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Quase 1,5 milhão de treineiros no Enem

Mais de 16% dos inscritos no exame de 2014 vão fazer as provas apenas como treinamento, segundo dados do Inep. Aumento se deve à adesão de universidades federais ao exame

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postado em 28/09/2014 14:23

Elisângela, Werter e Suellen participarão Enem a fim de testar erros e acertos quando o teste for para valer (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 
Elisângela, Werter e Suellen participarão Enem a fim de testar erros e acertos quando o teste for para valer


O interesse de treineiros em fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem crescido nos últimos anos por uma razão principal: a consolidação da prova como forma de ingresso às universidades federais. Não é à toa que 1.446.032 pessoas farão o exame em 2014 na modalidade. Elas correspondem a 16,5% dos mais de 8,7 milhões de inscritos, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Cada vez mais, a busca por treinamento para que o estudante identifique e corrija os erros antes do momento oficial faz com que alunos se preparem para a prova antes mesmo de concluírem o ensino médio. Para os treineiros, a intimidade que se cria com o estilo das questões, o tempo de prova e a estrutura da redação podem ser fundamentais no grande dia.

O professor do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (IL/UnB) Tiago Pires acredita que a prática do exame, que coloca o aluno na perspectiva competitiva ao lado de outros candidatos com interesses em comum, é positiva. Segundo ele, a prova prepara o aluno em diversos níveis. “Não adianta estudar apenas duas horas diárias se o teste é extensivo. Ao mesmo tempo, dedicar-se excessivamente pode prejudicar o aproveitamento do treineiro”, diz.

Rafael Riemma, professor de português do Colégio Galois, acredita que os treineiros obtêm um diagnóstico acadêmico por meio do exame. “A partir do desempenho na prova, você consegue identificar falhas e até alguns acertos, nos casos de chute. Assim, o aluno se dá conta do conteúdo em que tem deficiência. Tanto as questões marcadas corretamente por meio de chute quanto as equivocadas merecem atenção.” Aos candidatos de primeira viagem, o mestre dá algumas dicas: “O aluno precisa se atentar aos procedimentos de aplicação da avaliação, ao preenchimento do cartão de respostas e até à melhor forma de passar a limpo o rascunho da redação”.

Suellen Rodrigues, 18 anos, Werter Ximenes Lima e Elisângela Ketlyn de Oliveira, 16, alunos do 2º ano do ensino médio do Centro Educacional nº 1 de Planaltina, o Centrão, se preparam para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio como treineiros. Werter sonha cursar medicina em alguma universidade privada do Distrito Federal e pretende conquistar desconto por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Além de estudar por apostilas de cursinhos preparatórios, aposta em videoaulas na internet e revisa todo o conteúdo durante o fim de semana. Werter fez o exame anteriormente e notou diferença no desempenho. “Faço o Enem há dois anos e a minha nota melhorou bastante no ano passado”, conclui.

Experiência

Elisângela Ketlyn fará a prova como treineira para adquirir experiência. “É sempre bom ter esse tipo de conhecimento. A prova, além de me avaliar, vai permitir aprender com meus erros.” Elisângela estuda cerca de três horas todos os dias para o exame, mas continua focada na escola. “Nesta fase, o Enem ainda é um experimento. Eu acho que aproveitar o conteúdo que a gente vê na escola é melhor”, conclui. Suellen não sabe qual o curso quer fazer, mas já investe no treinamento. “Quero fazer a prova para conhecer o sistema antes de chegar a minha hora. Estudo pela internet e faço simulados na biblioteca da escola.”

Também no 2º ano do ensino médio, Bruno Oliveira Sales fará o Enem pela primeira vez. Para realizar o sonho de cursar medicina na UnB, o estudante de 17 anos conta com o conteúdo que revisa na escola. “Sendo treineiro agora, eu fico mais preparado para quando fizer o Enem ou o vestibular”, diz. Bruno foi aprovado para o curso de enfermagem na UnB no último vestibular e acredita que seu desempenho no Enem será fruto de seu estudo. “Eu gosto mais do estilo de prova do Enem. Gosto do perfil político da redação: avalia não só os conhecimentos, mas também a cidadania de quem está fazendo a prova”, aponta.

Preparação

Estudantes do 3º ano da Escola Americana de Brasília (EAB), João Pedro Callai Negri e Fernanda Caldas Villas Boas de Carvalho, 17 anos, serão treineiros no Enem de 2014. Como a escola segue o ritmo acadêmico das escolas internacionais — lá o ano letivo começa em agosto e termina em julho —, os estudantes não podem participar do Sisu até o segundo semestre de 2015. Até lá, João Pedro, que deseja cursar ciências econômicas na UnB, se dedica ao Enem com apostilas de cursos preparatórios. “O exame envolve também programas de financiamento estudantil, intercâmbios e até certificado para quem não teve a oportunidade de terminar o ensino médio. Isso é muito legal, porque não está voltado a um público-alvo, mas para todos.”

Fernanda quer cursar direito na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, para ser delegada ou procuradora. A instituição aceita o Enem em substituição ao vestibular. Estreante no exame, ela não sabe o que esperar da prova. “Eu acho que o tempo para estudar é agora, na reta final. Então, estou mais focada em revisar o conteúdo.”


1.446.032
Quantidade de pessoas que concluirão o ensino
médio depois de 2014 e farão o Enem como treineiras


8.721.946
Total geral de inscritos no Enem em 2014

 

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