Enem 2017
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A vez das artes

Disciplina integra a prova de linguagens, códigos e suas tecnologias e é cobrada no primeiro dia de avaliação, marcada para 5 de novembro

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postado em 23/10/2017 07:00 / atualizado em 23/10/2017 12:33

 
 
Muitas vezes relegados a segundo plano, os conhecimentos sobre artes podem ser uma forma de garantir melhor pontuaçãono Enem. “Geralmente são de sete a nove questões, que podem ser um diferencial na nota do candidato”, destaca Lucas Alves, coordenador de Artes do projeto Vestibular Cidadão. De acordo com ele, a disciplina acaba sendo deixada de lado por muitos alunos. “Infelizmente, o que acontece é que,  por terem dificuldades em outras matérias, as artes costumam ser menosprezadas,  mas são um conteúdo tão importante quanto os outros”, afirma.

Esse é o caso das estudantes Laura Cavalcante, 17 anos, e Nicole Noale, 17, do Centro Educacional Sigma, que, por considerarem o conteúdo mais fácil, priorizam outras áreas. “Eu acho a prova de artes bem tranquila, são questões  para as quais  a maioria das escolas prepara bem. Como eu tenho mais facilidade na área, não estudo tanto assim”, admite a candidata. “Eu cresci em meio às artes. Então, vivo mais do que estudo. Fiz circo, vou muito a apresentações musicais e exposições”, justifica Nicole.

Mas não é tão simples quanto parece. A disciplina pode ser cobrada em várias modalidades: cênicas, visuais e musicais. “Elas se misturam e são cobradas separadamente. Nem sempre as três aparecem, às vezes, caem as duas primeiras e outra, não”, explica o professor Lucas Alves. Esse fato assusta o estudante Cauã Yung, 17: “Acho bem complicada essa prova, porque é um conteúdo muito grande e são cobrados três tipos de arte”, ressalta. 

Para Pedro Marques, 17, o grande problema dessa parte da avaliação é a subjetividade do assunto. Por isso, ele foca mais nesta disciplina. “A arte abre um leque de interpretações diferenciadas. Às vezes, o artista quer passar uma mensagem e a gente interpreta de outra forma, ou a banca quer que a gente entenda de outro jeito. Então, acho que tinha que ser cobrado de forma aberta porque, por eu ter uma interpretação diferente, posso ser prejudicado.
 
Professor de português do curso Poliedro, César Ceneme destaca que não é preciso entrar em desespero caso não tenha visto algum desses tipos em sala de aula, pois, devido à interdisciplinaridade dos conteúdos, eles acabam sendo estudados em outras matérias, como literatura e história. Por exemplo, um bom material sobre o período da ditatura militar fornece o que é preciso saber sobre tropicália. O Enem não faz questões muito difíceis, ele cobra aquilo que o ensino médio deve passar”, ressalta. Se, mesmo assim, o estudante se sentir inseguro, o professor Lucas Alves dá a dica: “O aluno pode procurar as video- aulas na internet quando encontrar um assunto defasado”.

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 
 
A tal interdisciplinaridade pode levar a banca examinadora a colocar um tema de artes em questões de outras disciplinas. “Pode aparecer na prova de português ou nas questões de história. O barroco a gente consegue trazer para a literatura e dá para falar de história a partir dos Maias e dos Astecas”, exemplifica o professor Lucas Alves.

O que focar
Professor de artes cênicas formado pela Universidade de Brasília (UnB), Lucas Alves destaca que assuntos como o teatro do oprimido e o greco romano e commedia dell’arte são recorrentes na prova. Para o professor César Ceneme, é bom focar mais nas artes plásticas que, geralmente, apresentam maior quantidade de questões.” O Enem tem cobrado bastante, nas últimas edições, história da arte. Principalmente, a parte do renascimento italiano.  Além disso, sempre tem um volume maior de questões sobre modernismo e barroco. Na parte de música, há um volume menor de questões que exploram os movimentos musicais, principalmente a partir do século 1920”, diz. “É bastante raro o Enem cobrar o conteúdo específico de um autor, é mais um conhecimento do período. A prova pode expor uma pintura ou escultura e perguntar para os candidatos quais são as características pertencentes do movimento”, observa. Conhecimentos sobre  artes moderna e contemporânea, e também os ligados à arte pré-histórica, africana e indígena devem aparecer no exame”, arrisca o professor Gustavo Lopes de Souza, doutor em artes plásticas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Devido à tendência do exame de cobrar atualidades, os professores recomendam atenção a assuntos que podem estar ligados ao noticiário. “Existe essa tendência. Nesse tipo de questão, tem aparecido concretismo e neoconcretismo para falar sobre arte no metrô, por exemplo”, explica César Ceneme. “Polêmica da performance do homem nu interagindo com uma criança no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) é um tema de redação, mas esse caso específico talvez não caia nesta prova pela proximidade”, destaca Lucas Alves. Nesta reta final, o professor César Ceneme, que é graduado em letras pela Universidade de São Paulo, destaca que é a hora da revisão. “Neste momento, é muito útil uma revisão teórica e é imprescindível resolver provas antigas”, destaca.

A disciplina de artes integra o conteúdo da prova de linguagens, códigos e suas tecnologias, com língua portuguesa, literatura, língua estrangeira (inglês ou espanhol), educação física e tecnologias da informação e comunicação.  A prova será aplicada no primeiro dia de avaliação, 5 de novembro. No mesmo dia, ocorre a redação e a prova de ciências humanas e suas tecnologias, somando 90 questões em cinco horas e meia de duração.
 
Dicas para se preparar

* Professor do curso de artes da UnB, Gustavo Lopes de Souza salienta que a preparação pode vir de atividades culturais e de pesquisas nos sites de museus reconhecidos. “Além de visitas a galerias e exposições — como aquela que, recentemente, trouxe a Brasília parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) —, por meio de leituras, documentários e aos sites dos grandes museus, como os do Museu de Arte Moderna de Nova YorK (Moma), do Masp e do Metropolitan Museum of Art, muitos deles bastante completos”, explica. “Apresentações musicais, como as que ocorrem na Escola de Música de Brasília, teatrais ou performáticas certamente ajudam”, aconselha.

* Como sugestão de leitura, ele indica alguns livros propostos para a prova de habilidade específica em artes da UnB, mas que, de acordo com ele, podem auxiliar também na preparação para o Enem. “Aquelas leituras feitas on-line são hoje uma importante ferramenta, mas não substituem os livros”, diz.
 
 
Professor de história da UnB é convidado da live desta segunda (23)

A próxima live do Especial Enem traz um convidado notável na área de história. Nesta segunda-feira (23), às 15h, a apresentadora Lanna Silveira recebe o professor Antonio José Barbosa, ligado ao Departamento de História da Universidade de Brasília (HIS-UnB) desde 1987, onde leciona história contemporânea, história do Extremo Oriente, história social e política geral. Ele vem aos estúdios do Correio para tratar da prova de ciências humanas e suas tecnologias do Enem.

“O exame se diferencia pela exigência de contextualização e senso crítico. Ele dá o contexto histórico e pede, sobretudo, que o candidato pense a respeito”, diz. Para assistir à transmissão ao vivo e fazer perguntas ao entrevistado, basta acessar a página de Facebook do Eu, Estudante (facebook.com/euestudante).
 
 
 

* Estagiária sob supervisão de Ana Sá