Enem 2017
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Além das universidades federais

Uma boa nota no Enem pode garantir acesso a instituições particulares de qualidade e até a faculdades em Portugal

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postado em 23/10/2017 07:00 / atualizado em 23/10/2017 12:33

Arquivo Pessoal
 
 
Com a criação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), os estudantes passaram a concorrer a vagas em universidades federais de todo o país de forma mais simples. Mas essa não é a única alternativa de ingresso no ensino superior.  Por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) são abertas aos candidatos outras alternativas de seleção. Instituições de ensino particulares concedem bolsas pelo programa Universidade para Todos (ProUni). E quem quer estudar no exterior pode utilizar a nota do Enem e participar dos processos seletivos em universidades de Portugal.

No primeiro semestre de 2017, foram ofertadas 214.110 bolsas do ProUni em todo o Brasil. Desse total, 103.719 eram integrais e outras 110.391 parciais. O Distrito Federal teve uma oferta de 11 mil incentivos. Para participar do programa, é preciso obter, pelo menos, a média de 450 pontos. Para ter direito a 100% de desconto na mensalidade, o estudante deve ter renda familiar bruta de um salário mínimo por pessoa.  Além disso, é necessário cumprir, pelo menos, um de três requisitos: ter estudado em escola pública durante o ensino médio ou como bolsista em colégio particular; ter alguma deficiência ou ser professor de escola pública.  Os benefícios de 50% exigem renda familiar de até três salários mínimos por pessoa.

Bailarina e estudante de administração de empresas, Caroline Sena Ramalho, 18 anos, é bolsista no Centro Universitário Iesb. Como os planos de se profissionalizar na dança acabaram ficando em segundo plano, a jovem optou por um curso superior que despertasse identificação. “O balé é uma área incerta.  Até existe uma graduação em dança no Instituto Federal de Brasília, mas eu gostaria de ter um diploma que me desse segurança.  A administração não é o que eu mais amo na vida, mas me dará equilíbrio e é algo que gosto de fazer.  A bolsa de Caroline é integral e ela divide a rotina entre os ensaios de samba de gafieira, tango e balé, com as aulas da faculdade, de inglês e francês. Por isso, Caroline não teria tempo de trabalhar para pagar o próprio curso e o incentivo via ProUni foi comemorado.

Escolha
A estudante Ana Paula Leite Galdino, 24 anos, descartou ingressar na Universidade de Brasília (UnB) logo de cara.  A necessidade de dedicação integral e a grande concorrência para o curso de direito a fizeram desistir de tentar o vestibular tradicional. Hoje, trabalhando como assistente financeira e como bolsista do Prouni (desconto de 50% no valor da mensalidade), ela enxerga a possibilidade de estudar e continuar garantindo o sustento. “Escolhi direito porque trabalhei em um escritório de advocacia e tomei gosto pela área. Como preciso do serviço, decidi tentar uma bolsa em um curso noturno. É um pouco puxado trabalhar o dia todo e fazer faculdade à noite, mas foi a alternativa que encontrei para me formar”, conta.  Aluna do sétimo semestre do Iesb,  Ana Paula utiliza o Financiamento Estudantil (Fies) e não se arrepende. Depois de formada, ela pretende atuar na área criminal e estudar para o concurso de delegada.

A bolsa de estudos integral em enfermagem foi a forma que Daiane da Costa Rodrigues, 20, encontrou de ingressar no ensino superior. A primeira opção da aluna da Universidade Paulista (Unip) era ser veterinária e ela pretende continuar estudando após concluir a primeira graduação. “Estou no sexto semestre e passei um período muito confuso. Não larguei porque não queria ficar parada, mas acabei me identificando um pouco mais com a enfermagem. Gostaria de trabalhar nas áreas de pediatria e obstetrícia porque não sei se tenho estômago para atuar em emergência”, admite. Dessa maneira, Daiane pretende conseguir um emprego como enfermeira, mas continuar corrento atrás do  sonho de ser veterinária.

Saiba mais
As instituições particulares que aderem ao ProUni ganham isenção de impostos e, por isso, não há qualquer repasse direto ao setor privado.
 
O Ministério da Educação afirmou por e-mail que não existem dados oficiais sobre o total de alunos beneficiados pelo programa.
 
Levantamento do Sindicato das Mantenedoras do Ensino Superior (Semesp) revela que existem ,atualmente, 540 mil estudantes beneficiários do ProUni. Informações sobre o programa podem ser consultadas no site prouni.mec.gov.br.

27 centros de ensino superior portugueses recebem notas do Enem

Desde 2014,  as instituições de ensino portuguesas passaram a admitir a entrada de estudantes brasileiros de acordo com a nota do Enem. Portugal modificou a legislação, e a admissão de estrangeiros foi simplificada. Apesar de serem públicas, as instituições cobram taxas dos alunos. E as universidades de lá também têm liberdade para definir qual será a nota de corte para o acesso dos alunos brasileiros interessados em estudar naquele país.

A estudante Clara Reis, 23, foi aceita na Universidade de Coimbra assim que o convênio começou. Foi necessário apresentar o histórico escolar do ensino médio e a nota do Enem. O critério de seleção é o desempenho do candidato nas matérias do exame com mais proximidade ao curso escolhido pelo aluno. Em julho de 2018, Clara se formará em jornalismo. Para ela, a experiência tem sido gratificante. “Acredito que é muito positivo para quem tem vontade de sair do país e estudar, porque é possível vivenciar uma cultura diferente, enxergar o mundo com os olhos de outras pessoas”, avalia.

Entretanto, é preciso ter capacidade de se adaptar a situações adversas. Mesmo se tratando de um país de língua portuguesa, pode haver barreiras. “Existe um certo preconceito até mesmo por parte de professores.  Alguns não gostam do jeito que o brasileiro fala. Como eu fui logo que começou o convênio, muitos deles não estavam acostumados a receber esses alunos. Hoje, eles estão mais acostumados, mas ainda existem algumas dificuldades”, adverte Clara.  Apesar disso, a estudante pretende continuar estudando fora. A próxima meta é um mestrado, provavelmente na Espanha.

Aprovada em administração na Universidade de Brasília (UnB), Gabriella Toledo, 18, resolveu largar o curso recém-iniciado para  cursar este ano na universidade de Coimbra. “Gostava de estudar em Brasília, mas não era o que eu queria. Meu único arrependimento em vir para cá foi por estar na UnB. Meu pai foi contra no início, mas  está se acostumando com a ideia”, conta.

A estudante Francine Rodrigues, 22, usou a nota do Enem para participar do processo seletivo do curso de letras na Universidade de Lisboa. Ela desistiu do curso de direito e largou a família em Ribeirão Pires(SP) para ir em direção à capital portuguesa. Por enquanto, nenhum arrependimento. “Compensa muito. Os estudantes podem trabalhar em meio período. Divido apartamento com uma amiga e é possível obter bolsa mérito, um benefício para os alunos da comunidade de língua portuguesa. Dependendo da nota, o valor da taxa pode ser o mesmo cobrado dos estudantes locais. É preciso comprovar que não tem condições de se sustentar”, conta.

Com esses incentivos, o estudante estrangeiro desembolsa apenas 100 euros por mensalidade, de acordo com Francine. Os empregos pagam pelo menos 520 euros. Por isso, a estudante diz que Portugal é um bom lugar para os jovens. “Aqui existem vantagens, como qualidade de vida, transporte público eficiente e acesso à cultura”, acrescenta.

Existem 27 instituições de ensino que participam do convênio com o Brasil. Esta semana, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) assinou novo convênio interinstitucional para uso dos resutados do Enem na seleção de brasileiros em instituições de ensino superior de Portugal.  A partir de agora, o Instituto Politécnico da Maia (Ipmaia) também poderá usar os resultados do exame brasileiro para selecionar candidatos interessados em estudar na instituição. O Inep informou que está fazendo o mapeamento dos brasileiros que estudam em Portugal a partir das notas do Enem.
 
 
As instituições de ensino superior de Portugal conveniadas com o Inep:

» Universidade de Coimbra (26/5/2014)
» Universidade do Algarve (18/9/2014)
» Instituto Politécnico de Leiria (24/4/2015)
» Instituto Politécnico de Beja (10/7/2015)
» Instituto Politécnico do Porto (26/8/2015)
» Instituto Politécnico de Portalegre (8/10/2015)
» Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (9/11/2015)
» Instituto Politécnico de Coimbra (24/11/2015)
» Universidade de Aveiro (25/11/2015)
» Instituto Politécnico da Guarda (26/11/2015)
» Universidade de Lisboa (27/11/2015)
» Universidade do Porto (9/3/2016)
» Universidade da Madeira (14/3/2016)
» Instituto Politécnico de Viseu (15/7/2016)
» Instituto Politécnico de Santarém (15/7/2016)
» Universidade dos Açores (4/8/2016)
» Universidade da Beira Interior (20/9/2016)
» Universidade do Minho (24/10/2016)
» Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (24/3/2017)
» Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (5/4/2017)
» Instituto Politécnico de Setúbal (5/4/2017)
» Instituto Politécnico de Bragança (6/4/2017).
» Instituto Politécnico de Castelo Branco (22/5/2017)
» Universidade Lusófona do Porto (25/5/2017)
» Universidade Portucalense (26/7/2017)
» Instituto Universitário da Maia (Ismai) (26/7/2017)
» Instituto Politécnico da Maia (Ipmaia) (6/10/2017)