Enem 2017
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Prezado(a) Estudante,

Mauro Luiz Rabelo, diretor de desenvolvimento da rede de Ifes do Ministério da Educação, escreve uma carta aos que vão fazer o exame

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postado em 02/10/2017 09:37 / atualizado em 03/10/2017 15:15

Prezado(a) Estudante,

Faz tempo que não escrevo uma carta. Retomo hoje essa tarefa por um bom motivo: nossa amiga Ana Sá, editora do Especial Enem 2017, me disse que você vai fazer a prova do Enem.

Estou sentado em meu escritório, em uma tarde de sábado, início da primavera, aguardando a tão esperada chuva de setembro. Olho para fora da janela e me deparo com um cenário que sinaliza para a mudança de estação. Mudança, palavra que, certamente, marca a sua vida neste momento de término do ensino médio.

Procuro uma música no celular.  A primeira sugestão que o aplicativo me oferece é de Coldplay: A head full of dreams. O título me fez voltar 40 anos no tempo, quando tinha a sua idade e a cabeça cheia de sonhos. Imagino como a sua deve estar fervilhando agora: a mudança que se aproxima, os sonhos, as certezas e as inseguranças. Mas, acima de tudo, a vontade de obter bom desempenho nas provas do Enem que se avizinham, em particular na “temida” prova de matemática.

Ora, convido você a olhar para matemática do mesmo jeito com que olhamos para os sinais da chegada da primavera: cada fórmula, equação ou forma geométrica traz em si uma beleza comparável àquela que sentimos quando vemos os ipês florirem em Brasília.  Alguns estudos mostram que a contemplação de uma fórmula matemática pode ativar a mesma área cerebral ativada durante a apreciação de uma obra de arte ou de uma composição musical.

Sugiro que encare a prova de matemática como algo belo, oportunidade para enfrentar pequenos desafios. Nesse ponto,  recordo-me de uma tirinha de Bill Watterson, na qual Calvin diz a Haroldo quando vai fazer seu dever de matemática: “Veja estes problemas. Eis um número em luta mortal com outro. Um deles será subtraído. Mas por quê? Como? O que restará dele? Se eu resolver esse problema acabo com o suspense. E aí transformo possibilidades instigantes em fatos desinteressantes.” Calvin conclui que não vai fazer o dever porque prefere “apreciar o mistério”. No Enem, espera-se que você resolva os mistérios apresentados sob a forma de situações-problema a partir da mobilização dos conhecimentos, saberes e habilidades adquiridos ao longo da vida.

Conhecer bem a matriz de referência é passo fundamental. Você encontrará uma prova balanceada, bem distribuída em relação à avaliação das 30 habilidades previstas na matriz. São assuntos correntes que você precisa estudar: razões, proporções e porcentagens; dependência entre grandezas; sequências numéricas e progressões aritmética e geométrica; funções e gráficos; perímetro, área e volume; congruência e semelhança de triângulos; seno, cosseno e tangente; noções básicas de estatística, probabilidade e análise combinatória.

Na maioria das vezes, a avaliação sobre porcentagens aparece em contextos de matemática financeira. Em geral, a tarefa de identificar se uma sequência numérica corresponde ou não a uma progressão aritmética ou geométrica é deixada para o estudante. Em estatística, é comum a cobrança dos conceitos de média, moda, mediana, desvio-padrão e variância.  As questões que envolvem variação de grandezas abordam tanto as diretamente quanto as inversamente proporcionais, sendo, muitas vezes, resolvidas via regra de três. Há problemas que vão exigir a modelagem, isto é, que você descubra a equação a ser criada para resolvê-los. O teorema de pitágoras deve sempre ser lembrado.

As questões costumam incluir tabelas, gráficos, figuras e diagramas que devem ser cuidadosamente interpretados. Como não é permitido o uso de calculadora, você precisará demonstrar sua habilidade com as operações matemáticas.

A prova apresenta questões com vários níveis de dificuldade. Faça primeiro as que julgar mais simples. Uma boa estratégia para aprender a administrar o tempo é resolver provas anteriores.

Lembre-se de que é permitido errar, afinal aprendemos muito com os erros ao longo da vida. Por exemplo, mesmo sabendo andar, por vezes tropeçamos.  Assim, caminhe, tropece, erga-se e continue. Faça de sua vida uma aventura maravilhosa, incluindo nela a descoberta da genialidade da matemática. Ficarei aqui, na janela de meu escritório, contemplando a beleza da matemática na natureza e torcendo por você.