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Redação nota 1.000

Confira algumas dicas para se dar bem na prova que é critério de desempate na hora de escolher um candidato do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A editora do Correio orienta praticar, organizar-se e respeitar as normas

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postado em 10/10/2014 10:03 / atualizado em 10/10/2014 10:09

Dad Squarisi /Correio Braziliense

Redação é habilidade. Joga no time da natação, do salto, da digitação. A gente só se torna campeão nas águas se treinar. Só salta como Maurren Magi se praticar. Só digita 400 palavras por minuto se se exercitar. Só escreve um texto nota 1.000 se escrever muito e sempre. A ordem é treino, treino, treino. Na hora da prova, você estará pra lá de preparado. Não tem por que dar vez ao nervosismo. Fique calmo. Respire fundo três vezes. Devagarinho. Deixe o ar chegar ao fundão da barriga. Visualize o umbigo. Sorria pra ele por dentro e por fora. Pronto. Parta pra luta. Olho nos critérios O que a banca examinadora leva em conta na hora da correção? São cinco critérios — domínio da língua, compreensão do tema, seleção e organização dos argumentos, coesão, proposta de solução. Cada um vale 200 pontos. Vamos a eles? 1. Domínio da língua: escreva a norma culta. Grafe as palavras como manda o dicionário. Nada de brincadeirinhas que a gente faz na internet. Respeite a concordância, a regência, o emprego e a colocação de pronomes. 2. Compreensão do tema: entenda a ordem. Se o enunciado pedir “as causas da obesidade infantil”, fale sobre as causas (alimentação inadequada, sedentarismo, falta de esporte). Não enrole. Rondar o tema sem chegar ao núcleo pode anular a prova. Se você, por exemplo, falar sobre os riscos da obesidade para a saúde, fugirá do tema. Adeus! 3. Seleção e organização dos argumentos: o Enem exige dissertação. Quem disserta defende um ponto de vista. Busque ideias, citações, exemplos pra sustentar sua tese. Não bobeie. Se você apresentar carta, poema, conto ou crônica, já era. É zero na certa. 4. Coesão: palavras, orações, períodos, parágrafos não ficam soltos no texto. Uns conversam com os outros. A língua oferece recursos pra ligá-los. São preposições, conjunções, pronomes, partículas de transição que fazem o texto parecer uma equipe, não um monte de jogadores soltos, na bobeira. 5. Proposta de solução: o texto deve ser escrito em 3ª pessoa. Não dê a vez ao pronome eu. E, no fim, proponha uma intervenção social pra resolver o problema. Seja abrangente. Convoque o governo, a família, a Igreja, ONGs para atingir o objetivo. Planejamento do texto Você vai escrever um texto de 30 linhas, não um verbete de enciclopédia. O primeiro passo é traçar um caminho. Um só. O desafio: especificar a ideia que tem na mente. Vamos lá? Siga este plano. 1. Leia o tema três vezes. Entenda-o. 2. Planeje o texto. Eis o passo a passo: a. Tema: assunto geral da redação. Responde à pergunta o quê? b. Delimitação do tema: aspecto do tema que vai ser tratado. É o quê do quê. c. Objetivo: o que você quer com seu texto? Comece sempre com um verbo no infinitivo: expor, sugerir, apontar, denunciar, demonstrar, criticar. d. Ideias do desenvolvimento: argumentos, exemplos, comparações, confrontos e tudo que ajuda na sustentação do ponto de vista que você quer apresentar ao leitor. Eis um exemplo a. Tema: acidentes no trânsito b. Delimitação do tema: responsabilidade pelos acidentes de trânsito c. Objetivo: demonstrar que irresponsáveis não podem pegar o volante d. Ideias do desenvolvimento: falhas humanas respondem por 95% dos acidentes de trânsito, estatísticas sobre as mortes no asfalto, lei seca, fiscalização do cumprimento da lei. 4. Com o plano feito, redija. Comece pelo começo. Escolha uma frase bem atraente. Pode ser uma declaração, uma citação, uma pergunta, um verso, a letra de uma música. Depois desenvolva a tese. Cada ideia num parágrafo. Por fim, conclua. Lembre-se do fecho sedutor. 5. Seja natural. Imagine que o leitor esteja à sua frente ou ao telefone conversando com você. Fique à vontade. Espaceje suas frases com pausas. Sempre que couber, introduza uma pergunta direta. Confira a seu texto um toque humano. Você está escrevendo para pessoas — gente igualzinha a você. Eis o resultado Somos crescidinhos O inferno são os outros? Pode ser. Mas somos nós também. Os acidentes no trânsito servem de prova. Desculpas nunca faltaram ante os corpos estendidos nas pistas. Boa parte jogava a culpa no Estado — vias perigosas, sinalização precária, policiamento inexistente. Uma ou outra se referiam ao motorista. Generosas, diziam que ele cochilou. Ou sofreu mal-estar súbito. Ou tentou se desviar deste ou daquele obstáculo e perdeu o controle do veículo. Pesquisas ampliam a visão sobre a realidade. Mais de 95% das tragédias no asfalto se devem a falhas humanas. Pior: boa parte dos condutores que matam ou morrem consome álcool — 40% nos dias úteis, 70% nos fins de semana. Confiantes na sorte e na impunidade, enchem a cara mesmo conscientes do risco. Com os reflexos comprometidos e o comportamento alterado, respondem com lentidão aos desafios do volante. Resultado: cerca de 42 mil pessoas perderam a vida nas rodovias brasileiras em 2013. E daí? Lei proíbe a venda de bebida alcoólica nas estradas federais. O texto prevê multas pesadas. No caso de reincidência, o estabelecimento comercial terá as portas fechadas. E por aí vai. Haverá fiscalização? Não. Sem o censor, é mais uma lei que não pega. Motoristas festejam a continuidade da farra. Se não encontram a biriba no caminho, levam a garrafa no carro. O ministro da Saúde pediu que pessoas denunciem irregularidades. Talvez denunciem. Mas a prática não faz parte da nossa cultura. Temos escrúpulo de dedurar os outros. Fica, então, a pergunta. Estamos condenados a morrer ou a recolher filhos e netos enrolados em plástico preto? Vamos e venhamos. Quem tem carteira de habilitação é vacinado e maior de idade. Se precisa de babá, não pode assumir a responsabilidade da própria vida e da vida dos outros. Com a palavra, o governo. Inscreva-se Estão abertas, até 16 de outubro, as inscrições para o simulado da série Correio Braziliense no Enem. Os interessados podem se cadastrar gratuitamente pelo site www.simuladocb.com.br. A prova, elaborada pelo IMP Concursos e pelo Tempo de Concursos, é composta por dois cadernos — com quatro horas de duração cada um —, que estarão disponíveis no site de 18 de outubro, às 7h, até 19 de outubro, às 23h59. Cada prova tem quatro horas de duração. O gabarito será divulgado em 20 de outubro. É a chance de testar seus conhecimentos para o Enem. Assinantes do Correio podem acessar um banco de questões extra.
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