Enem 2017
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Controle de ansiedade

Angústia e pressão fazem com que a preparação se torne mais difícil, mas estudantes tentam dar a volta por cima

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postado em 16/10/2017 07:00 / atualizado em 23/10/2017 12:31

 

 

Ainquietude pode parecer um mal que só se manifesta em situações isoladas, mas esse é um problema real. Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o Brasil como país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade. São18,6 milhões de brasileiros afetados por esse tipo de doença. A adolescência é marcada por momentos decisivos como o desenvolvimento corporal, o início dos relacionamentos amorosos e, é claro, provas como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A reportagem do Correio ouviu alunos, professores e especialistas sobre o assunto. Muitos desses estudantes contam que é preciso conciliar a pressão dos pais, a da escola e, principalmente, a deles mesmos, para seguirem em frente e alcançarem os objetivos. Enquanto isso, o acompanhamento dos docentes é fundamental para acalmar os ânimos e aconselhar sobre as melhores maneiras de preparação.


Um mês após o Enem, chegará o momento de os estudantes participarem do Programa de Avaliação Seriada (PAS). Quem está no terceiro ano do ensino médio precisa dividir o tempo entre as duas provas e, ao mesmo tempo, manter as boas notas no colégio. Muitos dos aspirantes a médicos precisam fazer vestibulares em outras cidades para praticar e tentar vagas longe da capital federal, visto que a concorrência na prova convencional passa de 100 pessoas por vaga.


Houve dois episódios em que a aluna do Colégio Militar Dom Pedro II Marina Domingues, 17 anos, teve o psicológico abalado em momentos decisivos. Certa vez, ao fazer uma prova do colégio, ela sentiu falta de ar. Porém, o momento mais agudo foi durante a segunda etapa do PAS. Na ocasião, ela sofreu uma crise de ansiedade e teve um desempenho abaixo do esperado. “Já cheguei ao lugar de prova passando mal, tremendo e com dificuldade de respirar. Foi assustador. Não cheguei a tirar nota ruim, mas tenho certeza que poderia ter ido muito melhor. Este ano, com o Enem chegando, comecei a me sentir ainda mais pressionada”, admite.


Antonio Cunha/CB/D.A. Press

 

 

Diferentes tipos de pressão são sentidos pelo estudante Gabriel de Souza Franck, 17, do Centro Educacional Sigma. O sentimento de que pode render mais às vezes toma o aluno, mas ele tenta não se deixar abater. “Às vezes, ocorre de eu ter estudado várias horas e meu pai chegar em casa e falar ‘você precisa se dedicar mais’. Isso me deixa chateado porque eu sei o quanto estou me esforçando. Mas eu continuo me preparando, principalmente para o PAS, que eu acredito que vou ter mais facilidade para entrar no curso que quero”, afirma.  Até o ano passado, a escolha era seguir os passos do pai e ser engenheiro, mas, no meio do caminho, Gabriel resolveu cursar estatística. Mesmo a rotina de revisão de conteúdos guarda tempo para momentos de lazer. “Costumo jogar futebol, assistir a filmes e passar um tempo com meu irmão pequeno.”

Vem mais pressão por aí


A luna do Sigma, Michele Nakagomi, 17, percebeu que ficou ansiosa no início de 2017. Antes, ela encarava o futuro de maneira mais tranquila, mas, com a proximidade de Enem, PAS e vestibular, reparou que estava se irritando mais facilmente com as pessoas. “Também comecei a me pressionar. Eu me preocupo muito mais com a minha preparação do que com a concorrência. Às vezes, eu acho que vou estudar muito e não vou conseguir aprender tudo o que preciso. Então, lembro que vou ter outras oportunidades e que não vai ser só este ano que vou ter para entrar na Universidade de Brasília (UnB)”, avalia. Outro motivo de pressão é o fato de o irmão mais velho ter sido aprovado no vestibular. Por isso, Michele fará de tudo para ingressar no curso de biotecnologia.


Antonio Cunha/CB/D.A. Press

 

 

Menos sono e descuido com a alimentação foram os sintomas que mostraram para Daniela Nacif, 17, que as coisas estavam diferentes depois das férias de julho. A estudante admite que se pressiona bastante e que precisa se controlar até a chegada do Enem. “Este ano, eu tive que diminuir o contato com os amigos e estou vendo até meus irmãos com menos frequência. Como vou tentar medicina, um curso muito difícil, sei que vou precisar me sacrificar. Estudo até nos domingos, quando sinto que não consegui absorver o conteúdo”, afirma. Para estar pronta, Daniela faz cursinho e, além das aulas na escola, estuda seis horas por dia.

Saudável até certo ponto

O professor Vítor Augusto Motta Moreira, doutor em psicobiologia e pós-doutor em farmacologia pela UnB, explica que se sentir ansioso é algo comum entre seres humanos e até entre animais. Mesmo trazendo problemas, é um estímulo necessário até certo ponto. “A ansiedade faz parte da nossa sobrevivência e é fundamental que ela exista. É algo que determina se os indivíduos vão se arriscar. Existe uma proporção ideal entre desempenho e esse tipo de angústia. Um certo grau é fundamental para uma performance favorável. Passou disso, atrapalha e pode até chegar ao estado patológico”, resume.


Mesmo em casos extremos, o uso de medicamentos pode trazer mais problemas do que soluções. Quem se sente estressado ou inquieto deve buscar outras saídas. “Se a pessoa tem algum dom artístico, ela deve procurar esse tipo de atividade para se acalmar. O ideal é arranjar um tempo entre os estudos para tocar um instrumento, pintar, praticar esportes ou qualquer outro ato que alivie a tensão”, recomenda.


As mudanças de comportamento são percebidas na escola. Por isso, a atuação de professores vai no sentido de monitorar sentimentos que possam atrapalhar os estudantes. A coordenadora pedagógica do ensino médio do Centro Educacional Sigma, Gláucia Brito, disse que a observação precisa ser feita de perto. “Aqui, no colégio, nós não nos surpreendemos quando pais ou alunos nos procuram relatando dificuldades. Fazemos o aconselhamento e, se for realmente um caso muito extremo, indicamos terapia”, diz. A coordenadora acredita que o trabalho deve ser feito de forma a convencer o estudante de que a preparação está sendo suficiente. “Eles precisam entender as formas de avaliação de cada prova. A partir desse momento, é mais fácil ficar tranquilo, porque sabe que está se preparando da maneira adequada e não precisa se assustar ou ficar angustiado”, recomenda.

Inep garante  detectores de metal em todos os banheiros dos locais de provas


O Inep anunciou a resolução para a falta de detectores de metal nos dias do exame. De acordo com o instituto, o Enem 2017 será aplicado com 67 mil aparelhos desse gênero, o que garante a vistoria dos participantes na saída e entrada de todos os banheiros dos 13.632 locais de aplicação. O consórcio aplicador possuía 29 mil equipamentos e adquiriu mais três mil recentemente. Para fechar a conta, o Inep firmou acordo administrativo para locação de 35 mil detectores junto ao Centro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe).


Neste ano, duas novas tecnologias estreiam — os detectores de ponto eletrônico e a prova personalizada. O primeiro, um receptor avançado de sinais de radiofrequência como Wi-Fi, bluetooth e celulares, será usado em locais estratégicos, previamente definidos pela Polícia Federal e não divulgados ao público. A segunda, foi anunciada há tempos como modo de melhor organização das provas e prevenção quanto às fraudes, evitando que o estudante “minta” sobre a cor de sua prova.

 

Isso porque cada cartão-resposta estará vinculado a um caderno de questão personalizado e cada página dele trará um código de barras.