Enem 2017
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Redação

Eles escreveram a nota 1000 nas suas histórias

Alunos contam como alcançaram a nota máxima na dissertação. Treinar muito e manter-se informado sobre atualidades é essencial

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postado em 30/10/2017 07:00 / atualizado em 31/10/2017 11:30

Não dá mais para ignorar: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está batendo à porta e é preciso estar preparado. Em 5 de novembro, primeiro dia de avaliação, milhões de candidatos comparecerão aos locais de provas para escrever a história deles em direção ao ensino superior. “Escrever”, aqui, inclui o sentido literal do termo: além da forte carga de leitura em linguagens e ciências humanas, os estudantes precisam separar um pouco das cinco horas e meia de avaliação para a produção de um texto dissertativo-argumentativo, defendendo uma tese, apoiando-se em argumentos consistentes e encerrando uma proposta de intervenção.

Difícil de entender? Muita calma nesta hora. O Especial Enem do Correio ouviu, para além dos especialistas, também estudantes que “chegaram lá”. São jovens que superaram  obstáculos pessoais quanto à escrita e figuraram entre os raríssimos candidatos — em 2016, foram apenas 77 — que obtiveram  nota 1000, desempenho máximo na redação.
 
 
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Tema: sempre um mistério a ser desvendado
Bruno Henrique Batista, 18, aluno do SAS Plataforma de Educação, de Teresina (PI), concorda quanto à importância de se exercitar  dissertação, mas pondera sobre o exercício de “adivinhação” do tema. “É preciso reconhecer as dificuldades, trabalhar nelas de forma intensa e com muita prática. Nunca pensei tanto em fixar os assuntos, buscava apresentar uma redação que ficasse boa independentemente do que caísse. O assunto pedido na dissertação do Enem é sempre uma surpresa”, observa ele, conquistou  vaga em medicina na Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio da nota no Enem, cuja pontuação foi de 1000 em redação.
 
 
 
 
 

Treinar, treinar e treinar
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“Essa é a porta principal de entrada na universidade. Eu precisava passar em uma instituição federal e sabia que, no exame, não poderia falhar na construção da redação”, conta a mineira Samanta Gabriela Ferreira, 22 anos, estudante do colégio Fibonacci, de Governador Valadares.  Aplicada, a estudante havia feito o exame anteriormente, mas o “decisivo e definitivo” (nas palavras dela) veio em 2016, depois de exercícios constantes de escrita em sala de aula, em simulados e em casa. “Quando cheguei ao cursinho, não sabia escrever muito bem. Tive que me esforçar muito e aprendi treinando. Dessa forma, o vocabulário evoluiu e a argumentação também.”
 
Ela cumpriu severamente a rotina de escrever semanalmente uma redação para a aula da disciplina, outra para o simulado e ainda fazendo exercícios em casa. Hoje, cursando medicina na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Samanta conta que nunca perdeu de vista a importância das disciplinas como história e geografia. “Eu estudava muito esses conteúdos não só para responder bem às questões de múltipla escolha de linguagens e ciências humanas, mas também para me sair bem na redação. Temas de atualidade, que saem no jornal e estão em em alta, sempre podem cair no Enem.”
 
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Prática ajuda no aprimoramento de tempo
A excelência na escrita alcançada pela carioca Sophia Martinelli, 19, lhe trouxe notoriedade e a fez acreditar mais em si mesma. Não faltou quem ligasse para a jovem, buscando dicas sobre como ela alcançou a nota máxima. Por mais que acreditasse levar jeito com a escrita, a estudante apostou sempre mais e mais nos estudos. “Só no segundo ano de pré-vestibular é que o professor disse que eu estava num nível bom, só precisava exercitar mais. Fazia dois ou três textos por semana. Um na sala do cursinho e outro em casa”, conta.

Com a preparação em etapas, Sophia desenvolveu o estilo dela e, aos poucos, adaptou-se aos critérios e moldes da prova. “No começo, eu demorava em torno de duas horas para concluir, pois pesquisava tudo sobre o assunto antes de começar para ter embasamento e referências. Fui aprimorando esse tempo e, cerca de dois meses antes do Enem, conseguia terminar a dissertação em uma hora”, conta.

O trunfo pessoal, acredita, está na clareza com que desenvolve a argumentação. “É preciso correlacionar os temas e explicar bem. Creio que me saí bem não só pelo português correto, mas também pela facilidade de leitura que minha redação proporciona.  Acredito que grande parte dos brasileiros entenderia meu texto perfeitamente”, explica.

Com o desempenho na prova objetiva, Sophia teve média geral 748, ainda insuficiente para o desejado curso de medicina.  A estudante, então, optou por iniciar os estudos em uma universidade particular e tentar, quem sabe, a transferência para uma instituição pública mais adiante. “Consegui aprovação em duas particulares.”
 
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Para pensar fora dos moldes
A dissertação apresentada pelo carioca João Pedro Maciel Schlaepfer, 22, obteve a nota máxima no Enem em 2014, mais pela ousadia do que pela adequação formal. Apesar de dominar as técnicas de redação exigidas, ele usou caminhos que extrapolam as fórmulas indicadas pelos cursos preparatórios. “Coloquei uma pergunta como título e meu parágrafo final foi mais reflexivo e provocativo. Nenhum professor recomendaria isso. Uma vez que a argumentação está sólida e segura, cabe colocar no texto o estilo próprio”, diz.

“Eu me arrisquei, sim. Normalmente, somos instruídos a seguir um modelo, o que me irrita pessoalmente. Não gosto da massificação como um todo e tentei fugir dela. Não era garantido que funcionaria, mas tive ótima surpresa no fim”, relata.

Com isso,  ele acredita que proporcionou reflexão sobre os formatos utilizados pelos candidatos. A conquista mais significativa foi mesmo o ingresso na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) para o curso de Letras, na habilitação em formação de escritor. João tinha esse objetivo e uma redação foi decisiva. Ele admite que, no início da preparação, tinha dificuldades em organizar o pensamento dentro do texto, mas o esforço o fez sobressair: naquele ano, apenas 250 candidatos atingiram a nota máxima na dissertação.
 
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“Persistir para alcançar meu sonho”
Apesar da nota 1000 obtida na redação em 2014,  a carioca Nathalia Cardozo, 22, só conseguiu ingressar em medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2017, depois de duas tentativas no Enem. Os conceitos de 2015 e 2016 se mantiveram altos, 960 e 980 pontos, respectivamente.  A aluna admite ter sentido um pouco de desânimo por não ter passado, mas seguiu se preparando. “É difícil continuar estudando depois da nota máxima na redação, até porque as pessoas perguntavam como eu não tinha passado se tinha me saído tão bem. Medicina sempre foi meu sonho e uma faculdade particular seria muito cara, então continuei tentando”, relembra.

Sobre a própria escrita, acredita que conseguiu aprimorá-la.“Tem que pensar no tema, estruturar o pensamento e aprimorar os sinônimos para não tornar o texto enfadonho. Percebi que isso era um sacrifício para mim e, para escrever bem, teria que ser um processo natural”. Nas aulas, ela buscou entender bem os critérios de correção e ampliar o conhecimento de mundo. “Segui me atualizando sobre assuntos como governo, economia, as guerras acontecendo, por exemplo.  A partir daí, pensei sobre esses assuntos até ter opinião sobre eles. Fui construindo melhor meus argumentos”, explica.

13 possíveis temas de redação no exame de 2017
O tema da proposta de dissertação é sempre uma incógnita, a ser revelada somente no grande dia da prova, em 5 de novembro. Conjeturar a respeito, contudo, é uma constante para quem está desde o início do ensino médio se preparando para o exame e quer estar informado sobre o que acontece no Brasil e no mundo. Pensando nisso, o professor de redação do Curso Positivo Wellington Borges Costa, de Curitiba, conhecido entre os alunos como Wella, levantou 13 temas da atualidade possíveis de serem abordados direta ou indiretamente na prova. Para ele, pós-verdade é a principal aposta, seguida de debate político e ascensão de discursos intolerantes.

1. Pós-verdade (consumo de conteúdo noticioso sem crédito que tem se difundido nas redes sociais)
2. Reforma trabalhista
3. Reforma da Previdência
4. Discursos intolerantes (religiosos, políticos,  ideológicos etc.)
5. Terceirização da mão de obra
6. Corrupção
7. Reforma política
8. Voto distrital
9. Reformas do processo eleitoral (voto facultativo,  voto obrigatório, questionamento da democracia representativa)
10. Ideologia de gênero
11. Homofobia ou transfobia
12. Substituição da palavra escrita pela imagem e fotografias nas redes sociais
13. Mobilidade urbana