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A escola que cabe no orçamento

Em tempos de crise, saiba como gerenciar as contas para fazer caberem no bolso as mensalidades e evitar a inadimplência

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postado em 27/10/2015 13:28 / atualizado em 27/10/2015 13:30


Moisés e Giselda precisaram reduzir o número de atividades extracurriculares da filha Mariana para conseguir pagar a mensalidade
 

 

Moisés e Giselda precisaram reduzir o número de atividades extracurriculares da filha Mariana para conseguir pagar a mensalidade



A cada ano, as mensalidades escolares são ajustadas para acompanhar a perda inflacionária, porém o salário dos pais nem sempre segue o mesmo crescimento, o que pode acarretar atrasos no pagamento e dívidas. Segundo pesquisa feita pela Comunidade Internacional de Cooperação na Educação — Mind Group, uma das maiores preocupações dos gestores de escolas particulares no Brasil é a inadimplência.  Mais da metade dos entrevistados considera esse um fator de grande preocupação.

Claudio Franco, um dos responsáveis pelo estudo, explica que problemas com o orçamento doméstico podem ter origem em falta de planejamento, desemprego, endividamento, fiança para terceiros, problemas de saúde e até a falta de prioridade dada à educação dos filhos. “Para evitar a inadimplência, a palavra-chave é planejar com cautela o orçamento doméstico e manter sempre uma reserva financeira para gastos não planejados ou eventual redução da renda familiar”, aconselha Claudio. O especialista recomenda, ainda, que os pais mantenham o cronograma dos pagamentos em dia e programem um lembrete mensal do compromisso.

Para Diogo Dias Gonçalves, palestrante e consultor de finanças pessoais, é importante sempre gastar menos do que se ganha. Dessa maneira, nas ocasiões em que a mensalidade sobe mais que os salários, a família tem condições de pagar e continuar com o mesmo padrão de vida. “Tudo depende de um bom planejamento financeiro. Planejar é projetar o futuro, projetar todos os aumentos que podem acontecer no próximo ano”, defende Diogo.

Ele explica que o uso de planilhas e outras ferramentas que possibilitem enxergar o quanto se ganha e o quanto se gasta facilita quando o caso é mesmo diminuir as despesas. E por onde começar a cortar? O especialista indica: sempre pelos gastos supérfluos, ainda que sejam de outra ordem. “Às vezes, uma natação ou um inglês é uma atividade extra do filho, mas que é de extrema importância no desenvolvimento da criança. Então quem sabe, em vez disso, você não reduz os canais da tevê por assinatura ou a conta do celular?”, sugere.

Refazer as contas

Diogo considera, no entanto, que, se a família já estiver vivendo sem gastos desnecessários, é melhor reduzir as atividades a mais do que preterir o pagamento da escola. Esse foi o caso da empresária Giselda Farias, 38 anos, e do marido, Moisés Farias, 45, pais de Mariana, 15. Ela estuda em um colégio particular e fazia, no contraturno, atividades extracurriculares. “Este ano, ela não teve inglês e tirei também da aula de bateria, porque tive de optar pela escola e o pré-vestibular”, conta Giselda.

Ela afirma que o impacto financeiro das mensalidades vem afetando todo o orçamento da família, que, no último ano, não viajou de férias. “O valor afeta as viagens, o lazer da família, várias coisas que estamos cortando para dar prioridade à educação”, diz. Mesmo assim, Giselda estuda trocar Mariana de escola no próximo ano. “Ela vai fazer a prova de bolsas e, se conseguir desconto, vamos continuar, se não, vamos ter que tirá-la”, lamenta.

O especialista Diogo Gonçalves lembra que não existe recomendação de gasto máximo com educação, porém, não é ideal que os pais se endividem para pagar uma escola cara. “Minha recomendação é investir tudo que o você puder em educação. Agora, se você não está conseguindo pagar e não tem mais de onde cortar, o ideal é que mude o filho para uma escola mais barata.”
 
Dicas práticas


Claudio Franco sugere que os pais busquem obter descontos no pagamento e afirma que muitas instituições já praticam abatimentos progressivos para famílias com mais de um aluno matriculado e para aqueles que indicam novos estudantes. “As famílias também podem se unir e formar uma espécie de grupo econômico, que concentra as matrículas numa determinada escola e recebe em troca o benefício compartilhado de desconto para todos os membros”, diz.

Já Diogo Gonçalves ressalta a importância de se avaliar o custo-benefício do pagamento adiantado das mensalidades. Segundo ele, é um bom negócio fazer o adiantamento apenas quando o desconto oferecido é maior que o rendimento do dinheiro aplicado. “Fazendo uma conta rápida, um desconto de 10% vale a pena e um de 5%, não. Se o desconto for de 5%, por exemplo, vale mais a pena aplicar esse dinheiro e, mensalmente, ir resgatando para pagar as mensalidades”, explica.

Quando o caso é a quitação de dívidas, a negociação vai variar de escola para escola. Algumas instituições facilitam o pagamento de parcelas atrasadas, enquanto outras terceirizam a cobrança e chegam a protestar o nome do devedor. Nessa hora, é importante lembrar que as leis que estabelecem as diretrizes da inadimplência escolar preveem uma série de proteções às famílias para evitar a descontinuidade dos estudos no meio do ano e prevenir os alunos inadimplentes de qualquer constrangimento (veja o quadro).
 

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