Enem 2017
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Como funciona a Teoria de Resposta ao Item no Enem

Em live para o especial do Correio, professor Gilver Ferreira explicou os princípios básicos da TRI, que determina a nota final dos candidatos

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postado em 09/11/2017 19:54 / atualizado em 10/11/2017 12:43

A segunda e última etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocorre no próximo domingo (12). Em live no Especial Enem do Correio, Gilver Ferreira, professor de química da rede pública do Distrito Federal, esclareceu os princípios básicos da Teoria de Resposta ao Item (TRI), uma incógnita para a maioria dos milhões de estudantes que fazem as provas. Desde 2009, é por meio da TRI que o desempenho do estudante é calculado. Mas, afinal, como ela funciona?

As 180 questões objetivas que compõem o Enem não são, ao pé da letra, inéditas. Isso porque foram criadas, estruturadas e testadas previamente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), responsável pelo exame. Após os testes, elas são classificadas em função da dificuldade: fáceis, difíceis e medianas. Figuram na prova, em média, 25% do primeiro grupo, 25% do segundo e 50% do terceiro. Se constatado que o inscrito errou muitas perguntas fáceis e acertou várias difíceis, o algoritmo deduz que se trata de desempenho improvável, fruto de muitos "chutes". 

“Fiz a primeira prova no último domingo e sei que passei por questões nesses três níveis. A TRI serve para a montagem da prova e vai influenciar também na nota final de cada um, depois que todos realizarem o Enem”, explica o professor, que faz pela oitava vez o exame para sentir, na pele, como ele é na visão dos alunos. “O aluno que foi coerente no acerto das questões, conforme seu conhecimento, terá boa nota”, sintetiza.

“Lendas do Enem”
Mas, então, o candidato que só sabe as mais difíceis sai prejudicado? Não é bem assim. Quanto a essa dúvida, tão comum aos estudantes, o professor convida ao raciocínio lógico: “Se eu sei a resposta da questão de matemática sobre probabilidade, que envolve uma série de competências e habilidades, não faz sentido que erre algo mais leve, como cálculo de horas e segundos”, exemplifica. “Não existe, dentre os milhões que fazem a prova, alguém que tenha acertado apenas as 20 mais difíceis”, completa. 

Mesmo que sites especializados tenham feito testes e simulações com essa possibilidade, são exemplos artificiais. Na prática, não há resultados nesse sentido. O professor observa ainda que, após trabalho de amostragem longo e minucioso, questões constatadas como especialmente difíceis são descartadas, não figurando no exame final apresentado aos candidatos.

Organizadas em cadernos de várias cores, as provas do Enem apresentam as mesmas questões para todos os alunos, mas dispostas em ordem diferente para cada caderno. Desse modo, explica o professor, não há motivos para acreditar que um caderno é mais fácil que outro, nem que se deve começar a responder as questões pelo fim. 

Lógica básica 
De todo modo, Gilver Ferreira não recomenda que os inscritos busquem entender em detalhes a TRI. Não se trata disso. “Não é necessário ir atrás de minúcias da teoria, mas entender a lógica básica dela”, afirma. A dica é começar pela ordem e, encontrando dificuldade em alguma questão, pular para a próxima. “Se você vê uma questão de grande dificuldade, calma, deixe para depois. Você ganha tempo para essa questão quando se livra, com agilidade, das outras mais fáceis.”

Para quem avalia que não teve bom desempenho no primeiro dia, o professor sugere não desanimar. “Vá, sim, ao segundo dia. O candidato precisa se avaliar sempre e ter um objetivo!”, avalia. “No domingo, é hora de 'conversar com a prova', olhar para ela e ver o que você vai fazer. Vale muito a primeira percepção que o inscrito vai ter da questão. Em ciências da natureza, por exemplo, as mais difíceis para os estudantes são aqueles que envolvem cálculo, como estequiometria. Nesta você vai trabalhar, com mais tempo, depois de responder as mais fáceis”, finaliza.