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Enem aproxima o Brasil

O exame permite que estudantes escolham universidades de outras regiões do país com mais facilidade. Em meio à felicidade da aprovação, quem é selecionado precisa lidar com os desafios de se adaptar a uma nova cidade e de se virar sozinho

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postado em 05/09/2014 12:20 / atualizado em 05/09/2014 12:23

Jéssica Paula, Especial para o Correio

Daniel, Júlia e Wesley vieram de outras regiões e tentam se adaptar à UnB e a Brasília  (André Violatti/Esp.CB/D.A Press) 
Daniel, Júlia e Wesley vieram de outras regiões e tentam se adaptar à UnB e a Brasília

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) diminuiu os limites e as divisas entre as unidades da Federação e trouxe diferentes sotaques para os corredores da Universidade de Brasília (UnB). Com isso, a nova porta de entrada democratizou o acesso ao ensino superior público. A facilidade de se candidatar a vagas de instituições das mais diversas regiões é uma vantagem, mas os aprovados em localidades distantes de casa passam por mudanças drásticas, além do endereço. “Independência e responsabilidade batem à porta e, com isso, a tendência é que a maturidade venha”, explica a psicóloga Thailyne Gazzetta.

“É tudo longe e não há pessoas nas ruas”, disse a mineira Júlia Santiago, 18 anos, ao descrever as primeiras impressões sobre Brasília. Natural de Belo Horizonte, ela ainda se acostuma com as linhas retas da capital. “Eu nunca tinha cogitado a possibilidade de estudar aqui, mas descobri a UnB quando vi a lista do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e decidi que queria vir para cá.”

A moradora do DF Camila Sidersky, 17 anos, quer fazer design em Minas Gerais:  
A moradora do DF Camila Sidersky, 17 anos, quer fazer design em Minas Gerais: "Método interessante"

Daniel Godoy, 20 anos, nasceu e cresceu em Americana, São Paulo, e enfrenta a mesma dificuldade. Ele ficou sabendo que havia sido aprovado na UnB por meio do Sisu em uma sexta-feira. Dois dias depois, tinha de estar em Brasília para fazer a matrícula e procurar uma moradia. “Não deu tempo nem de me despedir de todos os amigos. Mesmo assim, nunca senti tanta felicidade”, conta. “Não tem nenhuma universidade reconhecida que aceita o exame na minha região, então, busquei logo a UnB porque é uma ótima instituição”, disse o estudante do 2º semestre de medicina.

Natural de Anápolis, o goiano Wesley Flávio, 20 anos, também do 2º semestre de medicina na UnB, lida com as provações de morar sozinho. “A solidão e a responsabilidade de pagar contas e cuidar da casa mudaram bastante a minha vida.” O sentimento de isolamento não depende só da distância da cidade natal. Apesar de a família dele ficar a apenas 160km de Brasília, ele mal consegue vê-la. “O curso exige muito, e passo o dia todo estudando. Nos fins de semana, procuro descansar e estudar mais”, revela. É a própria universidade que tira a sensação de vazio. “Como passo muito tempo dentro da UnB, não fico triste. Além disso, Brasília tem muito mais opção de lazer e de cultura do que a minha cidade.”

Caminho inverso
Vida de universitário não se resume a morar em uma nova cidade. “O ambiente da faculdade é legal, mas, se você não faz o que realmente gosta, não vale a pena”, ensina o brasiliense Cézar Barbosa, 17 anos. O jovem foi aprovado no início do ano por meio do Sisu para estudar física na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais. Lá, percebeu que o mais difícil era frequentar um curso que descobriu não ser o esperado. Depois disso, ele voltou para Brasília. Cézar decidiu agora que fará comunicação social. Quer ser jornalista. E está ansioso para ingressar na UnB no próximo ano por meio do Sisu. Prepara-se para o Enem com livros, simulados e cursinho. “Sinto que estou convicto do que quero”, afirma.

Habitante da capital federal desde os 8 anos, a estudante da 3ª série do ensino médio Camila Sidersky, 17 anos, quer cursar design na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). A segunda opção é a UnB. “Viver em Brasília é mais fácil porque a minha família mora aqui, mas, para estudar na melhor instituição do país na área, eu sairia do DF”, explica. Ela se prepara para fazer o Enem pela primeira vez num cursinho. “Não é uma prova difícil, mas tem questões muito trabalhosas. O Enem é muito cansativo, mas é um método interessante de seleção”, acredita.

Apoio
Na primeira vez em que a UnB adotou o Sisu como forma de ingresso, no primeiro semestre de 2014, 1.986 candidatos foram aprovados em primeira chamada. Desse total, 36% (712) são de outras unidades da Federação, de acordo com o decano de Ensino e Graduação, Mauro Luiz Rabelo. “Atrair bons alunos de qualquer parte do país contribui inclusive para a melhoria dos cursos. Todas as instituições gostariam de ter os melhores estudantes.” Rabelo ressalta que o Sisu é a única oportunidade para o estudante que mora longe da universidade e não tem condições de se deslocar para prestar o vestibular. “Por ser pública, a universidade não foi criada apenas para cumprir uma função regional.”

Com um fluxo maior de alunos de fora do DF, a UnB intensificou a assistência estudantil aos recém-chegados sem condições de pagar todas as despesas. “As nossas acomodações são limitadas, mas a universidade tem se preparado para a demanda, com bolsas de permanência e auxílio-moradia. Quando a instituição adere ao Sisu, o Ministério da Educação (MEC) aumenta a quantidade de recursos para a política de permanência”, garante Rabelo. Para ter acesso à assistência estudantil, não há uma faixa de renda específica, mas é necessário comprovar que a família não tem condições de manter o estudante na universidade. A partir de uma avaliação socioeconômica, a UnB oferece auxílio-alimentação, auxílio-moradia e até vale-livros, de acordo com a necessidade.
 
 
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