Enem 2017
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Aplicação da química na realidade é a proposta de ciências da natureza

Em live no Facebook, Júlio Gregório Filho, secretário de Educação e professor, ressaltou a importância do entendimento dos temas da disciplina no cotidiano

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postado em 26/10/2017 21:16 / atualizado em 26/10/2017 21:27

 
Quem compareceu à live do Especial Enem desta quinta-feira (26) foi o secretário de Educação do Distrito Federal Júlio Gregório Filho. Formado em química pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduado em administração da educação, ele esteve nos estúdios do Correio sobretudo como professor de química, profissão que exerceu por três décadas. Na transmissão ao vivo, ele comentou a prova de ciências da natureza e suas tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Julio Gregório Filho participou da elaboração da primeira edição do exame, ainda em 1998. De lá para cá, muita coisa mudou. “No início, a característica era de não exigir do inscrito grande capacidade de memorização. Isso foi se alterando aos poucos, na medida em que o Enem foi deixando de ser uma avaliação do ensino médio no país para se tornar, acima de tudo, via de acesso ao ensino superior”, contextualiza. 

Aplicação na realidade
Ainda assim, as peculiaridades das ciências da natureza persistem. “Não basta ter a informação da química, como saber a tabela periódica decorada ou ter em mente todas as fórmulas. Vale mais realizar a aplicação no cotidiano e no presente”, diz. “Nas questões de energia, quando perguntado sobre o funcionamento das pilhas, não se trata apenas do conhecimento do que é uma reação de oxidação e redução. O importante é que o candidato saiba onde essa reação funciona, quais as aplicações e consequências de uma ocorrência química essa natureza”, exemplifica. 

A leitura do texto e o pleno entendimento da linguagem química fala mais alto. “É raro, até aqui, surgirem questões cuja resolução envolva cálculos muito mais complexos que uma regra de três.”

O que cai
A poucos dias da aplicação do Enem, que ocorre em 5 e 12 de novembro, não faltou, é claro, quem do público on-line perguntasse sobre os temas mais recorrentes na prova. Novamente sobre energia, o professor pondera: “Provavelmente, quem está assistindo a esse programa está fazendo isso com um aparelho celular. Nele, você tem uma bateria que é recarregável, mas em outros eletrônicos não é. Por quê? Realizar esse tipo de relação é muito importante.” Além disso, ele pontua que o exame costuma cobrar as diferenças das formas físicas de produzir energia (eólica. elétrica) dos modos de produção a partir de energia química (baterias, armazenamento de energia). 

São tradicionais também os temas relacionados ao meio ambiente, como poluição, efeito estufa e falta de chuvas. “Falamos permanentemente e temos que falar muito mais. Tudo tem química. Pode causar o problema, mas também a solução. Invariavelmente, cai na prova aspectos químicos ligados a isso”, diz o professor. Ele cita ainda a relevância dos polímeros (“Sabão, detergente, o que é biodegradável e por que?”) e de combustível (“Por que o álcool polui menos que a gasolina?”).

Excesso de textos
O volume e o formato de informações — “uma verdadeira maratona”, na definição do secretário — em ciências da natureza e no restante do exame também preocupam os candidatos. Para ele, é na leitura atenta que nota-se os detalhes das perguntas e ainda a interdisciplinaridade do exame. “Tem questão que você lê e não sabe nem se é física, química, biologia. Por isso, a interpretação. Não há questão do tipo "calcule o ph" posta assim, de modo seco, diretíssimo. Ao contrário, ela te dará todo um contexto em que o ph é importante, na agricultura, saúde, poluição atmosférica, etc.”