Enem 2017
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Ciências da natureza e suas tecnologias

Tempo: vilão do exame?

Só se você perder minutos preciosos com itens que não será capaz de acertar. o segredo para administrar as horas disponíveis para o exame está em estratégias como começar o teste pela parte em que tem mais facilidade

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postado em 16/10/2017 07:00 / atualizado em 23/10/2017 12:30

 

 

Dez horas. Esse é o tempo disponível, somando os dois dias de avaliação, para o candidato inscrito no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) expressar, por meio da interpretação, do cálculo ou da escrita, as habilidades e competências adquiridas ao longo de toda a trajetória escolar. Um olho na prova, outro no relógio da parede. Cada filipeta tirada pelo chefe ou fiscal de sala é um pequeno pedaço da corrida vencido ou, se os minutos não foram bem aproveitados, momentos valiosos desperdiçados rumo à meta de alcançar bom desempenho no exame. Nessa missão, não adianta dominar os conteúdos se não for capaz de dosar a pressão e administrar as horas disponíveis para resolver as questões e escrever a redação. Como, então, administrar o tempo implacável? O que fazer e o que evitar? O Especial Enem ouviu especialistas e apresenta dicas que podem valer minutos e pontos preciosos para garantir a tão sonhada vaga no ensino superior.



Priorize o que sabe

O primeiro mito a ser desconstruído é o de que existe uma fórmula aplicável a todos os candidatos sobre como responder à prova. A produtividade é individual e cada aluno lida de maneira diferente com ela. É o que afirma Alexandre Rodrigues, life coach e consultor em produtividade e gerenciamento de tempo. Ao rememorar experiências pessoais, o bacharel em direito conta que, em qualquer prova, fazia primeiramente a redação, pela facilidade que tem para escrever. A exemplo dele, qualquer candidato deve iniciar o teste pela parte em que se sentir mais confortável. “Quanto mais autoconfiante o candidato estiver com a preparação antes da prova e durante a execução dela numa determinada área, mais domínio ele terá sobre as emoções e, assim, conseguirá gerir melhor o tempo e as questões”, aponta. “A sensação de produtividade aumenta quando o candidato percebe que conseguiu responder muitas questões com relativa rapidez”, diz.


“Por isso, a dica é começar pela matéria que mais domina e, dentro disso, escolher o que é mais rápido e fácil de ser resolvido”, recomenda. Para evitar desperdiçar tempo, tome cuidado para não levar um item para o lado pessoal, tornando-o um embate, que deve ser resolvido a qualquer custo. Não adianta insistir no que não tem solução: se você não estudou determinado assunto ou tem certeza de que não conseguirá lembrar do que está sendo pedido, melhor partir para a próxima pergunta. Pedro Sathler, 19 anos, aluno do Curso Exatas, reconhece essa dificuldade. “Existem questões de vários níveis. Às vezes, você se prende muito em  temas difíceis e deixa de fazer outros que são fáceis. Isso prejudica bastante no fim”, observa. Pela experiência de Pedro, as partes da prova que exigem cálculo tendem a ser as mais trabalhosas.


 Lanna Silveira/Esp. CB/D.A Press

 

 

Eduardo Reis, 19, colega de Pedro, também credita a perda de tempo à insistência com itens muito difíceis. “Meu maior erro é a vontade de terminar tudo.  As pessoas, às vezes, se fixam demais e tentam até o fim responder à indagação, sendo que pode ser uma questão perfeitamente fácil de pular”, diz. Professora e coordenadora de química do Centro Educacional Sigma, Juliana Gaspar recomenda que, caso perceba que está num embate complicado, o estudante deve passar à próxima situação-problema para não comprometer a realização da prova. Esse passo deve ser adotado se a pessoa levar muito mais de três minutos no item. Mesmo nas provas de matemática e ciências da natureza, que são vistas como desafiadoras, é possível ganhar alguns minutos com uma boa estratégia. “Às vezes, o raciocínio de cálculo requer um pouco mais de tempo. Se o aluno não consegue resolver, é importante que ele procure outra pergunta que envolva menos cálculo, que seja mais de interpretação. Algo na área de biologia, por exemplo.”


Ana Caroline dos Anjos, 19, também aluna do pré-vestibular Exatas, conta que o grande obstáculo na luta contra o relógio é voltar aos itens não solucionados. “Eu costumo procurar as questões em que tenho facilidade, aquelas que tenho certeza de que acertarei. Assim, tenho que ler todas as questões para poder diferenciá-las. Se um item for difícil, eu pulo, mas, no fim, tenho que voltar e, assim, releio para relembrar o assunto.” Eduarda Guerra, 18, acredita que o maior impedimento para uma resolução veloz “é diferenciar as questões médias, fáceis e difíceis e saber quais exigem ler mesmo todos os textos”.

Não fique de fora
Ano após ano, câmeras flagram candidatos que chegam atrasados e, por questão de segundos ou minutos, perdem a chance de fazer o Enem e ficam do lado de fora dos portões. Ser eliminado do exame é o pior dos cenários. Contudo, mesmo aqueles que conseguem entrar no local de provas no último minuto criam para si consequências. “O atraso é prejudicial à saúde mental e, portanto, à produtividade”, avalia o coach e estudante de pedagogia Alexandre Rodrigues. “O estudante deve estar mentalmente bem para responder às questões, o que não será realidade se ele passar pelo estresse de quase perder a prova.” Mestre e doutora em química orgânica pela Universidade Federal do Ceará (UFC), a professora Juliana Gaspar alerta: “Se você chega faltando minutos ou segundos para o exame começar, sua pressão psicológica será muito mais afetada do que se chegasse antes”.


Ela afirma que os candidatos devem se preocupar com o horário de sair de casa para evitar problemas. Durante o certame, se ausentar um pouco da sala é uma boa saída para reorganizar as ideias e voltar mais descansado, pois isso alivia a tensão. Aquele pedido de saída para ir ao banheiro ou beber água pode ser estratégico para aliviar o estresse e encarar o teste com novo fôlego. Outras dicas, ainda que bem conhecidas, continuam a fazer a diferença. Dentre elas, figuram uma boa alimentação, bom período de descanso prévio e conhecer bem o local antes do dia decisivo, prevenindo-se de contratempos como trânsito pesado ou confusão com o endereço.

Siga esses passos

1 Administrar bem o tempo de prova é tarefa fundamental para quem vai fazer o Enem. As provas de matemática e ciências da natureza são aplicadas no mesmo dia de exame, totalizando 90 questões de múltipla escolha, que devem ser respondidas em quatro horas e 30 minutos.


2 Aconselha-se que o estudante reserve de 20 a 30 minutos para preencher, com cuidado, a folha de respostas. Fazer isso às pressas, na correria, pode induzi-lo ao erro e à perda de pontos preciosos. Desse modo, sobram cerca de 4 horas, ou seja, em torno de 240 minutos para fazer as provas, o que dá uma média de 2,6 minutos por questão. Isso constitui um balizador para a estratégia de controle do tempo por ele.


3 É preciso dividir o tempo entre as duas áreas de conhecimento para que o desempenho em uma não seja prejudicado em detrimento da outra.


4 A prova de matemática é composta de 45 situações-problema que devem ser resolvidas pelo candidato.


5 Recomenda-se leitura atenta dos contextos, sublinhando os trechos que são chave para resolução. Uma boa estratégia é o estudante fazer primeiro as que julgar mais fáceis ou as em que tiver mais familiaridade com o conteúdo.


6 O aluno pode anotar ao lado, no caderno de provas, alguns códigos para as questões que forem deixadas para trás. Por exemplo, se ficou na dúvida se o gabarito é A ou B e deseja decidir isso no final, simplesmente anote “A ou B?”; se achou que os cálculos estão tomando muito tempo, pode anotar: “calc”; se ficou com dificuldade de interpretar o gráfico, pode escrever: “graf”. Enfim, cada um pode criar uma linguagem pessoal para facilitar o trabalho quando retornar ao problema. Isso certamente ajudará a ganhar tempo.


7Resolver provas anteriores, cronometrando o tempo médio de resolução de cada questão, constitui excelente oportunidade de aprendizado no que se refere à administração do tempo destinado à resolução da prova.

Fonte: Mauro Luiz Rabelo, professor de matemática da Universidade de Brasília (UnB) e diretor de Desenvolvimento da
Rede de Instituições Federais de
Ensino Superior (Difes) do Ministério
da Educação (MEC)

 

 


* Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa