Enem 2017
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Menos detectores, mais combate às escutas

Ministro afirma que ações de inteligência e nova tecnologia serão suficientes para garantir " O Enem mais seguro da história". Mas o exame poderá ter menos equipamentos que no ano passado

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postado em 09/10/2017 07:00 / atualizado em 10/10/2017 20:42

 

 

A edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá, até o momento, 29 mil detectores de metal. A quantidade corresponde a 35% dos equipamentos utilizados no ano passado. Entretanto, o Ministério da Educação (MEC) garante que a implantação dos aparelhos que rastreiam pontos eletrônicos — novidade para 2017 — em todos os locais de aplicação dará segurança à prova.  A operação será feita em caráter experimental. Um impasse judicial com o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), responsável anterior pela logística do exame, fez com que o volume de equipamentos esteja indefinido a menos de um mês da aplicação da prova, marcada para 5 e 12 de novembro.



Juntos, detectores de metal e aparelhos capazes de acusar escutas serão usados para combater fraudes e impedir que armas brancas e de fogo entrem nos locais de prova. No ano passado, 120 candidatos foram eliminados por tentar fraudar o exame. “Nenhum programa é imune a tentativas de fraudes, ainda mais com quase 6,5 milhões de inscritos. É impossível ter blindagem absoluta.  A ação do MEC vai na direção de um combate cada vez mais rigoroso. O Enem 2017 será o mais seguro da história “, disse o ministro José Mendonça Filho na última terça-feira (3), durante evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) em São Paulo.

Pontos eletrônicos
O novo advento de segurança do Enem — chamado Andre, da marca Rei, fornecido pelo grupo Berkana — é capaz de identificar sinais de Wi-Fi, Bluetooth, celular e transmissões ilegais. Ligado a uma antena, ele detecta sinais de radiofrequência enviados para os celulares ou pontos eletrônicos de quem busca trapacear no exame. Além disso, um modelo alternativo do detector pode ser escondido dentro da roupa do responsável pela segurança.

Mendonça Filho lamenta o uso de escutas por parte de candidatos, como ocorreu em edições anteriores. “Nosso objetivo é combater os pontos eletrônicos que, infelizmente, ainda são usados em exames de grande expressão como o Enem. Estamos pensando no conforto dos participantes e isso representa um ganho extraordinário”, afirmou.

O ministro não informou quantos pontos do tipo estarão disponíveis nos locais de prova. “Não será de forma ampla e não podemos revelar, até mesmo por orientação da Polícia Federal, o número de equipamentos. O importante é que os candidatos saibam que, se utilizarem o ponto eletrônico para fraudar a prova, serão pegos”.

Combate às fraudes
No ano passado, a Polícia Federal realizou operações em oito estados para coibir fraudes no Enem. Apenas em Montes Claros (MG), foram emitidos oito mandados de prisão em uma operação batizada de Embuste. Os suspeitos usavam uma central telefônica para repassar gabaritos com candidatos. Também houve ações nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Tocantins, Amapá e Pará. Recentemente, o Inep anunciou que o resultado de 13 participantes das edições 2015 e 2016 foram anulados, por comprovação de trapaça. Boa parte deles tinha sido selecionada para cursos como medicina e odontologia, em universidades federais das regiões norte e nordeste.  A pena para esse tipo de crime é de multa e até seis anos de prisão.

De acordo com a diretora de gestão e planejamento do Inep, Eunice Santos, as prisões têm relação com a mudança no trabalho de inteligência.  Antes, a execução das tarefas era mais ostensiva, com a presença da Polícia Federal nos locais de prova. A partir de 2016, dados de candidatos passaram a ser cruzados para monitorar possíveis esquemas. “Recebemos relatórios de pessoas que faziam o Enem havia dez anos. Alguns mudavam de lugares de prova sem qualquer explicação. Além disso, optavam por exame especial para sabatista em um ano e, no outro, desistiam dessa opção. Havia até pessoas com bolsas de doutorado na Capes participando do exame”, revela. Por si só, essas informações não são indícios de fraude, mas voltaram as atenções a esses participantes.

Caderno de questões

Outra mudança deste ano é o caderno de questões personalizado. Cada candidato terá seu nome escrito no material e cada página terá um código de barras, a fim de evitar qualquer tipo de conluio. “Isso impossibilita a transmissão de respostas do gabarito de um participante para o outro. Antes, a ordem das respostas era a mesma. Em 2017, se ele recebe o caderno de cor azul, vai receber a correção para essas questões”, afirma.  A coleta de dados biométricos, executada pela primeira vez no Enem 2016, continua neste ano.

Nem mesmo a troca das bancas — antes Cebraspe e, agora, Cesgranrio, Vunesp e Fundação Getulio Vargas — é apontada como possível situação de insegurança. “São instituições sérias, respeitadas e altamente preparadas para a função. Essas organizações são responsáveis por exames da OAB e seleções em todo o país”, garante Eunice Santos.

Especialistas opinam

Para o especialista Nelson Gonçalves, professor do curso de Tecnologia em Segurança e Ordem Pública da Universidade Católica de Brasília (UCB), a criatividade dos fraudadores só cresce. Ele acredita que a presença dos aparelhos não traz 100% de eficácia. “Pontos eletrônicos feitos de cerâmica não poderiam ser notados por equipamento que procura metal”, afirma. “Sistemas de segurança funcionam em camadas. Se uma delas é fraudada, a outra será capaz de impedir qualquer tipo de ação. Inspeções corporais, equipamentos de Raios X ou algo do gênero poderiam impedir ilícitos.”

Na opinião de Paulo Henrique Alves Guimarães, professor da UCB, doutor em física computacional e avaliador do MEC, o uso de bloqueadores de sinal teria eficácia muito maior. Ele também acredita que, se não houver a substituição integral dos detectores de metal, podem haver problemas. “Se não for substituído por outra medida, é preciso ficar temeroso. É bem possível que o rastreador que será usado não cobrirá todas as ondas de frequências. Então um aparelho que inibisse os sinais poderia ser mais eficiente.

Neste caso, internet, mensagens e ligações seriam impossibilitadas, em vez de identificadas”, avisa. Danilo Molina, ex-assessor do Inep, afirma que a eficácia das medidas depende da abrangência. “Ainda não sabemos qual é a tecnologia implantada nesses aparelhos antiescuta. O deficit de detectores de metal já é grave por si só. É preciso saber se os aparelhos que vão ser usados darão conta de todas as salas, em todos os locais do exame. Obviamente, uma situação como essa gera insegurança nos estudantes, que já têm motivos suficientes para ficar ansiosos com a prova”, critica.

Live de português e redação hoje (9). Participe!


A convidada da nova live do Especial Enem, marcada para hoje (9), às 15h, é a professora do Centro Educacional Sigma Ângela Miranda de Souza, que comparece à redação do Correio para falar das provas de linguagens, códigos e suas tecnologias e redação. Ela estará ao vivo com a apresentadora Lanna Silveira, esclarecendo os pontos principais da avaliação e respondendo às dúvidas dos internautas.

A menos de um mês do Enem, a professora espera muitas perguntas quanto à administração do tempo. Em 2017, linguagens e redação serão aplicadas no mesmo dia de ciências humanas e suas tecnologias, totalizando 90 questões e uma dissertação para 5h30 de exame. “São muitos textos na prova e a habilidade de leitura exige atenção. Há muita dificuldade em interpretar e também em construir uma boa argumentação na redação.”

Na live, ela trará dicas para os alunos e responderá a questões de outras edições do Enem. Para assistir, basta acessar a página do Eu, Estudante (facebook.com/euestudante). As transmissões ocorrem semanalmente, sempre às segundas-feiras.

» Local de prova
em 20 de outubro

Os inscritos no Enem podem consultar onde farão a avaliação a partir do próximo dia 20. Nesta data, informe-se pela Página do Participante (www.enem.inep.gov.br/participante /#!/inicial) ou pelo aplicativo do exame.

Segurança no exame preocupa?

 

 

Minervino Junior/CB/D.A Press
 



Tamires dos Santos,
17 anos
“é muito pouco provável que alguém consiga fraudar. além disso, eles também revistam os candidatos.”

 

 

Minervino Junior/CB/D.A Press
 

 

 

Vinícius Rodrigues,
17 anos
“Deveriam reforçar o número de equipamentos, e não diminuir. O Enem tem que ser justo para todos.”

 

 

Minervino Junior/CB/D.A Press

 

 

Ludmila Batista,

18 anos

“O Enem é muito concorrido.sabendo disso,gente mal-intensionada pode se aproveirtar dessa brecha.    ”