Enem 2017
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O que focar na reta final

A uma semana da primeira prova, ainda dá tempo de memorizar fórmulas básicas, exercitar a redação e buscar simulados

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postado em 30/10/2017 07:00 / atualizado em 30/10/2017 12:22

 
 
Restam alguns dias para estudar para o Enem. Antes do grande dia, ainda há tempo para que os inscritos acertem os últimos detalhes antes da prova. Para terminar a preparação sem, contudo, se sobrecarregar, as dicas dos professores giram em torno da redação, cujo pique de escrita não se pode perder, e das fórmulas básicas das áreas de ciências exatas.
 
Questionada a respeito dos alunos que ainda insistem em acelerar o passo nos estudos em cima da hora, Danielle Michaelsen, professora de matemática da Universidade Federal de Goiás (UFG), aconselha  revisão de conteúdos específicos. “Vale a pena rever  fórmulas, sobretudo as de equação do segundo grau, e temas como produtos notáveis e geometria espacial, bastante cobrados no Enem. Em geral, trata-se de um exame que exige nível de preparação muito grande.” 
Diretor de Ensino e Inovações Educacionais na SAS Plataforma de Educação,  Ademar Celedônio sugere que esta é a hora de se soltar no exercício da dissertação. “É fundamental não deixar de fazer redações. Manter o ritmo da escrita é extremamente válido. Nas provas objetivas, é muito complicado alcançar  pontuação elevada, pois isso implica em acertar um número muito alto de questões, mas a redação pode ser esse fator de desequilíbrio.”
 
Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 
 
Para o momento de execução da prova, ele arrisca um método que pode parecer ousado demais para aqueles mais preocupados com o relógio: “Eu aconselharia o candidato a ler o caderno de questões nos primeiros 30 minutos. E, só então, partir para a resolução. É uma loucura, dirão alguns, mas, assim, você acalma a ansiedade”, observa. Desse modo, o candidato pode mapear com antecedência do que precisa para cumprir bem o exame. “Feito isso, comece pelos itens mais fáceis anotados”, conclui.

Descanse sem perder o foco

Sentimento comum à maioria dos estudantes, a culpa por julgar não ter se preparado o suficiente pesa nessa hora. Mesmo que, aos olhos dos professores e familiares, essa não seja a verdade, pensamentos negativos e dúvidas falam mais alto. O melhor a fazer é desacelerar, orienta Danielle Michaelsen.“Não é a ocasião de aprender nenhuma matéria nova. O tempo agora é de desacelerar um pouco.  As dicas para a reta final são se concentrar, evitar estresse e alimentar-se bem.” Ela elaborou um manual de postura fundamental em cinco tópicos do que considera a postura ideal para o presente momento.

Cinco dicas para antes e durante a prova
1. Durma bem na véspera da prova. Deite-se cedo e tenha uma tranquila noite de sono, pois o cansaço interfere no nível de concentração e, certamente, no  desempenho.

2. Beba água moderadamente antes e durante a prova. Mas cuidado, água em excesso faz com que você queira ir ao banheiro mais vezes, o que pode desconcentrar.
 
3. Chegue com antecedência. Evite o estresse com a possibilidade de  se atrasar e perder o exame. Evite também qualquer situação que seja estressante antes da prova, pois o nível de adrenalina alto pode atrapalhar o raciocínio durante horas, e certamente vai prejudicá-lo.

4. Pare e respire, caso se sinta ansioso. Se necessário, solicite sair de sala para ir ao banheiro e molhar o rosto. Uma vez tranquilizado, retorne para a prova a partir de uma questão  mais fácil, que gere autoconfiança.

5. Confira suas respostas. Certifique-se de que estão corretas e completas, preenchendo o gabarito com cuidado.

Fonte: Daniele Michaelsen Lago, mestre em matemática pela Universidade Federal de Goiás (UFG) 

 
Simulado CB disponível on-line a partir de hoje
A nova ferramenta preparada pelo Especial Enem para quem vai fazer o exame chega em boa hora.  A uma semana do exame, a melhor pedida para avaliar o desempenho é o simulado on-line Simulado CB, uma parceria entre o Correio Braziliense e o curso pré-vestibular Exatas. Serão disponibilizados dois simulados, totalizando 90 questões exclusivas de todas as áreas de conhecimento cobradas no exame, a serem respondidas em intervalos de tempo que simulam aquele que o candidato encontrará na prova.

Gratuito e aberto a todo o público, o recurso está disponível a partir de hoje (30) em www.correiobraziliense.com.br/euestudante/enem-2017/simulado-enem2017. Para o primeiro simulado, são 50 questões para as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias e ciências humanas e suas tecnologias. Dividido por disciplinas, o primeiro teste envolve português, história, geografia, filosofia, sociologia, artes e língua estrangeira (inglês ou espanhol). 

Para cada matéria, o estudante tem 30 minutos para resolver todas as questões.  A partir de 6 de novembro, será disponibilizado o segundo simulado, com 50 questões de ciências da natureza e matemática.

Para executar o teste, basta acessar o site, preencher breve cadastro de dados pessoais, por meio de conta no Facebook ou e-mail.

“Elaboramos um sistema que é prático, intuitivo e adaptado para todas as plataformas. Celular, tablet, laptop e tudo mais: oferecemos a opção ao aluno de fazer uma revisão do conteúdo no conforto de casa, em qualquer aparelho, sem complicar a rotina de estudos, já desgastante”, afirma César Augusto Severo, professor de física e coordenador pedagógico do Exatas. Testada por alunos do curso, a ferramenta virtual não deve nada aos simulados presenciais. “Notamos que o desempenho dos alunos é muito semelhante. Os testes on-line são um modo de organizar os estudos e nortear a revisão. Cumprindo a rotina dos testes, o candidato pode mapear em que pontos sua preparação está correta e no que ainda precisa de algo mais.”
 
 
Nota zero por desrespeito aos direitos humanos? 
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região de Brasília tomou decisão polêmica na última quinta-feira (26), proibindo que as redações do Enem consideradas ofensivas aos direitos humanos (DH) sejam zeradas. O tribunal atendeu a uma ação civil pública da Associação Escola sem Partido, que alega "caráter ideológico" no item 14.9.4 do edital do exame.
Secretária Especial de Direitos Humanos do governo federal, Flávia Piovesan lamentou a decisão. “O Enem acerta quando assume também um cunho pedagógico voltado aos direitos humanos, cidadania e diversidade. O direito à liberdade de expressão é fundamental, mas não é ilimitado nem absoluto”, diz.  Ainda assim, ela afirma que o candidato não deve mudar de postura. “Não acredito que vai ser valorizado esse tipo de argumentação. O exame sinaliza há tempos que não existe espaço para preconceito e intolerância.”
 
Professora de redação do Centro Educacional Sigma, Ângela Miranda considera a decisão um retrocesso, mas defende a continuidade da preparação. “Não muda nada, o aluno preparado não cometerá uma violação desse nível. É preciso argumentar bem, sem esquecer que existem limites.  A liberdade de expressão impõe respeito ao próximo.” Júlio Gregório, secretário de Educação do DF, lamentou polêmica tão próxima à prova. "É mais um fator de insegurança, mas a recomendação é permanecer tranquilo, continuar sua preparação e não se deixar abalar", diz.
 
Raquel Barbosa, 19, discorda. “Ela fere algo ligado ao ser humano, e a associação impôs sua vontade.” Segundo dados do Inep, 4.798 redações foram zeradas por esse motivo em 2016. Um número pequeno, frente aos 8,6 milhões de participantes naquela edição.

Entenda o caso
O item do edital contestado reserva ao Inep o direito de anular dissertações que adotem, entre outros discursos, a “justiça com as próprias mãos” fora das esferas e instituições legais, tortura e demais violências infligidas a alguém por questões de raça, etnia, gênero e credo.  A regra existe desde 2013. O caso foi analisado pelo desembargador federal Carlos Moreira Alves, cuja decisão afirma que “o conteúdo ideológico do desenvolvimento do tema da redação é, ou deveria ser, um dos elementos de correção da prova discursiva, e não fundamento sumário para sua desconsideração”. Em nota, o Ministério da Educação (MEC) diz que todos os seus atos são tomados “conforme Declaração Universal dos Direitos Humanos, consagrada na Constituição Federal Brasileira”. O Inep recorrerá da decisão.
 
 
 
* Estagiário sob supervisão de Ana Sá