Enem 2017
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Maratona de estudos

Alunos se preparam para a reta final do exame

Frequentar biblioteca, cursinho ou plantão do colégio é a rotina de milhões de estudantes que estão se preparando para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que, este ano, serão aplicadas, pela primeira vez, em dois domingos consecutivos (5 e 12 de novembro)

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postado em 01/09/2017 22:36 / atualizado em 01/09/2017 22:35

Ana Rayssa/Esp.CB/D.A. Press

 

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está aí e não é preciso avisar alunos de escolas e cursinhos de Brasília. Todos sabem que 5 e 12 de novembro — dias de aplicação das provas em todo o país — não estão longe.  A pressão para a melhor performance no exame, bem como a ânsia pelo futuro em uma instituição de ensino superior, estão no rosto de cada candidato. “É muito difícil ter que decidir o resto da sua vida em apenas uma avaliação. Uma questão, uma ‘bolinha’ que você preenche pode fazer toda a diferença”, afirma Francisco Franco, 18 anos, estudante do 3º ano do Centro de Ensino Médio Setor Leste (CEM).


“Tem sido um sufoco! Sinto com meus colegas grande pressão psicológica, afinal esse é o exame que pode definir nosso futuro”, concorda  a colega Karina Porto, 17. Para combater a ansiedade, só mesmo muita concentração e estudos. Francisco, destaque no colégio pelas notas e pelas atividades extracurriculares no grêmio estudantil, é apaixonado por cinema e gostaria de seguir carreira na área.

“Além do volume grande de conteúdo a ser estudado, ainda temos que lidar com questões externas, como greves ou cortes no orçamento. Mas, de algum modo, isso só me faz querer trabalhar mais para mudar essa realidade”, diz. Ele passa as manhãs em sala de aula e, no período da tarde, concilia atividades extracurriculares, como teatro, música e capoeira, com longas idas à Biblioteca Nacional. É lá que o adolescente busca silêncio para os estudos e refúgio das distrações tecnológicas típicas da geração. No teatro e na luta, encontra exercícios lúdicos que auxiliam na compreensão dos conteúdos. “Uma aula de capoeira ajuda muito a entender a história e a herança negra do país, por exemplo. Já no teatro e na música, encontramos obras que nos ligam diretamente ao que lemos em sala de aula.”

Antonio Cunha/CB/D.A. Press

 

A aflição de Karina é o próprio volume de conteúdos exigidos no Enem. Em 2017, o exame apresentará 180 questões no total, divididas em quatro grandes áreas, além da temida redação dissertativa-argumentativa.  A estudante, que cogita ingressar em engenharia aeronáutica, concilia as aulas com cursos de música, inglês e francês. “Procuro  o conteúdo que falta para a prova e, na hora de estudar em casa, permaneço de duas a três horas debruçada sobre os livros”, relata.  As questões que ela mais teme são sobre português e interpretação de texto. “Tudo tem base na língua portuguesa e sinto que, em alguns casos, tenho dificuldade em interpretar perfeitamente cada item, o que termina me deixando muito nervosa”, diz.

Auxílio de cursinhos
Aluna do Centro de Ensino Médio Setor Oeste, Ivine Bueno, 17,  sai de casa diariamente às 6h30 da manhã e, entre idas e vindas que incluem manhãs inteiras na escola e quatro horas e meia no cursinho, retorna para casa somente às 20h. Tudo para alcançar a tão sonhada vaga em uma universidade em engenharia civil, matemática ou administração. “Parecem cursos muito diferentes uns dos outros, eu sei, mas é que cada um me atrai por um motivo”, diz, aos risos.

Felipe Correia, 17, é colega de Ivine no CEM Setor Oeste e é mais um que equilibra a rotina entre colégio e pré-vestibular. “Fico na escola pela parte da manhã, vou ao cursinho no período da tarde e, pela noite, ainda tiro algum tempinho para revisar o que apreendi”, enumera. O CEM Setor Oeste estima que, entre os 320 alunos que cursam o último ano do ensino médio na instituição, mais de 50% lançam mão de estudos em aulas preparatórias.  Ana Maria Gusmão, diretora do colégio, vê com bons olhos e até mesmo estimula essa parceria. “Vários cursinhos vêm até nossa escola oferecer bolsas e sempre encaminhamos isso aos estudantes conforme podemos, como uma boa oportunidade de complemento dos estudos”,  afirma.

Hora da revisão
Maíra Pereira, Ricardo Augusto Valle e Enrico Maraci são colegas de sala no Colégio Sigma e têm em comum, além do gosto pelos estudos e das notas que se destacam entre a turma, a apreensão de chegar à reta final de preparação para o Enem. Do alto de seus 17 anos, os três jovens vêm direcionando a rotina de conteúdos para exercícios de revisão, a fim de não perder de vista o que aprenderam ao longo de todo o ensino médio. Tudo é passível de cair no exame e eles não querem ser pegos desprevenidos. “Como o Enem cobra o conteúdo de três anos, é muita coisa para relembrar”, preocupa-se Maíra.  A adolescente, que está se decidindo entre engenharia civil ou elétrica, passa de três a quatro horas estudando diariamente.

Embora goste de buscar o plantão do colégio para sanar dúvidas à tarde, Maíra prefere mesmo ficar em casa, onde planeja o que estudar a cada dia e segue o calendário de revisão do que vem caindo nos simulados do colégio. Ricardo Valle, que almeja cursar engenharia ou ciência da computação, costuma frequentar os plantões de duas a três vezes por semana, a fim de revisar o que foi passado e se informar ainda sobre o que não conseguiu absorver completamente. Nas cinco horas diárias que passa  com a cara nos livros, costuma administrar o tempo de modo gradual. Primeiramente, mergulha nos exercícios por 30 minutos e descansa por cinco. “Em seguida, passo para 40 minutos de estudo e assim vou, progressivamente”, explica. “Sinto que é um método eficaz para quem, como eu, tem alguma dificuldade de concentração”, complementa.

Nas horas vagas, Ricardo libera as energias em treinos na academia e, no fim do dia, assiste a algum episódio de uma das séries favoritas dele. Já Enrico Maraci, que cobiça uma vaga no curso de mecatrônica da Universidade de Brasília (UnB), prefere permanecer na escola depois das aulas quase diariamente. “Levo para o professor plantonista questões de outras edições de Enem e vestibulares porque quero ir mais além”, afirma. Para ele, a maior importância do exame organizado pelo Ministério da Educação (MEC) se dá pelo caráter universalizante. “Com uma boa média, posso ter acesso a várias universidades pelo país”, destaca.

AvaliaçÃo em números

6.731.186
candidatos inscritos no país

125.247
candidatos devem fazer a prova no DF

1.724
municípios vão aplicar as provas

180
perguntas e uma redação compõem o exame

5 horas e meia
de prova no primeiro dia

4 horas e meia
de prova no segundo dia

59,3%
dos candidatos concluíram o ensino médio

31,9%
dos candidatos vão concluir o ensino médio em 2017

7,8%

participam apenas como treineiros

58,6%

são mulheres

41,4%

são homens

52.270

solicitações de atendimento especializado (candidatos com deficiência física)

8.716

solicitações de atendimento específico (idosos, grávidas e lactantes)

46,5%
dos inscritos se autodeclararam pardos; 35,9% brancos, 2,8%, pretos e  0,6% indígenas

1.486.449
dos participantes tiveram inscrições gratuitas