Enem 2017
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Redação nota 1000

O Enem está logo ali, mas não se desespere. Para alcançar a excelência na dissertação, dê o seu melhor recado com a ajuda de nosso especial. São critérios e dicas de planejamento que podem garantir a nota máxima no exame

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postado em 30/10/2017 07:00 / atualizado em 30/10/2017 12:50

Minervino Junior/CB/D.A Press
 
 
Acredite. Escrever é mandar recado. A receita de uma sobremesa é um recado. O convite para a festa de aniversário é um recado. O horóscopo publicado no jornal é um recado.  A prova que você faz na escola é um recado.  A dissertação de mestrado é um recado.
 
A gente manda e recebe recados todos os dias. A secretária anota a mensagem para o chefe. O médico prescreve o remédio para o enfermo. O professor dá o tema da redação. Você escreve uma carta para seu amigo. Seu coleguinha manda um zap para você. É tudo recado.

E a dissertação do Enem? É recado. Então por que aquele frio na espinha? Só de pensar nela as mãos ficam geladas. O coração dispara. O suor jorra. Os sintomas têm um nome — medo. Do quê? O que apavora é não ter nada para dizer.

Qual a saída? Ser esperto.  Você já leu muitos livros, revistas e jornais. Viu dezenas de filmes. Conversou sobre variados assuntos.  Assistiu a incontáveis telejornais. Está pra lá de preparado. Tem assunto pra dar e vender.  Na hora de mandar o seu recado, fique calmo. E siga as dicas.
 
 
Olho nos critérios
O que a banca examinadora leva em conta na hora da correção? São cinco critérios — ordens que devem ser seguidas tim-tim por tim-tim. Ignorá-los rouba pontos e pode, até, levar à anulação da prova. Valha-nos, Deus! Vigiar e orar é a regra. Vamos a eles?
 
1. Domínio da língua: escreva a norma culta. Não significa palavras difíceis nem frases complicadas. Grafe as palavras como manda o dicionário. Nada de brincadeirinhas que a gente faz na internet. Respeite a concordância, a regência, a pontuação, as flexões de verbos e nomes, o emprego e a colocação de pronomes — do jeitinho que você aprendeu na escola, aplicou nas provas e exercícios, lê em jornais, revistas e livros. Nada de mais.

2. Compreensão do tema: entenda a ordem. Se o enunciado for “por que descriminar a maconha”, fale dos porquês (uso medicinal, redução do tráfico, diminuição da violência, maior controle). Não enrole. Rondar o tema sem chegar ao núcleo pode anular a prova. Se você, por exemplo, dissertar sobre os riscos da maconha para a saúde, fugirá do tema. Adeus!

3. Seleção e organização dos argumentos: o Enem exige dissertação. Quem disserta defende um ponto de vista. Faça um plano. Busque ideias, citações, exemplos pra sustentar sua tese. Não dê chance ao azar. Se você apresentar poema, conto ou crônica, já era.

4. Coesão: palavras, orações, períodos, parágrafos não ficam soltos no texto. Uns conversam com os outros. A língua oferece recursos pra ligá-los. Às vezes, a sequência das ideias dá conta da coesão. Outras vezes, preposições, conjunções, pronomes, partículas de transição fazem o texto parecer uma equipe, não um monte de jogadores soltos, perdidões. Compare estes enunciados:Os meninos foram ao hospital visitar o amigo. O supermercado estava lotado. O que uma frase tem a ver com a outra? Nada. Quem escreveu os períodos sonegou informações. Vamos devolvê-las. Com elas, os enunciados ganham coesão: Os meninos foram ao hospital visitar o amigo. Pararam no caminho para comprar frutas. Mas desistiram. O supermercado estava lotado.

5. Proposta de solução: o texto deve ser escrito na 3ª pessoa. Não dê a vez ao pronome eu. E, no final, proponha uma intervenção social pra resolver o problema. Seja abrangente. Convoque o governo, o Congresso, o Judiciário, a escola, a família, a Igreja, ONGs para atingir o objetivo.
 
 
Planejamento
Você vai escrever um texto de 30 linhas, não um livro nem um verbete de enciclopédia. O primeiro passo é traçar um caminho. Um só. O desafio: especificar a ideia que tem na mente. Torná-la clara como a luz do sol. Chegar lá não é nenhum bicho de sete cabeças. É fácil como andar pra frente ou tomar um sorvete gostoso. Siga este plano.

1. Respire fundo. Três vezes. Devagarinho. Deixe o ar chegar lá embaixo, no fundão da barriga. Visualize o umbigo. Sorria para ele. Por dentro e por fora.

2. Leia o tema da redação três vezes. Entenda-o.

3. Planeje o texto: delimite o tema, defina o objetivo, selecione as ideias capazes de sustentar sua tese. Depois, faça um plano como o proposto no esqueminha:
Tema (o quê?): o assunto geral do texto.
Delimitação do tema (o que do quê?): aspecto do tema que vai ser tratado.
Objetivo (para quê?): aonde você quer chegar com seu texto? O que quer provar?
Ideias do desenvolvimento (como chegar lá?): argumentos, exemplos, comparações, confrontos e tudo que ajudar na sustentação do ponto de vista que você vai defender.
 
4. Exemplo 
Tema: Violência
Delimitação do tema: Violência na escola
Objetivo: Demonstrar que se devem tomar medidas repressivas e preventivas para acabar com a violência nas escolas
Ideias do desenvolvimento: Causas e consequências da violência na escola, briga de alunos, gangues rivais, armas, violência doméstica, álcool, drogas, alunos e professores agredidos, sociedade e escola violentas, soluções, medidas repressivas, aumento do policiamento, convocação de psicólogos e assistentes sociais.

Pronto. Plano feito, foco nele. Selecione as ideias do desenvolvimento mais adequadas à tese proposta. Você vai transformar o esqueleto em texto capaz de convencer o leitor — com começo, meio e fim.
 
 
Rascunho
Oba! Feito o planejamento, é hora de escrever. Respire fundo. Relaxe. Na vida, você fez centenas de testes. Este é mais um. Preparo não lhe falta. Acredite. Acredite. Acredite. Você pode. Mãos à obra.

1. Faça rascunho. Há uma folha destinada a ele. Use-a. Ali você escreve, reescreve, rabisca, corta, borra, rasura, escreve por cima. O espaço é todo seu. Ninguém tem nada a ver com ele.

2. O texto definitivo, com começo, meio e fim, é o que será avaliado. Com ele, todo o cuidado é pouco. Escreva-o na folha própria. Com caneta.

3. A redação deve ter até 30 linhas. Preste atenção ao “até”. Perde pontos quem ultrapassar o tamanho determinado. Pode ser um pouco menos de 30. Mas nenhuma a mais.

4. Use a norma culta. É a língua que você aprende na escola. Respeite pontuação, concordâncias, regências, grafias. Nada de palavras difíceis. As que você conhece são suficientes.

5. Divida o texto em parágrafos. Um para a introdução. Dois ou três para o desenvolvimento. Um para a conclusão.

6. A redação deve atender ao tipo dissertativo-argumentativo. Terá de defender uma tese. Dado um tema, você precisa tomar posição clara — de preferência, a favor ou contra. É importante justificar sua posição com argumentos. Prove, demonstre, convença.

7. Apresente proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Apele para governo, Congresso, família, Igreja, clubes sociais.

8. Revise. No texto, as palavras, as frases e os parágrafos conversam, batem papo pra lá de amigável. Se entra um estranho sem se anunciar, rompe-se a harmonia. Lembra-se do bobão que introduziu, no meio do texto, uma receita de Miojo? Vacilou. Quis bancar o esperto. Pagou caro.

9. Faça a releitura antes do texto definitivo.

10. Passe a limpo.

 
Texto final
Oba! Você já fez o plano e o rascunho. É hora do texto que será submetido ao crivo da banca examinadora. Com 80% do caminho percorrido, tenha calma.  A nota 1000 o espera. Atenção às dicas mágicas:

1. Comece pelo começo. 
Escolha uma frase bem atraente. Pode ser uma declaração, uma citação, uma pergunta, um verso, a letra de uma música. Depois desenvolva a sua tese. Cada ideia num parágrafo. Por fim, conclua. Com um fecho elegante.
 
2. Seja natural. 
Imagine que o leitor esteja à sua frente ou ao telefone conversando com você. Fique à vontade. Espaceje suas frases com pausas. Sempre que couber, introduza uma pergunta direta. Confira a seu texto um toque humano. Você está escrevendo para pessoas. Gente igual a você.

3. Use frases curtas. 
Com elas, você tropeça menos nas vírgulas, nas conjunções, nas correlações verbais. “Uma frase longa”, ensinou Vinicius de Moraes, “não é nada mais que duas curtas.”

4. Ponha as sentenças na forma positiva. 
Diga o que é, nunca o que não é. Em vez de escrever “ele não assiste regularmente às aulas”, escreva “ele falta com frequência às aulas”.

5. Prefira palavras curtas e simples. 
Os vocábulos longos e pomposos criam uma barreira entre leitor e autor. Fuja deles. Seja simples. Entre duas palavras, prefira a mais curta. Entre duas curtas, a mais expressiva. Casa, residência ou domicílio? Casa.
 
6. Opte pela voz ativa. 
Ela deixa o texto esperto, vigoroso e conciso. A passiva, ao contrário, deixa-o desmaiado, sem graça. Compare:
» Voz ativa: Os alunos fizeram a redação.
» Voz passiva: A redação foi feita pelos alunos.

7. Abuse de substantivos e verbos. 
Seja sovina com adjetivos e advérbios. Eles são os inimigos do estilo enxuto.

8. Seja conciso. 
Respeite a paciência do leitor. A frase não deve ter palavras desnecessárias. Por quê? Pela mesma razão que o desenho não deve ter linhas desnecessárias ou a máquina peças desnecessárias.

9. Revise. 
Leia o texto. Mas leia-o ativamente. Primeiro faça a leitura panorâmica. Percorra-o do começo ao fim. Assim, você tem ideia do conteúdo. Depois, faça a leitura analítica. Sua redação tem começo, meio e fim? Você defendeu seu ponto de vista? Escreveu parágrafos com tópico frasal e desenvolvimento? Apresentou proposta de intervenção? Respeitou a correção gramatical? (Dobre os cuidados com a pontuação, a regência, a crase, a concordância.) Triplique a atenção com a passiva sintética — do tipo “vendem-se carros” — com o sujeito posposto ao verbo.

10. Avalie.  
As frases soam bem? Sem cacófatos (por cada, por tão, uma mão, boca dela)? Sem rimas (rigor do calor)? Você começou bem? Terminou melhor? Tenha a certeza: uma vaga da universidade é sua.


Violência na escola
1. A violência nas escolas não constitui novidade sobretudo nos grandes centros. Briga de alunos, enfrentamento de gangues rivais, apreensão de armas brancas e de fogo são constantes nas instituições de ensino. Há registro de crianças e adolescentes atacados, feridos, surpreendidos com facões e revólveres nas dependências escolares.

2. As causas da agressividade são conhecidas. Entre elas, sobressai a violência doméstica. O estudante transfere para as salas de aula os abusos presenciados ou experimentados em casa e nas vizinhanças. O álcool e a droga também exercem papel relevante. Sob o efeito de bebidas etílicas ou narcóticos, jovens perdem o controle e o senso de realidade. Sem condições de se dedicar a números e letras, dão a vez a descontroles. O ambiente hostil não poupa os professores. Cresce o número de ataques a docentes. 

3. Pode-se argumentar, com razão, que o colégio não é uma ilha no mar de fúria que domina o meio ao redor. É natural, pois, que a barbárie que se registra nas urbes chegue lá. É verdade. É verdade também que medidas repressivas e preventivas precisam ser tomadas sem perda de tempo. Entre elas, o aumento do contingente do Batalhão Escolar.

4. Acões preventivas se impõem. Uma delas é o acompanhamento da família. Estudantes não aprendem violência nas salas de aula. Levam-na de casa. Feito o diagnóstico do desvio de comportamento, psicólogos e assistentes sociais devem entrar em campo. Sem isso, a escola deixará de exercer o papel para o qual foi criada – instruir, educar e socializar. Em outras palavras: tornar a pessoa melhor para viver em sociedade.