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Atualidades na ponta da língua

Com a ajuda de especialistas, o Correio elenca conteúdos que ganharam o noticiário de todo o país e podem ser cobrados no Enem

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postado em 26/09/2010 09:15 / atualizado em 26/09/2014 12:45

Ariano Suassuna, dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta: o brasileiro, autor da peça Auto da Compadecida, morreu em julho deste ano e poderá ser homenageado na prova (Alexandre Nóbrega/Divulgação) 
Ariano Suassuna, dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta: o brasileiro, autor da peça Auto da Compadecida, morreu em julho deste ano e poderá ser homenageado na prova

A menos de dois meses do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Correio Braziliense procurou professores de diferentes cursos preparatórios para saber quais temas da atualidade devem ganhar atenção dobrada na reta final de estudos. Os assuntos apontados pelos especialistas merecem reflexão. Muitos foram — e ainda estão em destaque na mídia— e seguem como apostas para a prova deste ano. Como explica Arthur Benny, professor e coordenador do pré-vestibular do Sistema Educacional Brasileiro Dínatos COC, o Enem é uma prova mais democrática. “As atualidades são cobradas de forma contextualizada porque existe a consciência de que as pessoas no país não têm acesso às informações no mesmo nível”, comenta.

Arthur Benny observa que os temas exigidos estarão relacionados a problemas práticos do dia a dia. A importância de prestar atenção aos noticiários não está somente nas questões de humanidades, como muitos imaginam. A escassez de água em São Paulo, por exemplo, poderia ser relacionada com conteúdos de economia doméstica e abordada em matemática, por meio do cálculo de quantos litros de água são gastos em um único banho. Ademar Celodônio, diretor de ensino do Colégio Ari de Sá, de Fortaleza, esclarece que, desde a reformulação do exame, em 2009, o Enem tende a lidar com assuntos recorrentes nas páginas dos jornais, como a preservação do meio ambiente, o uso consciente da água e os conflitos políticos há muito tempo estabelecidos.

Apesar disso, é importante entender que a prova não é factual. Segundo Ademar, dificilmente a contextualização do conteúdo será feita a partir do que ocorreu até quatro meses antes do exame. “É possível alguma questão abordar a guerra entre Israel e Hamas, mas dificilmente será citada a morte do jornalista James Foley, divulgada recentemente. Isso porque os cadernos de provas do Enem são montados e impressos em julho e agosto, o que impossibilitaria incluir uma citação do episódio”, completa. O diretor explica, no entanto, que se manter antenado às atualidades, mesmo depois desse período, é importante na hora de construir argumentos para a redação. Estar informado sobre o assunto pode permitir uma leitura mais ágil dos textos bases ou mesmo dos longos enunciados que introduzem as questões e, assim, garantir preciosos minutos a mais.

Redação
Para Fabiana Sales Freitas, professora de redação e literatura do Grupo Alub, as questões atuais também pautam o tema do texto dissertativo da prova. É exigida de quem faz a prova uma postura crítica em relação aos problemas sociais que têm importância nacional. “A grande preocupação são os fatores que interferem politicamente e interessam a sociedade hoje”, avalia. “Por ser ano de eleição, é possível que o processo eleitoral — como o conceito do voto nulo — ou a relação com a manutenção da democracia seja pauta da exigência”, exemplifica Ademar Celodônio, do Colégio Ari de Sá. Fabiana conta que um bom exercício é ler o noticiário e pensar em soluções e melhorias para as dificuldades e conflitos da sociedade. Ela explica que um quinto da nota de toda a prova de redação — ou seja, 200 pontos — avalia justamente isso: a proposta de intervenção no problema apresentado. Fabiana dá outra dica valiosa: “Ao se deparar com os textos na prova, é importante ler primeiro a data em que foram escritos ou publicados. O ideal é entender cada um deles a partir do contexto histórico”.

As apostas

Comentários de professores sobre temas com grandes chances de caírem no Enem

Crise hídrica
Além das questões de economia doméstica, que podem aparecer na prova de exatas, a crise no abastecimento de água no país é aposta para a redação deste ano. A professora Fabiana Sales Freitas diz que é importante pensar no desperdício do recurso não só como consequência de falta de conscientização individual, mas também como resultado de problemas estruturais (como o processo de saneamento básico, por exemplo). Vale ficar atento ainda aos fatores socioeconômicos que interferem na distribuição de água no Brasil e na quantidade consumida pelas indústrias e pela agropecuária.

Política e eleições
Por ser ano eleitoral, as questões de política devem ganhar destaque no Enem. Para Fabiana, temas  como corrupção e abuso do poder econômico terão grande importância.
Vale prestar atenção à Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010), que, pela primeira vez, será aplicada em eleições gerais. Ela foi sancionada em 4 de junho de 2010 e prevê 14 hipóteses de inelegibilidade que impedem a candidatura de políticos, como a de quem teve o mandato cassado, de condenados em processos criminais por um órgão colegiado ou de quem renunciou ao mandato para evitar um possível processo de cassação. A punição prevista na lei é de oito anos de afastamento das urnas como candidato. 

Copa e Olimpíadas no Brasil
Fabiana Sales Freitas acredita que a Copa do Mundo pode aparecer relacionada, entre os vários assuntos possíveis, a alguma questão que envolva o problema do tráfego aéreo no país. O assunto foi muito discutido desde o anúncio do Brasil como sede do Mundial e das propostas governamentais para a reforma de aeroportos. A professora explica que, com a diminuição do valor das passagens, mais pessoas têm, hoje, acesso ao avião como meio de transporte. Vale pensar se há infraestrutura suficiente para receber esse contingente, por exemplo. O professor de história Arthur Benny aposta em questões que apontem as Olimpíadas de 2016 atreladas ao surgimento da democracia na Grécia Antiga.
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