Enem 2017
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PREPARAÇÃO

A hora da matemática no Enem

Disciplina ocupa metade das questões objetivas do segundo dia de exame, 12 de novembro. Recomendação para o período entre provas é revisar o conteúdo e diminuir o ritmo de estudos

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postado em 08/11/2017 10:46 / atualizado em 08/11/2017 11:26

Terminada a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicada em 5 de novembro, já é hora de pensar na segunda e última etapa. Se o desempenho em redação, linguagens e ciências humanas foi o melhor possível ou, quem sabe, deixou um pouco a desejar, não importa: em 12 de novembro, os estudantes de todo o país retornam aos locais de prova, dessa vez para fazer as avaliações de ciências da natureza e matemática e suas tecnologias. Esta, responsável por 45 das 90 questões do dia, impressiona pela extensão e peso dos conteúdos. Nessa hora, vale mais a pena uma boa revisão de conteúdo e ainda um tempinho para descanso.

“Nesta semana entre provas, o aluno deve ter sabedoria e não desanimar, mesmo se acredita que o resultado do primeiro dia não foi o esperado. Agora é começar do zero, em prova completamente diferente, e cabe a ele revisar o que foi aprendido nos três anos do ensino médio”, afirma Gabriel Carvalho, professor da disciplina no Centro Educacional Sigma. “Não dá mais tempo de estudar tudo. Para quem já vem se preparando de modo adequado, o momento é de repassar os conteúdos principais, sem stress, e observar como funciona a prova e qual a melhor estratégia para enfrentá-la”, concorda Diego Viug, que leciona matemática no curso ProEnem.

Para eles, a prova deve apresentar poucas surpresas de conteúdo. Desse modo, é bom se concentrar nos temas mais recorrentes no exame, como matemática financeira, grandezas proporcionais e geometria plana e espacial. “Na primeira, exige-se do candidato que ele demonstre entender descontos percentuais, aumentos, juro simples e composto. Habilidades que vêm contextualizadas no dia a dia, como é típico do Enem em todas as disciplinas”, observa Gabriel Carvalho. Caem ainda questões de variação de grandezas direta e inversamente proporcionais e, em geometria, conhecimento de triângulo, circunferência e prisma. “Esta costuma ser a mais difícil para os alunos nessa área, pois envolve muitas variações”, completa Carvalho.

Linguagem e estratégia

Professor do Departamento de Matemática da Universidade de Brasília (UnB), Diego Marques Ferreira reforça que não há, no exame, indagações diretas, sem contextualização. “O Enem faz o aluno fugir um pouco dos padrões escolares. Nele, é preciso que o aluno leia o texto e as informações adicionais (gráficos, tabelas) e saiba aplicar essa linguagem matemática no cotidiano”, diz. Para enfrentar as 4 horas e meia disponíveis para a prova de modo a não deixar nenhum tema de lado é preciso preparação e estratégia. “É uma maratona cansativa e de muita pressão. Nem todo muito está muito apto à matéria e, por isso, os candidatos devem priorizar o que têm mais facilidade e não se deixar desgastar pelo que não consegue resolver”, afirma.

Segundo Gabriel Carvalho, o exame traz misturadas questões fáceis e difíceis. Um mapeamento inteligente é essencial. “Na leitura das questões, os inscritos podem verificar o que é fácil e o que toma mais tempo. Pule a questão mais complicada, sem peso na consciência. Psicologicamente, ele sai das mais simples com a certeza de que acertou e chega às complexas com leveza e tempo.”

“Outra dica interessante é começar sempre pelo comando. Os textos que abrem as questões nem sempre são curso e, sabendo de antemão o que é exigido, o candidato os lê com outro olhar”, acrescenta Diego Viug.

Nota 1000 recomenda treino
O catarinense Nícolas Yakamakoshi, 18 anos, atravessou a jornada do Enem com belo desempenho, gabaritando todas as questões de matemática do exame. “Até o 3º ano, nunca fui muito de estudar”, confessa, para surpresa geral. Os parâmetros dele começaram a mudar apenas quando, ao enfrentar os primeiros simulados, sentiu que sofria dificuldades na matéria pela falta de disciplina. “A partir do final do primeiro semestre, decidi que era hora de me preparar para valer e ficar entre os primeiros. Entrava na escola às 7h30 e, após as aulas, ficava na biblioteca e só saía às 22h. Mantinha a rotina de segunda a sexta, como se fosse meu trabalho. No final de semana, relaxava”, lembra.

Arquivo Pessoal
 

Na retal final, sentiu que o desempenho havia mudado ao revisar conteúdos e fazer simulados. Em casa, aproveitava o pouco tempo que sobrava para treinar semanalmente com uma edição do exame. “Uma prova por vez, cronometrando os minutos. Não demorou muito para notar um padrão de curva de tempo. Notei que passava a gastar prazos muito precisos para cada questão.”

Para a semana entre provas, a dica do jovem é mesmo descansar. “Larguei quase tudo, fazendo apenas alguns exercícios do que gostava mais. Fora isso, dediquei-me ao lazer, fui vem filmes com amigos e jogar videogame”, conta. Para quem não consegue tal desprendimento, de todo modo, alguma moderação. “Se houver oportunidade, é bacana ir a 'aulões', que propõem revisão de modo descontraído. Embora não seja hora de aprender conteúdos novos, não custa nada relembrar os conteúdos principais, como questões de probabilidade, volumes, cálculos de área. São temas que envolvem raciocínio lógico e não 'decoreba', cobrando sempre a resolução de questões problema a partir de conhecimentos matemáticos.”