Enem 2017
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A prova de ciências humanas do Enem

Professores Erik Surjan, Paulo Macedo e Edivaldo Monte dos Santos comentam os pontos fundamentais para se sair bem em geografia, história, sociologia e filosofia

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postado em 25/09/2017 13:00 / atualizado em 25/09/2017 13:10

Erik Surjan, Paulo Macedo e Edivaldo Monte dos Santos
Equipe de professores do Centro Educacional Sigma


A prova de ciências humanas abarca história, geografia, filosofia e sociologia.  A amplitude de conteúdos é significativa, porém não há verticalidade excessiva na cobrança. A capacidade de interpretação de textos verbais e não verbais — como gráficos, tabelas, imagens em geral — e de relacionar informações é determinante para um bom desempenho.


Apesar da importância de saber bem história visando à compreensão da sociedade, da política e da economia, que percorrem nosso cotidiano, quando nos referimos ao Enem, a necessidade não é tão gritante. Assim, a compreensão dos motivos e consequências de todos os conteúdos apresentados é muito mais relevante do que questões técnicas ou mesmo datas e personagens. No Brasil, os assuntos mais comuns são ditadura militar, república oligárquica e era Vargas. Sobre o período colonial, é usual cobrar temas relacionados ao modelo administrativo daquele período, bem como questões indígenas, o escravismo e a cultura negra na formação da identidade brasileira, o plantation do açúcar, a corrida do ouro e do diamante, além das revoltas que marcaram a crise do sistema colonial.  A história geral se alia a temas bastante interdisciplinares, como Grécia antiga, revoluções industriais e Segunda Guerra Mundial.

Para ter bom desempenho em geografia, o aluno deve acompanhar jornais e notícias da atualidade. Um aspecto importante é estar atento ao suporte da questão, normalmente um texto curto, um gráfico ou uma tabela. Por isso, é significativo desenvolver habilidade de leitura e interpretação desses elementos. Os assuntos mais recorrentes são estrutura fundiária, meio ambiente e paisagens, urbanização e população, geologia, geopolítica, industrialização e estruturas produtivas.

Sociologia e filosofia chegam a ocupar 30% da prova. Além disso, é comum dialogarem com eventos históricos e atualidades, configurando interdisciplinaridade. Como, a partir de 2009, a prova valorizou mais o domínio do conteúdo, é relevante ir além da leitura e de interpretação de textos e conhecer a obra, de forma panorâmica, de vários autores. Em filosofia, a primeira ação para um bom estudo dos pensadores e de suas ideias é saber o período histórico em que se inserem. Em seguida, deve-se conhecer suas principais ideias para, finalmente, estabelecer relações entre elas e a sociedade de seu tempo se, por exemplo, legitimam o “status quo” ou se o questionam. Os assuntos mais recorrentes são ética e filosofia política, teoria do conhecimento (ou epistemologia), construção social da ciência, Cosmologia e Iluminismo. 

Acerca dos autores mais recorrentes, destacam-se: a) Filosofia antiga: Sócrates, Platão e  Aristóteles ( suas concepções éticas, epistemológicas e políticas); b) Filosofia medieval: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino (as relações entre fé e razão em cada um deles;  c) Filosofia moderna: Maquiavel e René Descartes (concepções no campo da política), Thomas Hobbes, John Locke, Jean-Jacques Rousseau (estado de natureza, contrato social e estado civil para cada um) e Immanuel Kant; d) Filosofia contemporânea: Nietzsche, Jurgen Habermas, Theodor Adorno, Max Horkheimer, Jean Paul Sartre, Michel Foucault e Zygmunt Baumann.

A sociologia é cobrada em três eixos: o da identidade cultural e dos movimentos sociais (como grupos sociais interagem na sociedade e como a modificam); democracia e formação do Estado (deve-se saber como o Estado brasileiro é constituído e como são dispostos os direitos; além disso, é relevante conhecer a estrutura política nacional e suas influências); o mundo do trabalho e da produção (de que modo a configuração econômica impacta nossa sociedade).  A sociologia pode aparecer nas questões de história, geografia ou literatura, uma vez que propõe um método científico de análise da sociedade. 

Os sociólogos referenciais no Enem são Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber. Vale ressaltar que aparecem direta ou indiretamente, uma vez que é a partir dos estudos e conceitos deles que trabalhos de outros sociólogos se desenvolvem. Nessa área, os assuntos mais recorrentes são cultura, democracia, movimentos sociais, mídia e sociedade e direitos dos cidadãos.

Observa-se que a prova de ciências humanas e suas tecnologias demanda conhecimento amplo, o que envolve leitura de autores clássicos, de escritores contemporâneos e de jornais e revistas. Por isso, é fundamental se organizar para ler com constância; além disso, sugerimos resolver, pelo menos, as três últimas edições do Enem como revisão. Bons estudos!