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Cardápio musical

Conheça as canções que são importantes para se preparar para o Enem

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postado em 22/10/2014 06:00 / atualizado em 21/10/2014 19:49

Além dos tradicionais cadernos e apostilas, os estudantes que estão se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – que terá provas aplicadas em 8 e 9 de novembro – podem acrescentar mais um item para reforçar a rotina de estudos: os fones de ouvido. A referência às letras de músicas que fazem relação com os conteúdos cobrados no exame tem sido frequente nas últimas edições. Em 2013, por exemplo, representantes da música brasileira marcaram presença na prova de Linguagens, códigos e suas tecnologias, em questão que traziam composições de artistas como Noel Rosa, Rita Lee, Ary Barroso, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Na mesma prova, outra questão trouxe o trecho da música Até quando?, do cantor Gabriel, o Pensador, lançada em 2001. O item solicitava ao candidato que, após analisar os versos, identificasse os elementos linguísticos utilizados pelo autor.

"A prova busca sempre temas atuais e que valorizem a capacidade de interpretação", explica o professor de música Paulo Ferreira, que ministra a disciplina no curso preparatório Exatas e no Centro Educacional Leonardo da Vinci. "Para utilizar a música em seus estudos, o aluno precisa entender o contexto da época, do autor e compreender o vocabulário", completa. Ele destaca ainda que a música não é exclusividade das provas das áreas de humanas e linguagens. "É possível estudar ainda o aspecto físico da música, como as características das ondas sonoras, por exemplo", afirma.

Para Eciliano Rodrigues, professor de história, sociologia e filosofia do Sistema Ari de Sá, a utilização de letras de músicas como textos no Enem está relacionada com a procura por um aluno mais antenado e que seja capaz de trabalhar com diversos contextos. "O diferencial da prova do Enem é que o exame não costuma cobrar diretamente o pensamento de um autor, por exemplo. A prova analisa a capacidade do aluno de relacionar textos do dia a dia – como músicas, poemas, tirinhas – com esse conteúdo", explica. "Entre as competências da prova de Ciências humanas e suas tecnologias, por exemplo, está a capacidade de identificar aspectos da cultura. Questões dessa frente podem facilmente se utilizar deste artifício", ressalta.

Confira seleção de músicas feita por professores que pode ajudar nos estudos para o Enem:

Rosa de Hiroshima
Vinicius de Moraes

Originalmente um poema do carioca Vinicius de Moraes, Rosa de Hiroshima ganhou uma versão musicada por Gerson Conrad, da banda Secos e Molhados, em 1973. O poema faz alusão aos bombardeios ocorridos em Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial, e a música também já foi interpretada por Ney Matogrosso.

O professor de química Kelton Wadson, do Sistema Ari de Sá, destaca que a música pode ser utilizada como gancho para questões relacionadas com conteúdos da disciplina. "A canção pode ser associada aos temas de radioatividade e energia nuclear", explica. "O tema pode ser utilizado, por exemplo, para discutir os prós e os contras da utilização desse tipo de energia, além de fazer conexão com outros conteúdos relacionados às matrizes energéticas."

Pra não dizer que não falei das flores
Geraldo Vandré

As canções relacionadas ao período da ditadura militar no Brasil são a aposta do professor de música do Curso Exatas e do Centro Educacional Leonardo da Vinci Paulo Ferreira. "Várias músicas desse período são simbólicas. Conhecer a obra desses autores pode ajudar a compreender melhor o contexto em que foram produzidas", afirma. A canção indicada pelo professor, composta e interpretada por Geraldo Vandré, tornou-se um hino para o movimento de resistência após ter sido censurada pela ditadura militar.

Disparada
Geraldo Vandré e Théo Barros

A canção Disparada é uma das principais composições da época dos festivais de música popular. A segunda música indicada pelo professor Paulo Ferreira, composta por Geraldo Vandré em parceria com Théo Barros, também está relacionada com o período da Ditadura Militar. O tema pode ser cobrado no exame, já que 2014 marca os 50 anos do golpe.

Garota de Ipanema
Vinicius de Moraes e Tom Jobim

A terceira indicação do professor Paulo Ferreira é a música composta pelo poetinha em parceria com Tom Jobim. Com a comemoração do centenário de Vinicius de Moraes no ano passado, a vida e a obra do autor podem ganhar espaço em algumas questões do exame. "É uma música de grande importância e reconhecida mundialmente", destaca Paulo.

Cálice
Chico Buarque e Gilberto Gil

Segundo o professor de português João Filho, do Sistema Ari de Sá, a ambiguidade do termo que dá nome à canção – pode referir-se ao objeto cálice ou ao imperativo do verbo calar – pode aparecer na prova de Linguagens, códigos e suas tecnologias. Além disso, a canção também serve para entender questões das disciplinas de humanas, como o contexto das produções no período da Ditadura Militar. "É uma das músicas mais emblemáticas dos anos de chumbo", completa.

Nina
Chico Buarque


Para Thiago Adjuto, professor de literatura do curso preparatório Sentido Único, um dos assuntos que podem ser relacionados com músicas no exame é a presença da internet na vida das pessoas. "Essa música de Chico Buarque fala da relação amorosa estabelecida entre um brasileiro e uma russa por meio da tecnologia. O tema é frequente nos textos que compõem a prova de Linguagens, códigos e suas tecnologias", explica.

Capitu
Luiz Tatit

A personagem da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, dá nome à canção composta pelo paulista Luiz Tatit, em 2000. Apesar de o livro do famoso escritor ter sido publicado em 1899 — muito antes de se pensar na existência da internet —, a canção Capitu estabelece relação com temas como a tecnologia e a presença da internet nos relacionamentos interpessoais. Segundo o professor Thiago Adjuto, a música "aborda a ambiguidade da conhecida personagem de Machado de Assis, relacionando-a às noções conflitantes de ‘virtual’ e ‘real’, que são próprias do universo da internet."

Comida
Titãs

O professor de história, filosofia e sociologia do Sistema Ari de Sá Eciliano Rodrigues destaca que a canção pode ser relacionada ao conteúdo dos pensadores da Escola de Frankfurt. "A música tem caráter conscientizador e faz o questionamento das necessidades humanas. Alguns conceitos de pensadores que tratam da indústria cultural, seja como forma de manipulação ou de politização, podem ser identificados em trechos dessa música", explica.

 

 

Confira a letra e vídeo das músicas:

 

Rosa de Hiroshima
Vinicius de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada
 

 

Pra não dizer que não falei das flores
Geraldo Vandré

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

 

 

Disparada
Geraldo Vandré e Théo Barros

Prepare o seu coração
Pras coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo pra consertar

Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu

Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos
Que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei

Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente

Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto pra enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei

 

 

Garota de Ipanema
Vinicius de Moraes e Tom Jobim

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

 

Cálice
Chico Buarque

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

 

 

Nina
Chico Buarque

Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que, embora nova
Por amores já chorou que nem viúva
Mas acabou, esqueceu

Nina adora viajar, mas não se atreve
Num país distante como o meu
Nina diz que fez meu mapa
E no céu o meu destino rapta
O seu

Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve

Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou...

 

 

Capitu
Luiz Tatit

De um lado vem você com seu jeitinho
Hábil, hábil, hábil
E pronto!
Me conquista com seu dom

De outro esse seu site petulante
WWW
Ponto
Poderosa ponto com

É esse o seu modo de ser ambíguo
Sábio, sábio
E todo encanto
Canto, canto
Raposa e sereia da terra e do mar
Na tela e no ar

Você é virtualmente amada amante
Você real é ainda mais tocante
Não há quem não se encante

Um método de agir que é tão astuto
Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo
É só se entregar, é não resistir, é capitular

Capitu
A ressaca dos mares
A sereia do sul
Captando os olhares
Nosso totem tabu
A mulher em milhares
Capitu

No site o seu poder provoca o ócio, o ócio
Um passo para o vício, o vício
É só navegar, é só te seguir, e então naufragar

Capitu
Feminino com arte
A traição atraente
Um capítulo à parte
Quase vírus ardente
Imperando no site
Capitu

 

 

Comida
Titãs

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Pra aliviar a dor

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Pra aliviar a dor

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade

Diversão e arte
Para qualquer parte
Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh!
Necessidade, vontade, eh!
Necessidade

 

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