Enem 2017
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Treino para ler, escrever e não enlouquecer

Professora Ângela Miranda participou de live do Especial Enem e deu dicas sobre linguagens e redação. A um mês do exame, preparação adequada garante boa redação e ganho de tempo durante o exame, garante ela

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postado em 09/10/2017 20:14 / atualizado em 12/10/2017 16:17

 

 

É preciso treino e experiência para se sair bem no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). É o que garantiu a convidada da vez na live desta segunda-feira (9), a professora do Centro Educacional Sigma Ângela Miranda. Ela esteve ao vivo com a apresentadora Lanna Silveira e discutiu, junto aos internautas, os temas mais recorrentes e os métodos para não se perder com tanta informação na cabeça durante a prova.


“Os conteúdos do Enem não são difíceis, mas o exame se torna complicado porque é longo e traz muitos textos. Todo aluno sai exaurido da avaliação”, sintetizou a professora de português e redação. Em 2017, a área de linguagens está marcada para o primeiro dia, 5 de novembro, mesma ocasião em que será aplicado o exame de ciências humanas e suas tecnologias. São 5h30 para 90 questões e mais a redação.


Treino e escrita

Para uma boa redação, é preciso conhecer a língua. Não se trata de memorização de modelos ou termos, mas a capacidade de associá-los na leitura e na escrita. “No Enem, a cobrança de gramática está intimamente relacionada ao texto das questões e na redação.”


Mais que isso, o processo de preparação exige conhecimento dos temas da atualidade e muito exercício. “Se você quer escrever bem, tem que treinar. Não existe dom nem segredo”, diz Ângela Miranda. “Leitura para que você tenha argumentos e treino a fim de não tornar a argumentação conturbada. Às vezes, o aluno até lê bastante, mas falta a habilidade de colocar o conhecimento no papel.”


Tal prática garante não só uma dissertação bem realizada, mas também ganho considerável de tempo. “Desenvolve a rapidez do raciocínio. Concentre-se, leia, respire fundo e vá devagarinho. Se você estudou e treinou, achará fácil lá no dia”, diz.


Variação linguística

Há muito o que estudar, mas calma, vai dar tudo certo. Organize os estudos, estabeleça prioridade e ritmo de treino e tudo sairá bem, garantiu a professora na live. Para a área de linguagens, ela elenca os conteúdos que nunca deixam de figurar no exame: “A um mês da prova, é preciso focar em funções da linguagem, gêneros literários, linguística e variação linguística”. Esta última exige do candidato bom entendimento sobre as influências socioculturais no uso do português.


Ela foi buscar exemplo concreto no Enem de 2009, quando foi usado o texto de “Cuitelinho”, canção do folclore do Mato Grosso registrada por grandes nomes da música brasileira, como Pena Branca & Xavantinho e Milton Nascimento. “Mostra o regionalismo e o caipira. Valoriza os vários 'falares' da língua portuguesa, o português brasileiro e a capacidade de comunicação.”


Desse modo, não existe correto e incorreto, é verdade, mas certamente existe o que não é adequado. “Eu tenho uma roupa certa para ir à missa, não vou de chinela porque não é o momento. A mesma coisa vale para a língua. Vamos à escola para aprender a norma culta. Mas, na vida, vamos nos adaptando à situação”, exemplifica. “Nossa língua é uma adaptação, o que não nos livra de saber as regras”, sintetiza.


A sugestão é atenção na leitura, especialmente nos termos articuladores e nos fatores de coesão. “Os pronomes são muito cobrados. No Enem, não se trata de uma gramática pura porque temos um país muito heterogêneo. A prova leva os candidatos à compreensão e decodificação da linguagem”, diz.


Gêneros textuais

Na elucidação de questões durante a live, a professora resolveu, por coincidência, outra que também era aberta por uma canção - “Notícia de jornal”, de Chico Buarque, que emula um texto de noticiário. Ela consta no banco de questões do Correio desta semana (clique aqui e confira). “Estamos discutindo gênero aqui. Na verdade, intergênero - quando um deles faz uso de outro. A intertextualidade enriquece a escrita e a comunicação”, disse. Chico fez do poema uma notícia.


Lanna Silveira
No Enem, em diversas ocasiões os gêneros – poético, jornalístico, publicitário, contos, crônicas, não textuais, entre outros — se misturam interdisciplinarmente. Além disso, há grande volume deles por avaliação, mas sempre se prioriza formatos curtos ou recortes de trechos. “Quando tem contos, são trechos deles, para que dê tempo dos alunos responderem tantas indagações.” Por essas e outras, a crônica é bastante cobrada. “Elas são curtas, apresentam várias possibilidades e toma liberdades típicas do gênero poético.” Se ainda houver dificuldade de interpretação de algum gênero, ela sugere atenção especial aos créditos. “As referências bibliográficas fazem intuir que qual tipo se trata”, explica.


A dica final é, ao contrário do que muitos acreditam, não deixar a redação para o fim. Ângela Miranda sugere que o candidato faça o primeiro rascunho do texto, parta para as questões que consegue responder e, feito isso, retorne para finalizar a escrita. Com o tempo que sobra, dedique-se ainda às questões que ficaram para trás. “Circule as indagações que estão exigindo mais e, depois de tudo feito, volte a elas. Sinto que, muitas vezes, o candidato vai questão a questão, gastando tempo, e depois chega para a redação exausto.”