos, é mãe de três alunos da escola: Manoela, 5, Caio, 7, e Maria Luiza, 10. Para ela, além da fluência no inglês, a vantagem da educação em uma escola internacional é a convivência com diversas culturas e povos. “Numa escola do porte da Escola das Nações, existe uma facilidade de você abrir os seus horizontes, o mundo te aguarda. Pode ser o Brasil, em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, mas você pode ir também para a Europa ou Estados Unidos”, comenta.
 
complementar

A Casa Tomas Jefferson oferece um serviço de ensino de línguas dentro de colégios do Distrito Federal desde 2000, que visa diminuir as deficiências dessa matéria no currículo de escolas não bilíngues. Os cursos variam de acordo com a parceria realizada com a escola e podem ser oferecidos em algumas modalidades, como: fora do currículo, no contraturno; dentro da própria grade da escola, quando os alunos são divididos em níveis; e uma imersão bilíngue que não interfere no currículo. Se o aluno tiver concluído todo o ciclo escolar com a Thomas, ele termina a educação básica com a certificação de conclusão de curso da escola de línguas.

“As escolas têm dificuldades em oferecer o ensino de inglês que os pais e alunos desejam, por uma série de questões, que incluem a impossibilidade de dividir os alunos em turmas menores e por níveis de proficiência e, em consequência disso, a dificuldade de oferecer um inglês mais comunicativo”,  acredita a gerente da Thomas, Isabela Villas Boas.

A professora Eloísa completa que as deficiências no ensino dessa disciplina nas escolas brasileiras se devem à sua desvalorização: “O ensino de línguas não é considerado importante. Não é à toa que o Brasil é unilíngue. As línguas indígenas e os próprios regionalismos do português, que chegam quase a serem outros idiomas, não são explorados por nossas escolas”.
 
Previsto em lei


A Lei de Diretrizes e Bases  da Educação (LDB) determina o ensino obrigatório de ao menos uma língua estrangeira no ensino fundamental 2 e no ensino médio, mas, no caso da rede pública, a definição de qual língua será ensinada fica a cargo da comunidade escolar ou da secretaria local de ensino, que definem ainda o número de aulas por semana, a duração, a grade curricular e as habilidades a serem trabalhadas.

O Centro-Oeste está entre as melhores regiões na oferta do ensino do segundo idioma na rede pública, de acordo com estudo do British Council, com a maior porcentagem de professores com formação específica em língua estrangeira. Além disso, a região apresenta os melhores índices de recursos didáticos disponíveis em sala de aula.

As escolas de ensino fundamental 2 do DF fazem a opção de oferta de uma segunda língua, sendo normalmente oferecido o inglês. Já no ensino médio, os alunos têm também língua espanhola.

Estudantes da rede pública tem à disposição, ainda, 11 unidades do Centro Interescolar de Línguas (CIL). A partir do 6º ano do ensino fundamental, os interessados podem se candidatar para concorrer a uma das vagas de inglês, francês, espanhol ou alemão no contraturno. A SEDF recebe inscrições para novas matrículas semestralmente. Os CILs estão localizados no Plano Piloto (duas unidades), Gama, Taguatinga, Brazlândia, Sobradinho, Ceilândia e Guará. Os de Planaltina, Recanto das Emas e Santa Maria funcionam, por enquanto, apenas à noite.

Para saber mais


Entenda as diferenças entre as duas maneiras de se aprender idiomas:

Ensino de línguas
Ensino de línguas é a apreensão de conhecimentos ortográficos e fonéticos de uma língua diferente da materna. Uma vez fluente, a pessoa tem a capacidade de se comunicar bem no segundo idioma, porém, sua estrutura de pensamento parte da primeira língua.

Bilinguismo
O bilinguismo é a internalização da língua do ponto de vista nativo, ou seja, nessa modalidade a criança é oralizada em mais de um idioma ao mesmo tempo. Isso possibilita não só a fluência sem sotaques, mas também o pensamento sem necessidade de tradução. O bilinguismo também ocorre na alfabetização, período em que a criança passa pelo processo de aprendizagem de duas línguas escritas ou mais.

Idade de início
Para ocorrer o bilinguismo, a introdução da criança ao segundo idioma deve ser durante a primeira infância, até aproximadamente os oito anos de idade, de forma constante e natural — e não sistematizada em situações simuladas e específicas, como ocorre no ensino de línguas. Nas escolas tradicionais, as aulas de idiomas costumam começar após os 11 anos de idade, quando passam a ser obrigatórias. Cursos de inglês, no entanto, oferecem turmas para crianças menores.

Fonte: Eloísa Lima
 

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