Enem 2017
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Compreender o impacto social das ciências naturais é fundamental, garantem professores

Em live no Facebook do Especial Enem, docentes de química, física e biologia pontuam a atualidade

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postado em 18/09/2017 19:20 / atualizado em 18/09/2017 19:27

 

A live de Facebook do Especial Enem dessa semana foi repleta de convidados. Pela primeira vez, foram três os professores nos estúdios do Correio. Em pauta, as tendências do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em relação à prova de ciências da natureza e suas tecnologias. Participaram da mesa os docentes Juliana Gaspar, Cynthia Conte e Paulo Ferrari, de química, biologia e física, respectivamente.


Em 2017, essa área de conhecimento apresentará 45 questões, divididas igualmente entre as três disciplinas. “Se eu digo que é relativamente 'fácil', causa grande estranhamento entre as pessoas, mas é verdade”, garante Juliana Gaspar. Ela pondera que, em diversas ocasiões, vale mais a capacidade do candidato de realizar uma leitura competente da questão, bem como aplicar o aprendizado em sala em temas cotidianos.


Quando se trata de física, Paulo Ferrari compartilha a opinião da colega da química. “O que vai pesar é o uso do vocabulário da área e cuidado redobrado sobre o senso comum. Muito do que está escrito induz ao erro”, diz. “Às vezes, uma questão de energia, que tem índice alto de acerto, pode complicar a vida do candidato pela interpretação equivocada do texto”, exemplifica.


O que cai

Na interação com o público on-line, não faltaram, é claro, as dúvidas sobre o que cai ou não no exame. Cada professor discorreu sobre sua área dentro das ciências da natureza. Para Cynthia Conte, o mais comum no campo da biologia é a aproximação entre sociedade e meio ambiente. O candidato deve ter em mente as mudanças na natureza que a ação do homem causa. “O impacto antrópico em temas ecológicos é o carro-chefe, portanto. Além disso, cai também biotecnologia associada à genética (modificações genéticas e transgenia), um pouco de citologia e ainda fisiologia humana, esta em menor grau”, enumera.


Juliana Gaspar constata equivalência de divisão nas questões de química. “Tem muito de cálculo envolvido. É preciso revisar conceitos matemáticos. Não há meios de resolver uma pergunta de estequiometria sem ter desenvoltura, por exemplo, em regra de três. Da mesma forma, em equilíbrio químico, assuntos de PH envolvem muito logaritmo.” Ela listou ainda diversas outras temáticas passíveis de serem cobradas: estequiometria, química ambiental, funções inorgânicas, chuva ácida, efeito estufa, reciclagem e deslocamento de equilíbrio.


Na física, ao contrário, os itens não vêm carregados de matemática. “A prova não é clássica, voltada para o conteúdo, mas para habilidades”, pontua Paulo Ferrari. De todo modo, há de se ter em mente problemas cotidianos que possam ser resolvidos com cinemática e mecânica, de modo a “comprender um movimento, as causas e as consequências dele, especialmente quando relacionado a questões práticas como distribuição material em uma cidade.”


Dicas

“Coloque a física no seu dia a dia!”, sintetiza o professor Paulo Ferrari. Aproveite e coloque biologia e química também. Não por acaso, a primeira competência citada na matriz de referência do Enem é compreender as ciências naturais junto às construções humanas, de modo a perceber os papeis socioeconômicos que uma implica na outra.


“Parece coisa de maluco, mas, se estou pegando um ônibus sem muita coisa para fazer, olho um pássaro no céu e me pergunto: 'a que velocidade ele voa?'”, conta o professor, se divertindo. Tal postura ajuda a colocar os temas no dia a dia, como exigido no Enem. Uma dica mais metodológica, garante ele, é começar a ler as questões pelo comando — sentença normalmente imperativa que vem logo antes dos cinco itens. “O aluno deve lê-lo primeiro e, depois, ir para o início da questão. Assim, você já chega ao texto-base direcionando a leitura para o que importa de fato. Muitas vezes, parte daquelas informações não são essenciais. Quando você está cansado, levantar o que pode ser um termo-chave ajuda muito”, diz.


Na reta final, a dica de Cynthia Conte é se concentrar na revisão e responder as provas antigas. “É fundamental que se faça os exames de outros anos. Só assim o aluno vai conhecer a prova e dominar a técnica.” Além disso, estar a par do que é noticiado na mídia e está em pauta nas redes sociais. “No campo das parasitoses, pode cair algo relacionado com a latente questão do Zica Vírus. Está tudo muito associado ao que você assiste nos jornais.” A professora Juliana Gaspar reafirma a necessidade de atenção na leitura. “Não entendeu, leia mais uma vez, é claro, dentro dos limites do tempo disponível. A boa interpretação da questão é de 70% a 80% da resposta.”