Enem 2017
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Mudanças na aplicação das provas são bem-recebidas

Enem passará a ser realizado em dois fins de semana consecutivos, 5 e 12 de novembro, atendendo reivindicação dos candidatos sabatistas. Surdos ganham videoprova

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postado em 11/09/2017 07:00 / atualizado em 11/09/2017 10:36

 

 

A edição de 2017 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será marcada por mudanças de formato. A prova passa a ser aplicada em dois domingos consecutivos, 5 e 12 de novembro, o que traz vantagens para alguns e inseguranças para outros. Enquanto fica para trás o cansaço acumulado por um fim de semana inteiro de avaliações, a ansiedade de  sete dias entre as duas etapas também pode acarretar problemas.

 

O novo formato põe fim à necessidade de horários diferenciados para judeus e adventistas. Também estão previstas novas ações de acessibilidade, como aplicação do exame de vídeo em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e atendimento especial para 16 condições diferentes. Em 2017, o exame deixa de certificar os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), função que fica a cargo do Exame Nacional de Certificação de Jovens e Adultos (Encceja).

 

Até 2016, alunos sabatistas entravam em sala de aula às 12h de sábado e tinham que ficar confinados até as 19h, sem qualquer comunicação e impedidos de acessar materiais de consulta. Candidatos adeptos do judaísmo e adventistas se encaixam nessa condição e, por causa das crenças religiosas, terminavam o Enem depois das 22h. Fazer a prova em dois fins de semana foi uma novidade comemorada pelos alunos.

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

A estudante do Centro Educacional Sigma Vitória da Cruz Uchoa, 17 anos, fará o Enem como treineira. Por ser da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ela não poderia prestar o exame no horário praticado no ano passado. “Devia ser muito cansativo antes. Fiquei aliviada de não precisar passar por isso”,  revela.

Para o judeu Arthur Hossman, 18, a modificação no cronograma evitará contratempos para os alunos sabatistas. Devido à religião, o jovem evita várias tarefas aos sábados. “Não podemos andar de carro até o entardecer de sábado, portanto teríamos que andar quilômetros até o local de prova”, explica. “Também não nos é permitido carregar peso nesses dias. Nesse caso, até a caneta, teoricamente, precisaria ser levada por outra pessoa.  Além de tudo isso, escutei relatos de conhecidos que diziam ser terrível o confinamento.  Será melhor a avaliação apenas em domingos”, afirma ele. O rabino Leib Rojtenberg, da Comunidade Judaica de Brasília, vê a medida com bons olhos. “Como existem atividades que são vedadas na nossa religião, a possibilidade de prestar o Enem em dois domingos é uma forma de incluir nossos candidatos”, afirma.

Uso da tecnologia para candidatos com deficiência auditiva

Minervino Junior/CB/D.A. Press

 

 

Além de receberem os cadernos de questões da prova tradicional, os candidatos com deficiência auditiva poderão contar com a leitura dos textos e dos enunciados em um vídeo previamente gravado. Até o ano passado, era possível solicitar apenas a ajuda de um intérprete ledor, o que também continua disponível, dependendo da preferência do estudante.

Ana Carolina Gonçalves Siqueira, 22, é aluna do 3º ano no Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb), na Asa Sul.  Apesar de apresentar  deficiência auditiva de grau leve e oralizada, ela se comunica principalmente em Libras, por isso, se inscreveu para a videoprova.  Ana tem dúvidas sobre o formato. “Eu ainda não sei como vai ser”. Kalvin Alves de Souza, 23, também do último ano do Cemeb, acrescenta que o tempo para leitura e comparação do caderno de provas com o material em vídeo precisará ser mais longo para os alunos surdos.  Ao assistir ao vídeo de amostra disponibilizado pelo Inep, ele aprovou a forma como as questões foram apresentadas. “Facilita bastante, porque perdíamos muito tempo com a compreensão das questões.”

O Inep esclareceu que a videoprova do Enem será aplicada para, no máximo, seis alunos por sala e dois intérpretes.  Além disso, o recurso será utilizado este ano em caráter experimental e o mecanismo ainda está em desenvolvimento. Também será oferecido atendimento especializado para candidatos com autismo, baixa visão, cegueira, deficiência auditiva, física ou intelectual, déficit de atenção, discalculia, dislexia, surdez e visão monocular.

Coordenadora da área de educação inclusiva e professora da Universidade de Brasília (UnB),  Amaralinda Miranda de Souza entende como antiga a demanda por esse acompanhamento. A especialista afirma que o processo de inclusão ainda é longo e também passa por provas com adaptações.  “Pela primeira vez serão oferecidas condições para que as pessoas com deficiência ingressem na universidade. Também é preciso que esse processo se intensifique nas empresas que vão recebê-las assim que estiverem prontas para o mercado de trabalho.”

A conversa com os estudantes do Cemeb foi traduzida pela professora Soraya Britto.

Menos desgaste

Esta será a primeira vez que a secundarista Isabela Sousa Ramos, 18, do Centro Educacional Sigma, participará do exame com a pressão de ser aprovada.  Aluna do terceiro ano, ela gostou do novo formato. “Fiz os exames para praticar nos dois últimos anos e, desta vez, caiu a ficha de que é para valer. Era muito mais cansativo passar dois dias consecutivos fazendo provas”, garante.

Com nota acima de 700 em 2016, Pedro Melo, 17, acredita em um exame mais justo, mas pondera sobre a possibilidade dos dois fins de semana de Enem afetarem o desempenho de parte dos alunos. “Quem faz uma avaliação como essa não precisa ter a parte física testada, como era o caso nas edições passadas. Os mais ansiosos podem sentir pressão com esse prazo maior, mas não me vejo nessa situação”, afirma ele.

O nervosismo pode ser um fator desestabilizador dos candidatos. A avaliação do coordenador da Secretaria de Cursos do Sigma, Marcelo Afonso, é de que existirão vantagens na semana de descanso. Entretanto, ele lembra que os alunos precisam ter equilíbrio. “Do ponto de vista físico, é muito melhor que seja em dois fins de semana. Mas é bem possível que o aluno fique ansioso para a segunda parte, é preciso ter atenção para não se deixar contagiar. A semana de intervalo é um momento de reflexão e não pode servir para prejudicar os candidatos”, ensina. Apesar de estimular o empenho e a preparação, a escola tenta acalmar os ânimos enquanto o Enem se aproxima.

Alunos do Centro de Ensino Médio (CEM 1) do Núcleo Bandeirante respondem: O que você achou do novo formato?

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

 

 

 

 

 

Ana Flávia Nascimento da Silva, 17
“Bem melhor. Fiz no ano passado e era muito cansativo. Com dois dias separados, vai ser possível caprichar mais na redação.”

 

 

 

 

 

 

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

 

 

 

 

 

Maksunay Vieira Soares, 17
“É ótimo. O formato anterior era exaustivo.  os alunos vão ter um desempenho bem melhor.”

 

 

 

 



Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

 

 

 

 

 

Maria Eduarda Andrade Batista, 18
“Bom e ruim. O aluno vai ter uma semana para revisar a matéria, mas pode acabar ficando nervoso com o prazo maior entre as duas etapas.”

 

 

 

 



Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

 

 

 

 

 

Camila Rodrigues Carvalho, 18
“Vai ser melhor para termos tempo para estudar e descansar. Quem fazia a prova no domingo chegava exausto do dia anterior.”

 

 

 

 

 

 

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

 

 

 

 


Guilherme Feydit, 18
“É melhor porque não vai ser tão cansativo como em anos anteriores. O candidato poderá ler as questões com calma e se sair melhor no segundo dia.”