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Destrinchando a nota do Enem

A pontuação do Exame Nacional do Ensino Médio leva em conta o grau de dificuldade das questões objetivas. Na redação, o importante é o candidato manter-se coerente com o tema

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postado em 19/09/2014 10:47 / atualizado em 19/09/2014 14:12

Sem nota mínima nem máxima e com pontuações que variam a cada ano e de acordo com as áreas de conhecimento. Entender como funciona o método de correção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode ser um desafio e tanto. Desde 2009, o exame utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI) como forma de avaliação. “A TRI cria uma escala de medidas, não existe nota mínima nem máxima. A menção é dada a partir das questões que são colocadas na prova, que têm diferentes parâmetros de dificuldade. Esses itens são pré-testados, de forma que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) sabe qual é a probabilidade de que um candidato com determinada proficiência acerte as questões”, explica o professor titular do Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Dalton Andrade. Ou seja, para a nota final, leva-se em conta não apenas o número de acertos, mas o nível de dificuldade de cada item. Uma questão que tem baixo índice de acertos é considerada “difícil” e, por isso, tem mais peso na pontuação. Aquelas com alto grau de acertos são classificadas como “fáceis” e contam menos pontos. Assim, dois participantes que acertaram o mesmo número de questões podem ter médias finais diferentes. Também não é possível comparar o número de acertos nas provas de diferentes áreas do conhecimento. Se um aluno acerta o mesmo número de itens nas provas de matemática e de ciências humanas, por exemplo, não significa que a pontuação obtida será a mesma. Isso ocorre porque o nível de dificuldade de cada prova e das questões que a compõem influenciam o cálculo final.

Diferentemente de avaliações, como o vestibular da Universidade de Brasília (UnB), em que uma questão errada anula uma certa, no Enem não há prejuízo em chutar, como explica Andrade. “Toda questão correta aumenta a pontuação. Se o candidato deixa um item em branco, para a correção, é o mesmo que marcar errado, então o melhor é chutar. Ninguém é penalizado por acertar no chute, mas, dependendo da questão, a pontuação obtida pode ser maior ou menor”, diz Dalton.

A redação é a única parte do exame em que a Teoria de Resposta ao Item não é aplicada. A correção é realizada por dois especialista que dão notas de 0 a 200 a cada uma das cinco competências pre-estabelecidas pelo edital da prova, totalizando até 1.000 pontos. A nota final é a média simples entre as notas dadas pelos dois corretores. Simone Tavares Dias, professora de redação do curso Degraus, comenta os fatores que podem fazer o candidato se sair mal nessa parte da prova. “O mais importante é não fugir do tema, que é motivo para zerar a redação. Cada erro gramatical retira parte da pontuação, o que pode prejudicar bastante. Além disso, não convém citar textos de apoio”, comenta. De acordo com o edital do exame, trechos copiados de outros textos da prova serão desconsiderados para correção e contagem do mínimo de sete linhas de redação. Também são motivos para nota zero o uso de impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, assim como conteúdo que desrespeite os direitos humanos.

Nas escolas e nos cursinhos, os alunos recebem orientação específica sobre a correção do Enem, como explica a candidata Ivanna Cristina Romcy, 18 anos. “Aprendemos um pouco sobre o que é a TRI. Sei que há questões fáceis e difíceis e que vale mais a pena acertar as perguntas mais simples”, diz. A jovem pretende cursar fisioterapia na UnB. Para Marcos André Franco Coutinho Pereira, 20 anos, o método é justo. “Eles conseguem identificar quem realmente estudou e quem só está chutando”, diz o candidato a uma vaga em letras-francês na UnB.

 

"Eles conseguem identificar quem realmente estudou e quem só está chutando" 

 

Marcos André Franco Coutinho Pereira, 20 anos, candidato a letras-francês na UnB 

 

"Aprendemos um pouco sobre o que é a TRI. Sei que há questões fáceis e difíceis e que vale mais a pena acertar as perguntas mais simples"

 

Ivanna Cristina Romcy, 18 anos, candidata a fisioterapia na UnB 

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