Enem 2017
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Abstenção no primeiro dia de Enem não é destoante, afirma ministro Mendonça Filho

Em termos de segurança e logística, MEC avalia como positiva a aplicação do exame até aqui. Não comparecimento ao primeiro dia de prova foi de 30,2%, o maior em oito anos

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postado em 08/11/2017 17:01


A primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocorreu no último domingo, 5 de novembro. O saldo da logística, que envolveu 600 mil pessoas trabalhando e 4,3 milhões de estudantes presentes, foi positivo, segundo avaliação do ministro da Educação José Mendonça Filho. Na tarde de ontem (8), em entrevista CB Poder, da TV Brasília, ele minimizou os índices de abstenção do exame, 30,2%, o maior dos últimos oito anos do exame.

“O não comparecimento não destoa muito do ano passado, que foi de 29%. A abstenção é maior entre aqueles que utilizam a gratuidade”, diz. Pela primeira vez, o exame está sendo aplicado em dois domingos consecutivos, aliviando o cansaço dos candidatos e eliminando a necessidade de aplicação especial para sabatistas. De acordo com o ministro, a mudança foi bem recebida. “No formato antigo, o clima de apreensão era muito forte, pois levava os estudantes à exaustão. Os sabatistas, especialmente, ficavam confinados em salas por quatro ou cinco horas até o entardecer, quando podiam começar o exame”, afirma.

O ministro também avalia positivamente a segurança quanto a fraudes até aqui. No primeiro dia de exame, quando foram aplicadas as provas de redação, linguagens e ciências humanas, nenhum fato grave foi notificado. “Não há qualquer indício de fraude em 2017. Temos cooperado diretamente com a Polícia Federal, que trabalha com o banco de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). É uma estrutura gigantesca, que exige logística de segurança importante”, pontua ele, citando a implantação de detectores de ponto eletrônico como principal inovação em segurança deste ano. “É possível rastrear qualquer tentativa de fraude e isolar mecanismos. É humanamente impossível garantir 100% de eficácia, mas certamente estamos entre os mais elevados sistemas de segurança em qualquer exame dessa abrangência pelo mundo.”

Direitos humanos e redação
Sobre a polêmica decisão da justiça que impede a atribuição de nota zero às redações que ferem os direitos humanos, o ministro reafirmou que há dois conceitos indispensáveis em jogo, o respeito ao próximo e a liberdade de expressão. “Um jovem que se prepara para ingressar no ensino superior precisa ter noção clara de princípios de respeito ao próximo, longe de discursos de ódio. O grande campo de discussão é até onde vai o limite da liberdade de opinar.”

O tema da redação deste ano, “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", tem a aprovação do ministro. “Foge à regra. Você tem um texto de apoio, que orienta o debate para que o aluno discorra com argumentos sólidos. É uma reflexão válida”, observou.

Novo Fies
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do MEC destinado a financiar os estudos de alunos em cursos não gratuitos, passa por reformulação aprovada na Câmara e levada agora ao Senado. Mendonça Filho comemora: “O modelo antigo era insustentável. Ofertaremos, a partir de janeiro do próximo ano, 100 mil contratos com juros zero (o juro atual é de 6,5%). Pelo menos 150 mil contratos com juros de 3% ao ano serão feitos e mais de 300 mil contratos ofertados a partir do próximo ano.” A proposta atual também acaba com o período de carência para o pagamento da 1ª parcela. “No modelo antigo, havia carência de 18 meses. No modelo novo, a carência será móvel. O aluno só começa a pagar o financiamento depois de concluído o curso, de modo vinculado à sua renda”, explica.

Para o ministro, o momento na pasta é de “reequilíbrio do jogo”. “Não tenho a concepção de que falte dinheiro”, afirma, “mas o orçamento do ministério, que era dividido igualmente entre educação básica e universitária, vinha sendo de 60% para o segundo. Precisamos priorizar a qualidade da gestão. Nós cumprimos 100% da liberação do custeio para as universidades federais em 2016 e, para este ano, já liberamos 85% dos recursos destinados à manutenção das universidades.”