Enem 2017
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linguagens, códigos e suas tecnologias

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postado em 11/09/2017 07:00 / atualizado em 11/09/2017 10:39

Questão 1
Texto I


As quatro gares da vida

 

infância
O camisolão
O jarro
O passarinho


O oceano
A visita na casa que a gente sentava no sofá
adolescência
Aquele amor
nem me fale

maturidade
O Sr. e a Sra. Amadeu
Participam a V. Exa.
O feliz nascimento
De sua filha
Gilberta

velhice
O menino jogou os óculos
Na latrina

Andrade, O. Fonte: www.vilavilaoviolaviola.blogspot.com.br.

O vocábulo gare, originalmente francês, significa “estação de trem”. No poema acima, Oswald de Andrade o emprega como equivalente de “fases”. Percebe-se, portanto, que o conjunto do texto, ademais de sua natureza poética, tem caráter

(A) descritivo, pois conceitua cada uma das idades do homem.
(B) narrativo, porque se encontra implícita a passagem do tempo.
(C) injuntivo, já que cada estrofe alerta o leitor sobre a brevidade da vida.
(D) argumentativo, visto que discute as benesses e os males da existência.
(E) didático, uma vez que expõe uma conduta a ser seguida pelo leitor.

QUESTÃO 2
Texto I

Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo
– mais nada.

Meireles, C. Fonte: www.casadobruxo.com.br/.  

Texto II
Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
— Meu tempo é quando.

Moraes, V. Fonte: www.viniciusdemoraes.com.br.

Os dois textos apresentados tematizam a figura do poeta. De sua leitura, conclui-se que

(A) diferem na abordagem do tema, pois o texto I concentra-se em aspectos objetivos     da realidade, enquanto o texto II é apenas alusivo.
(B) apresentam uma clara complementaridade, pois o texto II esclarece a natureza das     relações entre a poesia e o real, somente esboçadas no texto I.
(C) guardam relação de identidade, uma vez que ambos os textos versam sobre o     deslocamento do poeta e sua relação peculiar com o tempo.
(D) fazem opções formais bastante distintas, dado que o primeiro adota forma livre, e     o segundo apresenta estrutura tradicional.
(E) ressaltam a importância da poesia e do poeta, associando-os a uma função     primordial e perene da arte na sociedade.

QUESTÃO 3


A dança da vida, Edvard Munch, 1900.

O pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944) possui um estilo pessoal e marcante, quase sempre associado ao expressionismo, embora, historicamente, seja anterior a esse movimento. Na pintura acima, o caráter expressionista da composição decorre da

(A) disposição das figuras em movimento circular, o que intensifica a atmosfera de angústia da cena.
(B) ambientação escolhida, uma vez que a cena se passa num local pleno de signos de opressão.
(C) gesticulação frenética das personagens femininas, o que denota o seu desespero.
(D) aparência fantasmagórica das personagens e da presença de uma figura inidentificável ao fundo.
(E) sobreposição do primeiro e do segundo plano da cena, que potencializa o aspecto opressivo do ambiente.


QUESTÃO 4

Texto I
Twitter e Google se juntam para criar ferramenta de ler notícias

Twitter e Google estão trabalhando em uma ferramenta para oferecer aos seus usuários notícias de forma rápida em suas páginas nos smartphones. A informação foi divulgada, nesta sexta-feira (11), pelo site Re/code, citando uma fonte que conhece a situação.


A iniciativa das empresas seria uma resposta ao Facebook, que, em maio, lançou um serviço permitindo que nove veículos de comunicação – como o site Buzzfeed e o jornal The New York Times – publicassem conteúdo noticioso direto na rede social.
Fonte: www.correiodoestado.com.br.  


O anúncio de que duas grandes empresas estão trabalhando de forma conjunta em resposta a uma iniciativa do Facebook revela a

(A) importância da comunicação através dos computadores.
(B) iniciativa pioneira em relação à publicação de notícias na rede.
(C) relevância dos smartphones no contexto atual da comunicação.
(D) substituição da leitura pelos vídeos, nas notícias.
(E) confiabilidade do conteúdo noticioso veiculado pelas redes sociais.


QUESTÃO 5

Texto I
Mundo pequeno e bem frequentado

Nossa repórter conta como é uma noite de encontro da rede social super exclusiva que promove eventos para seus associados ao redor do mundo [...]
Sempre gostei de conhecer gente. Diferentemente de quem morre de vergonha de falar com quem nunca viu, adoro as possibilidades que podem surgir quando estou com um novo grupo. Essa característica acabou me ajudando quando decidi mudar do Rio para São Paulo. [...] Estar cercada de pessoas é fundamental para que eu esteja feliz. Sempre achei que não existe nada melhor do que o olho no olho, sabe?
Trabalho em home office. Então, não existe outra saída: preciso colocar a cara no sol e fazer novas amizades. Não tem essa de colega de trabalho pra ir almoçar, de chefe pra tomar um cafezinho, de festa da firma pra confraternizar. E esse negócio de ficar dependendo de Tinder pra conhecer gente nova não é pra mim.


Por isso nem pensei duas vezes quando a minha amiga Luíza [...] me convidou para um evento do “A Small World”.

Fonte: ROSA, M. Cosmopolitan. n.9, set. 2015 (adaptado).

O trecho transcrito pertence a uma reportagem publicada em uma revista feminina de circulação nacional. A leitura desse fragmento permite identificar que a estrutura do texto se aproxima de um(a)
(A) conto, por se     aprofundar na descrição psicológica da personagem.
(B) resenha, por descrever criticamente uma obra ou um evento.
(C) relato, por apresentar vivências pessoais da repórter.
(D) fábula, por trazer, ainda que implícita, uma moral.
(E) crônica argumentativa, por analisar um fato da atualidade.


QUESTÃO 6
Texto I

Raissa, 13 anos, conta que colegas de classe criaram uma comunidade no Orkut (rede social criada para compartilhar gostos e experiências com outras pessoas) em que comparam fotos suas com as de mulheres feias. Tudo por causa de seu corte de cabelo. “Eu me senti horrorosa e rezei para que meu cabelo crescesse depressa”.


Esse exemplo mostra como a tecnologia permite que a agressão se repita indefinidamente. A mensagem maldosa pode ser encaminhada por e-mail para várias pessoas ao mesmo tempo, e uma foto publicada na internet acaba sendo vista por dezenas ou centenas de pessoas, algumas das quais nem conhecem a vítima. “O grupo de agressores passa a ter muito mais poder com essa ampliação do público”, destaca Aramis Lopes, especialista em bullying e cyberbullying e presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ele chama a atenção para o fato de que há sempre três personagens fundamentais nesse tipo de violência: o agressor, a vítima e a plateia. Além disso, de acordo com Cléo Fante, especialista em violência escolar, muitos efeitos são semelhantes para quem ataca e é atacado: déficit de atenção, falta de concentração e desmotivação para os estudos. Esse tormento permanente que a internet provoca faz com que a criança ou o adolescente humilhados não se sintam mais seguros em lugar algum, em momento algum. Na comparação com o bullying tradicional, bastava sair da escola e estar com os amigos de verdade para se sentir seguro. Agora, com sua intimidade invadida, todos podem ver os xingamentos e não existe fim de semana ou férias.

Fonte: www.revistaescola.abril.com.br.

O artigo acima tematiza o impacto social das novas tecnologias no âmbito do cyberbullying, que é uma expressão da intolerância e da violência psicológica. Segundo o texto, esse tipo de ataque
(A) causa danos idênticos aos do bullying praticado na escola.
(B) torna-se mais intenso em função da reação     da vítima.
(C) traz consequências semelhantes a todos os envolvidos no processo.
(D) potencializa-se em razão das peculiaridades do ambiente em     que ocorre.
(E) decorre das influências do meio virtual sobre os jovens.


QUESTÃO 7
Texto I

Acordei com a Marcela me sacudindo. Tem um bicho arranhando a porta, falou. Não entendi no início. Levantei e fui até a sala. Som de unhas raspando a madeira. É o meu cachorro, resmunguei.
Tu tem um cachorro?
Tenho.
Virei a chave e abri a porta. O cachorro preto entrou, deu duas voltas ao meu redor, baixou um pouco a cabeça quando estiquei a mão pra esfregar sua orelha. Depois foi até a Marcela e começou a cheirar as pernas dela.
Ele morde?
Não que eu saiba.
Qual o nome dele?
Não sei.
Tu não deu um nome pro cachorro?

GALERA, Daniel. Até o dia em que o cão morreu. São Paulo: Companhia das Letras, 2003 (fragmento).

É comum que as primeiras páginas de um romance apresentem, implícita ou explicitamente, informações relevantes sobre a narrativa. No caso do excerto acima, que abre o segundo capítulo de Até o dia em que o cão morreu, de Daniel Galera, infere-se que

(A) a história acontece em Portugal, o que se deduz pelo emprego da segunda pessoa     do singular pelos personagens.
(B) a relação do casal é de pouca intimidade, o que se nota pelo uso formal da língua entre eles.
(C) o narrador apresenta os fatos de modo solene, já que as marcas de oralidade restringem-se ao diálogo.
(D) a narrativa se passa em alguma parte do Brasil onde a variedade regional inclui a     segunda pessoa do singular.
(E) os protagonistas trabalham na mesma área profissional, uma vez que utilizam o mesmo jargão.